Início Esportes Parreira: recordista em Copas do Mundo

Parreira: recordista em Copas do Mundo

Ricardo Ribeiro/Vipcomm

Carlos Alberto Parreira coordena a Seleção na Copa

O carioca Carlos Alberto Parreira era um jovem – como milhões e brasileiros – apaixonado por futebol. Foi jogador em times amadores do Rio de Janeiro, sem saber ao certo, como todo adolescente, o rumo que tomaria na vida. Um dia, em uma sessão de cinema, veio a premonição.
Nos anos 1960, quando o futebol era transmitido predominantemente pelas emissoras de rádio, e em que as imagens eram raras, assistir aos lances de jogos no Canal 100, exibidos antes do filme, ganhavam proporções épicas na tela grande e se transformavam em momentos de magia para quem amava o futebol.
Foi em uma sessão de cinema, portanto,que Parreira descobriu o que queria na vida – mais exatamente ao ver na tela cenas de exercícios da Seleção Brasileira bicampeã do mundo, sob o comando do preparador físico Paulo Amaral, uma espécie de precursor na função.
“Vi o Paulo Amaral dando os exercícios e pensei na hora: ‘Quero ser aquilo ali, é isso que eu vou ser na vida’.”
Parreira não ficou só na vontade. Correu atrás do seu sonho. Com muita persistência, conseguiu realizá-lo. Foi além. Foi estudar futebol na Alemanha – antes fora técnico da seleção de Gana, em uma missão diplomática do Itamaraty – até que um reencontro providencial começou a mudar a sua vida.
“Eu fazia parte da delegação da Associação de Futebol da Alemanha e estava em Stuttgart, em amistoso Alemanha x Brasil. Foi quando o Chirol, que era o preparador físico da Seleção Brasileira, e tinha sido meu professor na Escola de Educação Física, me viu e perguntou:
– Carlinhos, o que você está fazendo aqui?”
Depois da rápida conversa, “Carlinhos” estava convidado para fazer parte da comissão técnica da Seleção Brasileira que encantou o mundo e conquistou o tricampeonato. Estava também dada a partida que iria alavancar a sua trajetória profissional.
“A preparação para a Copa de 1970, aquele time espetacular, deixou lições que até hoje devem ser levadas em conta.”

SALTO NA CARREIRA

O preparador físico Parreira continuou no ofício da preparação física da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974. Chegara a hora de dar um salto na carreira, o momento de virar treinador – afinal estudara muito para tal e se sentia mais do que preparado.
Chegou também a hora da sua primeira Copa do Mundo, a de 1982, como técnico do Kuwait. Em 1990, na Itália, foi técnico dos Emirados Árabes. Estava mais do que na hora da Seleção Brasileira. A Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, chegou no momento exato para quem amadurecera o suficiente para encarar o desafio de devolver ao país do futebol um título que há 20 anos teimava em não vir.
A campanha do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos, foi o seu grande momento. Parreira armou um time quase impossível de ser batido, pela maneira disciplinada com que jogava taticamente, e bem organizado o suficiente para ser muito ofensivo quando tinha a posse da bola.
Uma Seleção Brasileira até hoje contestada pelos críticos, em análise considerada por ele totalmente equivocada.
“A Seleção Brasileira do tetra jogou um futebol ‘à brasileira’. Um time armado em linha de quatro, marcando por zona, bem organizado com a bola e, tendo a sua posse, extremamente ofensivo, além de contar com o talento de dois jogadores que poderiam decidir na frente. Parece que até hoje as pessoas não entenderam como aquele time era bom.”
Parreira segue na sua análise sobre o Brasil tetracampeão do mundo.
“A Seleção Brasileira de 1994 provou que é possível um time com o talento natural do jogador brasileiro ser também disciplinado e organizado taticamente. Por isso, conquistou o tetra e devolveu ao torcedor brasileiro a alegria de comemorar um título que não vinha há 20 anos. Foi sem dúvida a minha maior alegria no futebol, por tudo o que cercou aquela campanha, pela cobrança e pressão exageradas que aconteceram…”
Mas seguiram a vida e a carreira. Depois das Copas do Mundo de 1998, como técnico da Arábia Saudita; a de 2002, como observador técnico da Fifa; a de 2006, como técnico do Brasil; e a de 2010, como técnico da África do Sul, Parreira tem pela frente outro grande objetivo: na sua 10ª Copa do Mundo, carimbar a credencial com o hexacampeonato mundial. (Fonte: CBF)