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Conclusão: Como anda a Saúde em Santa Cruz?

A saúde em Santa Cruz do Sul vai muito bem obrigado e caminha a passos bem seguros. Baseado em nossa trajetória podemos dizer que falta para muitos usuários informação de quem procurar, onde procurar e o que procurar, assim como persistência, pois nossa caminhada passou por todas as etapas, nosso custo foi zero e o atendimento foi muito além do esperado em todos os setores. Sempre lembrando que todo o trabalho foi feito sem a informação e conhecimento das pessoas envolvidas neste processo de que seria usado como matéria para reportagem, evitando assim todo e qualquer tipo de alteração no atendimento. 

Se existe uma crise no setor da saúde, Santa Cruz do Sul, através da atual Administração Municipal, da Secretaria da Saúde tem conseguido conciliar e sair-se muito bem para que seja feito um ótimo trabalho. Às vezes  o vício de criticar o serviço público é mais forte que encarar e ver que a realidade não é este caos que pintam e divulgam. Se temos ainda algumas deficiências, está sendo feito esforço pelos órgãos competentes e responsáveis, a Secretaria Municipal da Saúde através da equipe da secretária Drª Renice Coimbra, para sanar e resolver os mesmos. A população tem a seu dispor um serviço na área da saúde de altíssima qualidade. Não devemos sair falando do que se vê na TV. Pense global, mas a sua realidade é a local, é Santa Cruz do Sul.

Portanto faça tudo para melhorar, e confesso que reconhecer o serviço prestado pela Secretaria da Saúde de Santa Cruz do Sul juntamente com parcerias do  governo federal e estadual, bem como parcerias locais, com destaque ao trabalho do Hospital Ana Nery e sua equipe de profissionais, assim como o Hospital Santa Cruz, faz com que todos os profissionais envolvidos neste processo  recebam o reconhecimento de dever cumprido.

Fernando Lima
Gestor ambiental

(este artigo conclui a série sobre a Saúde de Santa Cruz, publicada na página 2 do ‘Riovale’ às terças-feiras)
 


 

Renice Coimbra: falta de informação leva às críticas

Secretária falou sobre a saúde no município:

Viviane Scherer Fetzer
[email protected]

Por meio de artigos, o gestor ambiental, Fernando Lima, contou como está a Saúde em Santa Cruz do Sul. Ele passou por um procedimento cirúrgico na segunda quinzena de fevereiro e registrou todos os passos até a realização do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os textos podem ser encontrados nas edições de 21 de março, 28 de março e 4 de abril, finalizando nesta edição com a Conclusão. O ‘Riovale Jornal’ entrou em contato com a secretária de Saúde, Renice Coimbra, para conversar sobre a realidade da saúde em Santa Cruz principalmente depois da publicação destes artigos. 

‘Riovale Jornal’ – As críticas em relação à saúde são feitas pela falta de informação e pela população não ter uma real visão do sistema como um todo?

Renice Coimbra – Acredito que seja sim uma falta de informação ou exatamente de vivência de uma situação necessária como a que foi citada na série de artigos. Então é aquela história ‘quem conta com um conto aumenta um pouco’. E isso vai gerando às vezes uma conversa que não é real. Estamos buscando fazer uma gestão da saúde com qualidade, resolutividade, eficiência e com menos custo. O menos custo é pelo seguinte, por exemplo, se o paciente fosse na Unidade Básica de Saúde (UBS) consultasse e não conseguisse fazer os exames e nem ir para a etapa seguinte, ele teria que retornar para uma nova consulta, novos exames. Então quando fizemos o projeto para fazer este tipo de serviço, pensamos essa sistemática para não deixar o paciente parado, tirar de uma fila e colocar na outra. Ainda não conseguimos fazer isso em todas as áreas, mas nas áreas que conseguimos, fizemos consulta, exames, faz o procedimento e o paciente sai da lista de espera. Porque se eu não tirar aquele paciente da fila, vou ter sempre aquele gargalo. Então a gente tem que trabalhar abrindo todos os gargalos de todas as especialidades. 

