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A força do basquete

Marcelo Denizar - terceiro da esq. para dir. em pé - jogou na equipe campeã municipal de 2016

 

Nelson Treglia
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A conquista do título brasileiro de basquete pelo Corinthians completou 22 anos em 2016. Vinte anos atrás, em 1996, o Tricolor era vice-campeão nacional. Em 2017, serão completadas duas décadas do vice-campeonato conquistado em 1997. A partir daí, o basquete adulto de Santa Cruz não brilhou mais como fazia até então. Atualmente, a cidade não conta com uma equipe adulta sequer em campeonatos estaduais. Então, qual é o cenário atual desse esporte em Santa Cruz? Se não há time adulto, é possível dizer que a prática do basquete ainda está inserida na cultura local. A modalidade ainda é muito forte na cidade, seja nas categorias de base, na Liga Municipal e no basquete máster.
Para falar sobre o cenário do basquete santa-cruzense, o ‘Riovale’ entrevista um dos entusiastas desse esporte: Marcelo “Denizar” Martin, que pratica a modalidade há três décadas. Confira!

Riovale Jornal – “Denizar”, você é uma pessoa que está inserida no mundo do basquete. Qual a avaliação, em termos gerais, que você faz do basquete santa-cruzense na atualidade?
Marcelo “Denizar” Martin –
O quadro de nosso basquete local é o mesmo de muitos anos. Categoria de base forte, campeonato municipal forte, mas sem estrutura e aporte financeiro para montagem de uma equipe adulta competitiva.

RJ – Uns dias atrás, você me falou que as categorias de base em Santa Cruz tiveram um bom desempenho em 2016. Como foi esse desempenho e quais os motivos dessa performance?
Marcelo –
As categorias de base sempre obtêm resultados positivos para o município. O trabalho é bem feito com profissionais capacitados na teoria e que já viveram a realidade do basquete dentro da quadra como atletas. O Projeto Cestinha todo ano apresenta 10 a 15 novos garotos dominando os fundamentos básicos do basquete. Destes 15, a metade ou mais segue jogando basquete nas escolas ou em clubes trazendo todos os anos títulos para as categorias de base da cidade. O material humano para se fazer basquete na cidade é vasto, o que falta é uma continuidade através de uma equipe adulta. Santa Cruz é a única cidade do estado que pode montar uma equipe adulta competitiva com uma base de atletas locais.
A prova disso é nossa Liga Municipal que este ano chegou na sua 18ª edição. Foram oito equipes disputando o torneio com 5 ou 6 com reais chances de vencer o campeonato. Isso significa mais ou menos 90 atletas em atividade. Atletas jovens vindo da base adquirindo experiência dividindo a quadra com jogadores experientes em partidas disputadas e de bom nível técnico.

RJ – Sempre há o questionamento sobre o basquete adulto. É possível que, em curto prazo de tempo, voltemos a ter uma equipe em Campeonato Estadual? O que é preciso fazer para alcançar essa meta?
Marcelo –
Talvez essa mescla seja o primeiro passo para o retorno do basquete adulto aqui em Santa Cruz. Não adianta acharmos que de um ano para outro voltaremos a ter super times por aqui e participaremos da Liga Nacional novamente. Recentemente duas equipes da região adotaram esta fórmula e tiveram sucesso. Em 2013, o Cosseno foi semifinalista e, em 2014 e 2016, o Guarani de Venâncio foi finalista do Campeonato Gaúcho de Basquete. As duas equipes comandadas pelo competentíssimo Athos Calderaro tinham praticamente em sua totalidade atletas da cidade, misturando jovens e experientes jogadores. O que falta é continuidade. Deixar o Athos montar a equipe e comissão técnica e saber que vai poder trabalhar por 3, 4, 5 anos sem cobrança de resultados. Certamente neste período um título estadual adulto virá, e consequentemente o apoio financeiro irá aumentar. Na minha opinião essa é a fórmula: Athos de técnico, 9 a 10 atletas locais, a maioria jovem, e 2 ou 3 atletas de fora para suprirem nossa principal carência, jogadores grandes para posição 5, pivô.  Acredito que a fusão do União/Corinthians é positiva para o fortalecimento do nosso basquete novamente. Existe uma união de forças para que o basquete local cresça novamente e o atual diretor de Basquete do clube, o Paulinho Ferreira, é um cara que esteve muito tempo dentro da quadra e sabe tudo de basquete, e juntamente com o Athos Calderaro e todo mundo que está ajudando, tenho certeza que em um curto espaço de tempo voltaremos a ter basquete forte por aqui. Nunca estivemos tão perto.

RJ – O União/Corinthians lançou uma semente que é o basquete feminino em categorias de base, inclusive com a conquista de um título estadual em 2016. O que você acha deste trabalho?
Marcelo –
Não estou muito por dentro do basquete feminino, mas sei que o Reginaldo Soares (técnico das equipes femininas do clube) é um cara super competente que milita há muitos ano no basquete e tem total conhecimento sobre o assunto.

RJ – Marcelo, conte-nos um pouco da sua trajetória no basquete e as atividades que você realiza atualmente dentro da modalidade.
Marcelo –
Eu jogo basquete desde os meus 12 anos, ou seja 30 anos… Dos 12 aos 19 anos conquistamos 7 títulos estaduais pela categoria de base do Corinthians. Quando chegamos no adulto era o período das super equipes do Corinthians e o espaço ficou restrito para nós. Fui estudar e morar em Porto Alegre e lá joguei dois anos na Ginástica de Novo Hamburgo. Depois joguei na equipe adulta do Colégio Mauá, onde em 1996 tivemos o prazer de enfrentar a Pony/Corinthians na final do Estadual. Esta é a única vez em que duas equipes de Santa Cruz fizeram a final do Campeonato Gaúcho. Sempre dividindo o basquete com minhas atividades, joguei campeonatos gaúchos por várias equipes: Sagrado, Abasc, Ceat/Bira, Corinthians/Unisc, Kopp/Vera Cruz, FC Santa Cruz, Kopp/Santa Cruz, Cosseno e por último o Guarani de Venâncio Aires em 2014. Atualmente temos uma equipe máster em Santa Cruz que disputa várias competições. Mês passado estivemos em João Pessoa (PB) e conquistamos o vice-campeonato brasileiro na categoria 40+. Fora da quadra luto ativamente pelo basquete local, mas atualmente por compromissos profissionais não estou na linha de frente do projeto.

 

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