Nesta terça-feira, 5 de abril, a Associação Amigos do Cinema exibe o clássico norte-americano ‘A Montanha dos Sete Abutres’, com direção de Billy Wilder. Lançado em 1951, o filme tem duração de 110min e aborda o sensacionalismo na imprensa. A exibição acontece às 20h na sede do Sindibancários (Rua 7 de setembro, 489 ) e conta também com apoio do Escritório Fuerstenau e Distaky Vídeo.
Confira uma síntese da crítica de Rodrigo Cunha sobre o filme:
“Durante os anos 50, Billy Wilder foi o responsável por alguns dos maiores clássicos não só da década, mas da história do cinema. Com ‘Crepúsculo dos Deuses’ (1950), causou a ira dos produtores de Hollywood; com ‘O Pecado Mora ao Lado’ (1955), fez a censura ter pesadelos com as pernas de Marilyn Monroe; já com ‘Quanto Mais Quente Melhor’ (1959), utilizou homens travestidos que não podiam ceder aos encantos de Marilyn para brincar com a máfia e os estigmas da sociedade.

Diretor de coragem e refino, Wilder nunca se restringiu a gêneros ou convenções. Sua ideia sempre foi de criar um cinema forte, comunicativo, que refletia no público aquilo que ele pensava, e não apenas obras para se assistir e esquecer. Reflexão e denúncia. Não é a toa que sua ressonância ainda é forte e permanece atual, mesmo meio século após o lançamento de cada obra citada: todas elas ainda devem ser revisitadas obrigatoriamente pelos amantes do cinema, pois cada uma tem algo a dizer que deve ser ouvido. Neste ‘A Montanha dos Sete Abutres’, de 1951, Wilder causou mais uma vez um cataclismo de todo um segmento de indústria ao criticar os jornais e seu modo de fazer e de ser.
Conta a história de Chuck Tatum (Kirk Douglas), um jornalista arrogante e inescrupuloso que perde o emprego em diversos jornais de grande circulação, vendo sua carreira sem rumo o guiar até a pequena e pacata cidade do Novo México, onde arruma um emprego em um jornal discreto e correto. Sua ideia é que aquilo seja apenas temporário, mas vê o tempo passar e sua vida acalmar no interior e no anonimato. Quando um minerador (Richard Benedict) é soterrado em uma montanha próxima dali, Tatum vê a oportunidade que precisava para voltar aos holofotes: dramatizar a história daquele homem, mesmo que para isso tenha que colocar em risco a vida dele e subornar quem for preciso para manter a exclusividade da coisa, entre xerifes e esposas.
Obra-prima pouco comentada fora do meio jornalístico, mas que deve ser obrigatoriamente revisitada por todos que gostam de um cinema que vai muito além de denúncia, mas de retrato da vida, este ‘A Montanha dos Sete Abutres’ é um dos grandes clássicos esquecidos que merece ser redescoberto pelo grande público.”