Tentamos em todas as áreas trabalhar dessa forma, com resolutividade. Tentamos também fazer com que o sistema seja mais aberto para finalizar os tratamentos, mas nisso também temos que escolher prioridades avaliando o que é mais necessário, o que precisa mais, o que impacta mais, o que teria um prejuízo maior para o usuário. Porque eu não posso atender uma gama enorme de situações que muitas vezes são de uma área que não é tão necessária e não é urgente. Se o paciente tem uma hérnia, é feito o diagnóstico, opera. Para que ela não aumente, para que não encarcere e não tenha uma complicação. E assim é em outros casos, onde a gente está conseguindo compor toda a rede desta forma, a gente está compondo. Claro que, hoje ainda não conseguimos compor uma rede de traumatologia assim. Porque os acidentes, todos os dias nós temos um ou dois, então entra muita gente na urgência e ainda não conseguimos dar conta dessa demanda, mas já estamos trabalhando para isso. Estamos reduzindo as filas, mesmo assim. Ano passado não tínhamos conseguido mexer na fila de urologia, mas este ano vamos mexer. Porque agora vieram outros profissionais que aceitaram trabalhar dessa forma. Inclusive o município coloca um diferencial financeiro no Hospital Ana Nery justamente para fazer um procedimento como o citado na série de artigos. Esse é um valor que é um recurso municipal que agregamos no Ana Nery para fazer toda essa finalização de procedimentos. Sai da rede básica e vai para lá. 

‘Riovale Jornal’ – O setor de Oncologia do Hospital Ana Nery chama a atenção. A grande quantidade de pessoas procurando os atendimentos médicos que não são aqueles para despachar logo. Os médicos param, sentam e explicam tudo com muita calma. Como funciona essa parte da Oncologia no sistema público?

Renice Coimbra – Na Oncologia somos uma referência. Não é só para Santa Cruz. É toda a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), parte da 2ª CRS que é da região carbonífera e ainda temos de Cachoeira do Sul que a radioterapia vem para cá. Então é uma gama muito grande de pacientes que estão aqui. A oncologia funciona com um sistema diferente, que é o Sistema Nacional de Regulação (Sisreg). Para que todas as regiões consigam se incluir nessa agenda e aí os pacientes são chamados e vem para atendimento em Santa Cruz do Sul. 

Estamos acertando também muitas coisas com o Hospital Santa Cruz (HSC), porque procuramos dar vazão, principalmente porque ele é a referência em traumatologia. Mas a longa espera na traumatologia não é nem culpa do HSC nem culpa da Secretaria, o problema é que avoluma muito com os acidentes e como as pessoas agora estão vivendo mais também, os problemas de artrose, de quadril, de joelho, que são cirurgias de alta complexidade e tem uma demanda muito grande acabam ficando para depois. E nessa alta complexidade nós temos duas regiões para atender, toda a população da 13ª CRS como também a da 8ª CRS, então temos que dividir os procedimentos. Aí por isso que temos uma fila. 

‘Riovale Jornal’ – Com a chegada do inverno aumenta o número de procura tanto de crianças quanto de pessoas mais idosas, por problemas respiratórios entre outros. As Unidades Básicas de Saúde estão preparadas para esse aumento de demanda? 

Renice Coimbra – Estão. Só que vamos fazer esses atendimentos especialmente no Centro de Atendimento Materno Infantil (Cemai) que atende as crianças 24 horas, tem a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que sempre tem dois médicos e que não pode ser subutilizada. Precisamos manter uma utilização maior na UPA até para ter os recursos do Ministério da Saúde e também do Estado, senão podemos perdê-los, então a gente precisa que a demanda seja mais canalizada principalmente pra UPA. E daí ainda mantemos o Hospitalzinho. 

‘Riovale Jornal’ – Seria uma questão de informação para que as pessoas não saiam do bairro e vão até o Pronto Atendimento no HSC e sim que utilizem as Unidades Básicas de Saúde?

