Guilherme Athayde
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Após jogar a Divisão de Acesso do Gauchão em 2016 pelo Futebol Clube Santa Cruz, o zagueiro Daniel Navarro partiu rumo aos Estados Unidos da América. Para o atleta, nenhuma novidade, já que o jogador, filho de pais brasileiros e que completa 26 anos hoje, 22 de agosto, nasceu em Michigan, estado americano localizado na região norte-nordeste do país.
Após finalizada a temporada deste ano, onde o Miami United FC, time pelo qual Navarro atuou, conquistou o vice-campeonato da Conferência Sunshine da National Premier Soccer League (NPSL), uma espécie de divisão inferior da Major Soccer League (MLS), principal liga de futebol dos Estados Unidos, o atleta retornou para Curitiba, onde mora com sua família.
Aguardando oportunidades para a temporada 2018, onde espera um possível contato do seu clube nos EUA para retornar a Miami, o zagueiro não descarta um retorno ao Estádio dos Plátanos para ajudar o Galo em seu plano de retornar à elite do futebol gaúcho.
ENTREVISTA
Daniel Navarro, zagueiro do Miami United FC
RIOVALE – Como você iniciou sua carreira?
NAVARRO – Sempre amei jogar futebol, e dessa paixão veio o sonho de ganhar a vida com isso. Passei pelo processo natural de escolinha e categoria de base, até chegar ao profissional. Joguei duas temporadas nos EUA, uma pelo Fort Lauderdale Strikers (time do Ronaldo), e outra pelo Miami United FC. No Brasil, tive minha formação no Avaí-SC e no J.Malucelli-PR, e profissionalmente atuei no Cascavel-PR, Toledo-PR, São José-RS, Santo André-SP, Dom Bosco-MT, São Paulo-RS e Santa Cruz-RS.

RIOVALE – Qual a diferença do futebol norte-americano para o futebol brasileiro? Qual a possibilidade de seu clube jogar a MLS?
NAVARRO – Eu noto que o futebol norte americano é um pouco mais verticalizado, mais agudo comparado ao brasileiro. Porém eu não vejo nem um, nem outro, com alguma característica tão específica. Diante disso, eu não compartilho muito da ideia de rotular o estilo do futebol, pela região ou país. Na minha opinião, o que mais define o estilo de jogo de um time, são as características do treinador e dos jogadores, ou as circunstâncias de uma partida. O que separa o Miami United da MLS são alguns milhões de dólares. Nos EUA as ligas são distintas e independentes, não existe acesso e decesso. E uma das principais condições para um clube entrar na MLS é o dinheiro.
RIOVALE – Como é sua vida nos EUA?
NAVARRO – Viver nos EUA é muito bom, as coisas são mais acessíveis, é mais seguro, a Flórida tem praias muito boas e lugares lindos. Fico longe da família. Eu, assim como a maioria dos jogadores, não tenho a estabilidade que gostaria. Porém, fazemos esforços para nos vermos sempre que possível.
RIOVALE – Como é a rotina de treinos nos EUA?
NAVARRO – Costuma-se treinar apenas uma vez ao dia. A grande e melhor diferença é que quase não se treina bola parada, defensiva, principalmente. Claro que é importante treinar, a batida na bola, o cabeceio, o posicionamento e as situações de confronto dentro da área para que você fique ambientalizado na hora do jogo, mas não de forma exaustiva como muitos treinadores fazem no Brasil. Porque não tem segredo, na marcação individual, é cada um “colar” no seu adversário até o final, na mista, é cada um atacar a bola no seu setor e ter atenção. Mais de 80 cruzamentos defensivos na véspera da partida não vão te deixar mais preparado para não tomar gol nesse tipo de lance.
RIOVALE – Fale um pouco do seu time, o Miami United FC.
NAVARRO – O Miami United é um time novo, com pessoas dispostas em fazer o clube crescer. O principal objetivo, a princípio, era o título da conferência, mas nós terminamos em segundo lugar. Para os objetivos do clube isso não foi bom, mas individualmente eu analiso minha temporada de maneira muito positiva, tive números excelentes, com gols e outras grandes marcas pessoais. Acredito que deixei uma porta aberta, mas não posso dizer se vou voltar, daqui para o ano que vem pode acontecer muita coisa. A minha relação com o grupo era muito boa. Vejo o comprometimento e a humildade como fatores fundamentais para que isso aconteça dentro de um elenco.
RIOVALE – Jogar nos EUA é melhor financeiramente?
NAVARRO – Isso varia muito conforme cada jogador, e o momento dele. Mas posso afirmar que jogar nos EUA te proporciona viver bem. O nível é bom, cresce a cada ano e é sempre muito competitivo.
RIOVALE – Como você avalia sua passagem pelo Santa Cruz? Existe a possibilidade de retornar?
NAVARRO – Foi positiva, eu sei que, principalmente, com oportunidade e sequência, eu posso render bem, e no Galo eu tive isso. Mesmo tendo brigado na parte de baixo da tabela, quem nos acompanhou pôde comprovar que na grande maioria dos jogos, jogamos igual ou melhor que os adversários, mas “a bola batia na trave e saía”. Existe (a possibilidade de retornar), o Santa Cruz é rodeado de pessoas muito boas que eu respeito e admiro muito. Sou 100% livre, não tenho vínculo com nada, nem ninguém. Sendo bom para ambas as partes, é possível sim.














