Ataídes de Souza
João Manuel e os troféus conquistados pelo Boca Juniors na Copa Cidade ano passado
Um homem batizado com o nome de João Manuel da Silva, como outros tantos milhares de brasileiros, 43 anos, casado, pai de três filhos, apaixonado por futebol, assim como milhões de pessoas país afora. Um batalhador pelo futebol amador em Santa Cruz do Sul, um dirigente de time de futebol amador. Até aqui nada de extraordinário. O que chama a atenção é que João da Silva para poder se dedicar ao Boca Juniors, time do seu coração, do bairro onde mora, o Santa Vitória, precisa superar as dificuldades, os obstáculos e desafios de ser um líder comunitário e esportivo sentado sobre uma cadeira de rodas.
São pessoas como João, que se doam, que enfrentam as mais diferentes dificuldades, que fazem acontecer os campeonatos de futebol amador, no caso a Copa Cidade, desenvolvida pela Associação de Futebol Amador de Santa Cruz do Sul (Afasc). Essas pessoas literalmente colocam os times em campo e fazem jogar, dar espetáculo.
João conta que aos 14 anos começou a sua relação com o futebol amador no bairro, ele via o trabalho de outras pessoas, especialmente de um líder comunitário, conhecido pelo apelido de Aranha, que era presidente de um time de futebol 7. João queria também ser como aqueles homens, mas ao mesmo tempo fazer diferente, inovar, para que as crianças e jovens também tivessem benefícios do time. Ele tinha o sonho de ser presidente de um clube de futebol.
Quando começou o Campeonato Citadino, o Boa Esperança foi inscrito no campeonato para representar o bairro. Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais difícil para o clube manter o seu funcionamento, inclusive alguns dirigentes chegaram a cogitar o fechamento das portas. “Eu cheguei em casa e falei que não deixaria o time morrer. Alguns amigos me perguntavam o que eu queria com um time de futebol, isso não me traria nada. Mas eu pensava nas crianças, que necessitavam de uma ocupação.”
Períodos difíceis
João assumiu a presidência do Boa Esperança, “não foi fácil, enfrentei períodos difíceis, teve um ano que ficamos sem patrocínio, aí eu falei para os jogadores que precisava encerrar as atividades, pois não tinha mais dinheiro”. O dirigente fala que os atletas se uniram, em um grupo de 30 pessoas, todos moradores do bairro e lhe fizeram a proposta: se ele mantivesse o time funcionando, eles jogariam de graça e cada um ainda pagaria uma mensalidade para ajudar a custear as despesas. “Foi um dos momentos mais emocionantes e bonitos da minha vida”.
Em 2003 aconteceu o episódio mais triste da vida de João Manuel, foi num domingo, justamente durante uma partida de futebol de veteranos, quando um outro jogador caiu sobre suas costas. João fraturou a coluna, o que fez com que ficasse paraplégico.
Ele conta que por vários anos o Boa Esperança ficou inativo. Em 2012, o José de Abreu, atual tesoureiro da Afasc, apresentou a João a ideia da Copa Cidade. João ficou honrado, mas também preocupado, porque ele estava há 10 anos sem sair de casa praticamente, em uma cadeira de rodas, sem contato com o futebol. Mas os jogadores falaram que só entrariam em campo se ele fosse o dirigente. “Eu fui o primeiro a inscrever um time, botei o nome de Boca Juniors”.
“O meu grande sonho é ter um campo próprio, uma quadra de esportes para manter a escolinha, enquanto eu for vivo vou lutar por isso. É uma forma de tirar as crianças e jovens das ruas e mantê-los afastados das drogas”.
Copa Cidade tem quatro jogos no final de semana
Hoje, dia 15, e amanhã acontecem quatro jogos da Copa Cidade no estádio da Timbaúva, no Arroio Grande. Hoje, a partir das 13h30min., jogam Senai versus Faxinal. Logo após, se enfrentam Boca Juniors e Industrial. Já amanhã, domingo, às 13h30min, ocorre o confronto entre São João e Flamengo. Depois, às 15h30min., entram em campo Esmeralda e Belvedere.