Renice Coimbra – Eu diria que é um mal nacional. Porque cada pessoa tem uma forma de ver a sua doença. Algumas tratam em casa, outras procuram a Atenção Básica, mas sempre vamos ter aqueles que só confiam no atendimento dos hospitais. Então isso faz com que a demanda do Hospital se torne muito grande e a dos postos pequena. Mas isso é a população que pensa assim, ela vê a doença dela sempre como muito grave e que sempre tem que ser socorrida no Hospital. E aí vai demorar o atendimento porque tem lá a classificação de risco, então quem é classificado como azul que é o paciente que não tem urgência e poderia ser atendido na Atenção Básica, vai ficar por último. E aí os vermelhos, os laranjas, os amarelos e os verdes vão passar na frente, porque o azul não tem gravidade nenhuma. E esse paciente se sente ofendido porque ele não foi atendido antes, mas a gravidade dele é que manda a ordem do atendimento. E provavelmente esse azul é o que fala mal, porque quem está com uma urgência é atendido de imediato, e o azul acaba tendo que esperar mais tempo. 

‘Riovale Jornal’ – Devemos pensar o problema da saúde globalmente, mas agir localmente. O problema da saúde existe? Existe. Mas vamos resolver o nosso problema aqui. A senhora concorda com essa afirmação?

Renice Coimbra – Sim. A gente procura fazer de tudo aqui para que a população de Santa Cruz permaneça com atendimento de qualidade. Aí temos as referências para atender, só não queremos que o que não está referenciado aqui acabe vindo e tirando lugar da nossa população. Os nossos pacientes ficam aqui para a maioria das situações. Temos referências para encaminhar nossos pacientes para outras cidades. Mas o máximo que podemos, buscamos resolver aqui. Para não realizar o deslocamento, porque é mais confortável para a pessoa, é menos custo para nós também e o desgaste da pessoa também é evitado. 

‘Riovale Jornal’ – Como funciona a parceria entre município, Estado e Governo Federal?

Renice Coimbra – Essa parceria hoje existe, porém está complicada pela falta de recursos dos outros entes. O Ministério da Saúde não está mais habilitando e disponibilizando praticamente nada, agora parece que vão começar a abrir alguma coisa, então ficamos de olho para ver se conseguimos alguma coisa. O Estado não tem dinheiro nenhum para repassar, se ele colocar algum dinheiro em um setor é porque ele tirou de outro. E o que o município pode destinar, está destinando. O prefeito sempre vê a saúde como prioridade, continua sendo prioridade, apesar de que agora ele está fazendo mais coisas na educação. Porque no primeiro mandato ele organizou a saúde e agora pretende manter o que já foi feito, mas também quer abraçar um pouco a educação. Mas nunca descuidando da área da saúde. A gente vê que ele tem como prioridade. Muitos dos atendimentos têm sido feitos com recursos próprios do município. Mas aí é uma composição de serviços. Usa-se recurso do município sim para fazer o conjunto de ações, mas para a Atenção Básica, por exemplo, o município destina um valor e outro vem de recurso federal também. Todas as áreas têm recurso federal. Do estado é pouca coisa, tem a porta de entrada no HSC e outros programas, mas não é muito. Basicamente o maior valor é dos recursos federais.

‘Riovale Jornal’ – Como a Secretaria tem trabalhado?

Renice Coimbra  Estamos negociando os contratos com hospitais. Estamos avaliando para fazer uma mudança nas opções de atendimentos. Procuramos trabalhar para dar a integralidade da atenção. Trabalhamos em rede, a atenção básica tem que estar integrada sempre.

 


 

 

Palavra do diretor

“O principal objetivo do Hospital Ana Nery é oferecer um atendimento qualificado e humanizado à comunidade. Indiferente se é um paciente SUS ou convênio, nossa missão enquanto instituição será sempre a mesma: atender bem a população.

Para tanto, trabalhamos de forma integrada com os órgãos municipais e em especial com a Secretaria de Saúde dos municípios abrangidos e buscamos atender de forma ágil a todas as demandas”. (Gilberto Gobbi, diretor executivo do Hospital Ana Nery)