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A despedida do 'General' Bolívar

Capitão do Internacional em 2010, santa-cruzense levantou a taça do bi da Libertadores

VAGNER CERENTINI
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Poucos jogadores de futebol têm em seu currículo tantos títulos como Fabian Guedes, mais conhecido como Bolívar. O ex-zagueiro de 35 anos, natural aqui de Santa Cruz do Sul, foi campeão da Copa Sul-Americana, da Recopa e bicampeão da Libertadores pelo Internacional, fora outros títulos como Gauchão e o Campeonato Carioca, que venceu jogando pelo Botafogo. 

Ídolo para muitos colorados, o ex-jogador conta como foi a decisão de encerrar a carreira, quais suas melhores lembranças no futebol, e também, quais são seus objetivos a partir de agora. Confira na entrevista:

 

Riovale Jornal – Como foi a decisão de encerrar a carreira?
Bolívar – Nos dois últimos anos tive muitos problemas relacionados a salário. Eu sempre fui um cara muito rígido, e isso foi um fator que fez com que eu encerrasse minha carreira. O Botafogo e a Portuguesa foram os clubes que joguei antes de encerrar minha carreira e em ambos tive problemas relacionados a salário.

RJ – Como você avalia suas passagens pelo Internacional, onde conquistou dois títulos da Libertadores? Você se considera um torcedor do clube?
Bolívar – A história que escrevi pelo Internacional foi muito bonita e poucos conseguiram. Foram 11 títulos onde eu pude levantar a taça da Libertadores sendo capitão da equipe na época. Fiquei muito marcado no colorado, tenho meus melhores amigos lá dentro, tenho muito carinho pelo clube e vou torcer por ele eternamente. 

RJ – Como você vê o Inter antes e depois desses títulos? O que mudou para o clube?
Bolívar – Depois das conquistas internacionais, o time tomou uma proporção muito grande, ficou conhecido como o “campeão de tudo” e apareceu diversas vezes na mídia. A cobrança também aumentou, principalmente por parte da torcida, que viu o Inter levantar diversas taças durante os anos de 2006 a 2011, ano em que fomos campeões da Recopa Sul-Americana e o clube venceu o último título internacional. O torcedor ficou mal acostumado e mais exigente, e agora o Inter precisa novamente buscar uma taça de maior relevância.
 
RJ – Você teve uma boa passagem pelo Botafogo. Foi campeão carioca e ajudou a levar o time à Libertadores depois de muito tempo. Como foi essa experiência?
Bolívar – O primeiro ano foi maravilhoso, fizemos uma campanha brilhante e terminamos o Campeonato Brasileiro em 4º lugar. Conseguimos fazer com que o Botafogo participasse de uma Libertadores depois de 17 anos sem se classificar para a competição. No geral, foi uma experiência muito boa, tive uma identificação com o clube, foi uma pena os problemas financeiros que tive quando deixei a equipe, mas também foi a única mancha que me lembro do tempo em que joguei pelo time carioca. 

Ex-jogador encerrou sua carreira em 2015 e agora pretende seguir no ramo de assessoria de atletas

RJ – No início da carreira, em 2002, conquistou um título estadual pelo Guarani de Venâncio Aires. Quais as lembranças dessa época?
Bolívar – São muito boas, todos nós sabemos a dificuldade que os clubes do interior enfrentam. No primeiro turno ficamos na zona do rebaixamento e no segundo fomos campeões. Foi nesta época que me destaquei e então fui para o Internacional. 

RJ – Qual será sua atividade a partir de agora dentro do futebol?
Bolívar – Já tenho um escritório responsável por fazer assessoria de atletas. Ele fica em Porto Alegre e se chama General Esportes. Com ele quero dar oportunidade a jovens de diversas regiões, buscar talentos, principalmente no interior. 

RJ – Muitos jogadores após o fim da carreira tornam-se técnicos. Você cogitou essa possibilidade?
Bolívar – Cheguei a pensar, mas aí teria que retomar a mesma rotina de quando era jogador, com viagens e compromissos. Pensei em meus filhos e minha família e optei por seguir no ramo empresarial, assim continuo trabalhando com o que gosto e ainda tenho tempo para meus familiares.

RJ – Você pretende investir no futebol em Santa Cruz de alguma forma? Por exemplo, nas categorias de base?
Bolívar – Já tenho algum projeto, mas ainda preciso desenvolver mais, com certeza quero poder ajudar Santa Cruz de alguma forma, mas ainda não tenho nada concreto.