Início Sem categoria No mapa do intercâmbio musical

No mapa do intercâmbio musical

LUANA CIECELSKI
[email protected]

O projeto “Dandô – Circuito de Música Dércio Marques” surgiu em 2013, em São Paulo. Foi idealizado pela cantora, compositora e pesquisadora de raízes musicais Kátya Teixeira. Buscou desde o início uma interação musical dentro do país, mostrando as diversidades sonoras de uma região para outra. Como? Através do intercâmbio de artistas de vários rincões. 

O mineiro Joaci Ornelas se apresenta em Santa Cruz amanhã

Dessa forma o projeto vem proporcionando não só uma troca de experiências musicais, mas também uma difusão de culturas e o surgimento de um novo público, novas plateias. E nessa semana o projeto chega a Santa Cruz. Mais especificamente nesta quinta-feira, 11 de agosto, às 20 horas. Chega na forma de uma apresentação que vai ocorrer  no Auditório do Memorial da Universidade de Santa Cruz (Unisc). Quem toca é o mineiro Joaci Ornelas. 

Natural de Salinas, no Vale do Jequitinhonha, Joaci estudou violão, teoria musical, harmonia e história da música na Escola de Artes de Belo Horizonte. Além disso aprendeu sozinho, apenas ouvindo, uma arte que posteriormente se tornou uma de suas especialidades: a viola caipira. E é justamente essa música, que está presente nas suas interpretações de peças, modas, cantigas, batuques e até mesmo em suas composições próprias, que ele pretende trazer para Santa Cruz. 

Para que o projeto possa acontecer efetivamente, porém, o intercambista precisa de um anfitrião. Em Santa Cruz, esse será o papel de Lucas Kist. Professor e multi-instrumentista santa-cruzense, ele atua como saxofonista da Santa Brass Band e violinista da Orquestra Santa Cruz Filarmonia. Também é professor particular e na Escola de Música da Universidade de Santa Cruz do Sul. Sobem com ele ao palco Diego Maracci na bateria, Gustavo Sehnem no teclado e André Dreher no contrabaixo. 

A entrada custará R$ 5,00 para estudantes, funcionários e professores da Unisc, e também para idosos e integrantes do programa Voltare, e R$ 10,00 para o público em geral. A realização do evento é do Núcleo de Arte e Cultura da Unisc e a produção do Coletivo Ramal 314. 

O projeto

A razão do nome “Dandô” se refere a um trecho da canção ‘Canto dos Ipês’, de Dércio Marques. A palavra é uma variação do verbo andar, no linguajar dos pretos velhos. De acordo com Kátya Teixeira, esse termo foi escolhido, porque ele traz justamente o sentido do projeto: fazer os artistas “dandar” e se apresentar em diferentes regiões, circulando como o vento pelo país.

O projeto envolve artistas que têm seu trabalho reconhecido junto ao público, mas que, através do projeto, podem obter uma melhor projeção no panorama nacional. Cada artista terá oportunidade de se apresentar em todos os pontos do circuito, que abrange cidades de vários Estados brasileiros. A ideia é que essa caravana seja contínua e, ao fim de cada grupo de artistas que se apresentar pelos pontos promova um novo grupo.

Ou seja, Santa Cruz entrou no mapa do intercâmbio musical acolhendo um artista. Poderá agora, enviar artistas para serem acolhidos em outros cantos do Brasil. 

Um pouco mais de Joaci Ornelas

O artista tem quatro CDs gravados, sendo o mais recente, o solo “No dizer do serão”, lançado em 2016. Esse trabalho tem como inspiração suas pesquisas e vivências em atividades culturais de tradição de mestres violeiros, tocadores e foliões em comunidades rurais de Minas Gerais. 

É também um dos fundadores do grupo Vivaviola com os violeiros Chico Lobo, Pereira da Viola, Wilson Dias, Bilora e Gustavo Guimarães. O Vivaviola é um movimento de valorização e difusão da música de viola em Minas Gerais e tem dois CDs gravados: “Viva a Cantoria” lançado em 2014 no teatro Bradesco em Belo Horizonte, e nas cidades de Uberlândia, Parati, e São Paulo; e “VivaViola, sessenta cordas em movimento” lançado no grande teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte em abril de 2010.