Viviane Scherer Fetzer
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O que você precisa para levar o seu trabalho até onde ele não chega? Um ônibus, vontade de fazer e aprender. Foi assim que Drurys Pedroso, da Banda Viúva Negra e da Luthieria, colocou sua ideia em prática. Ele comprou um ônibus em maio de 2016. O veículo estava parado no pátio do Expresso Sinimbu há cerca de dez anos. Escolheu um modelo através de fotos para se basear nas reformas e começou a saga. Com os documentos e o motor em dia, passou a arrancar forro, tapetes e tudo mais para refazer. Todo o ônibus foi refeito pelo músico, “acabei aprendendo tudo com ele (o ônibus) e em um próximo já vou saber como fazer tudo”, explica.
“Não tem uma folha de papel A4 aqui em que eu não tenha mexido, dos 37 bancos sobrou só esses oito inteiros, o resto eu tive que desmanchar e acabei usando para forrar as laterais”, conta Drurys. Ele que está à frente da Luthieria há 20 anos, viu na restauração em Opalas, Caravans e Rural uma oportunidade de levar a Luthieria para cidades que não conseguem acesso tão rápido a Santa Cruz para resolver os problemas dos instrumentos. “Tem muita coisa que vem de ônibus e acaba riscando, aí além do problema que me apresentam eu ainda tenho que resolver os arranhões”, comenta. A Luthieria sobre rodas vai servir para que ele reveja amigos e para fazer serviços rápidos nos instrumentos de corda dos músicos da região.
“Um luthier é um engenheiro, um ourives, um psicólogo e um louco que conserta todos os tipos de instrumentos de corda: violão, baixo, guitarra, cavaco, banjo e similares”, explica Drurys. Ainda é necessário que o luthier conheça muito do mundo da música e saiba diferenciar o que um roqueiro ouve e um músico de igreja, porque até as cordas são diferentes. Levando a Luthieria para outras cidades, ele pretende mostrar outra forma de conserto e também facilitar para os músicos. O ônibus conta com um amplo espaço para as ferramentas de trabalho e para os testes, e um espaço confortável para os convidados de Drurys aproveitarem um pouco da Luthieria sobre rodas.

O que é luthieria?
A luthieria é uma profissão artística que engloba a produção artesanal de instrumentos musicais de corda com caixa de ressonância e também o conserto deles. Tais palavras tiveram origem da construção do alaúde, que em italiano se chama liuto; portanto, liutaio significa aquele que faz alaúdes.
O que é luthier?
O termo luthier deriva de francês luth que significa alaúde. Ele dá nome ao profissional especializado em construir instrumentos de corda. Tudo feito de forma artesanal, um a um. Trata-se de uma das profissões mais antigas e que já está em extinção, mas que muita gente não conhece. O ofício exige muita dedicação, paciência e conhecimento técnico.
Além de construir, o luthier ainda é responsável por realizar o reparo e regulagem dos instrumentos de corda com caixa de ressonância, entre eles, violão, violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, violas da gamba e todo tipo de guitarras (acústica, elétrica, clássica), alaúdes, archilaúdes, tiorbas, e bandolins.
O luthier deve dominar uma técnica que é passada de geração para geração e que vai se aprimorando com o tempo. Se o trabalho for feito por uma pessoa que não domina totalmente a técnica, a sonoridade do instrumento pode ficar comprometida. Por isso, ele precisa ainda entender um pouco sobre as especificidades de cada um deles, além de ter noções sobre sensibilidade musical, desenho e criatividade. Como não existe uma formação técnica para a profissão, o conhecimento é passado pelos mestres para os aprendizes que, na maioria das vezes, é um músico ou uma pessoa que tem muita afinidade com o assunto. Ele precisa ter um conhecimento geral sobre diversas áreas como obter detalhes sobre o instrumento, saber e discutir as expectativas com os clientes, escolher e moldar o material para a construção, elaborar um design e realizar a pintura, os acabamentos e toques finais. Além disso, ainda precisa regular o instrumento.
Um dos detalhes que mais influencia na qualidade do instrumento diz respeito à madeira utilizada na fabricação. Ela precisa ser necessariamente de qualidade e, de preferência, importada da Europa, do Canadá, África, Índia. Os acabamentos também vão fazer toda a diferença.














