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Feirão do Imposto: O valor que você paga não retorna

Alyne Motta
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Mais de R$ 880 bilhões já foram arrecadados de imposto no Brasil até o início da tarde de ontem, 25 de maio. Esse número não assusta somente por ser um valor elevado, mas pelo fato de que a maior parte do que é arrecadado não retorna e vai parar nos cofres públicos ou nos bolsos alheios.

No Brasil, principalmente, a corrupção é o uso de meios ilegais para se obter algo. Em ambiente público, faz sangrar o suado dinheiro dos impostos arrecadados por toda população. Nos rankings de corrupção, o Brasil figura na 79ª posição, ao lado de Bielorússia, Índia e China, segundo a Organização de Transparência Internacional. 

De acordo com a Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), estima-se que R$ 200 bilhões são desviados no Brasil, por ano. Esse valor significa três vezes o orçamento da saúde ou educação e cinco vezes o orçamento da segurança pública.  A corrupção obsta o desenvolvimento econômico e social e afeta a competividade das empresas. 

Por isto a Associação dos Jovens Empresários de Santa Cruz do Sul (Ajesc) está integrando o Feirão do Imposto, que este ano tem como tema “Chega de mão grande! Uma ação contra a corrupção e a favor do retorno dos impostos”. As ações acontecem no sábado, 27 de maio, a partir das 10h, na Praça Getúlio Vargas.

“Queremos debater com a população o quanto é pago de imposto, seja diretamente ou indiretamente através dos produtos que adquirimos, e o quanto isso não está sendo investido. Atualmente trabalhamos 150 dias só para pagar os tributos”, ressalta Roberta Souza e Silva, que é presidente da Ajesc.

O debate principal é sobre os motivos pelos quais esse valor arrecadado não é investido onde deveria. “Sabemos que a corrupção, a ineficiência do governo e o tamanho da atual estrutura governamental são os três motivos para que os valores não sejam retornados. Porém é preciso debater o assunto”, acrescenta o diretor de comunicação da Ajesc, Rodrigo Stulp.

Se a carga tributária brasileira fosse completamente investida onde deveria, faria com que o Brasil fosse um país de 1º mundo. “Hoje, segundo a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, R$ 200 bilhões, são desviados pela corrupção. Isso é um valor extremamente alto”, revela Rodrigo.

Nas ações de sábado, alguns produtos de empresas parceiras vão estar à venda sem o valor do imposto. “Vamos nos reunir em uma mateada em lugar público para que toda comunidade possa debater essa questão”, afirma Roberta. Em caso de chuva, as atividades serão realizadas no Shopping Santa Cruz.

Em 2017 campanha quer debater por que os tributos não retornam para os investimentos

Sobre o feirão

O Feirão do Imposto nasceu em 2002, em Santa Catarina. Seu propósito de disseminar informação tributária de forma simplificada à população tornou a ação conhecida nacionalmente. 

Em 2012 amealhou uma grande conquista: a aprovação da Lei do Imposto na Nota (Lei 12.741/12), que obriga todos os estabelecimentos a incluir nos documentos fiscais o percentual e o valor aproximado dos impostos pagos.

Neste ano de 2017, além de abordar a quantidade de tributos incidentes sobre produtos e serviços, o Feirão do Imposto tratará sobre aplicação dos recursos públicos, ou seja, como tem ocorrido o retorno destes tributos em prol da população.