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A rigidez e a singeleza no mesmo espaço

Um escultor, uma artesã e um poeta. O trio formado por colegas, que com  a convivência tornaram-se amigos, descobriu que a soma de seus talentos e o conjunto de suas obras poderia transmitir o que, na essência, todos buscamos: a harmonia das coisas e, com um pouquinho de pretensão, a almejada paz interior. Pois é exatamente essa sensação de leveza que as pedras em seus diferentes estilos de rostos, formando pares com as bonecas bailarinas e a presença mais que sutil de expressões poéticas podem proporcionar ao espectador que contempla tudo isso ao mesmo tempo. 

Iniciemos pela formação das palavras. Melhor dizendo, da poesia e seu criador. Da infância até os 19 anos, Elias Paulo Mueller vivenciou todas as situações positivas que a natureza pode proporcionar. Morador de Linha Almeida, interior do hoje município de Sinimbu, seu passatempo juvenil dividia-se entre os estudos e o regar das mudas, as travessuras entre os pés gigantes do milharal e o corre-corre em meio às folhas verdes e amarelas do fumo. 

Trabalho do trio pode ser conferido até o próximo sábado, dia 23 no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz

O trabalho, no entanto, geralmente uma prioridade nos campos, não era a principal ocupação do menino Elias. Mas as leituras sim. Carlos Drummond, Mário Quintana, Manoel de Barros, entre outros, tomaram a imaginação e entraram nos dias de sol e chuva do garoto. Eram somente leituras despretensiosas. Ainda não escrevia suas percepções sobre o mundo. 

Agora, aos 43 anos, duas décadas depois de se afastar da bucólica Linha Almeida, ele resolveu passar para o papel um pouco do que viveu por lá, na companhia  diária dos pais, seu Irineu e dona Maria. 
Para sair do aparente anonimato, Elias encontrou, talvez não por acaso, dois agitadores da cultura santa-cruzense: Alceo Luiz de Costa, que dispensa comentários sobre suas criações, e Margaret Rodrigues, a ex-professora que marcou a vida de centenas de bailarinas e que, inspirada nelas, confeccionou bonecas de feltro. 

O resultado da união inesperada desses três artistas você pode conferir até o próximo dia 23 de dezembro, no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz. É a possibilidade que terá de tocar nas pedras de formas humanas e abstratas, de imaginar uma dança com as bonecas e de se deliciar com as poesias impressionistas. Vá e confira, caso você tenha a modesta pretensão de se sentir… um pouco melhor.