Início Geral Produtores preservam e são gratificados

Produtores preservam e são gratificados

Everson Boeck
[email protected]

Com o objetivo de promover a proteção das nascentes e mananciais na sub-bacia do Arroio Andréas, em Vera Cruz, desde 2011 a Universal Leaf Tabacos em parceria com a Fundación Altadis, entidade ligada à Imperial Tobacco, gratifica produtores que destinam uma parte de sua propriedade à preservação da água. A entrega Certificados de Participação no Protetor das Águas aos 52 produtores que atualmente participam da iniciativa aconteceu na última quarta-feira, 27 de novembro, no salão da Comunidade Santa Tereza, em Vera Cruz.
O Protetor das Águas se caracterizapela difusão do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A terceira parcela do pagamento, realizada este ano, repassou R$ 65 mil aos produtores. Estão previstos mais dois pagamentos até o final do projeto, que tem ações programadas até 2015.

Fotos Rolf Steinhaus

Evento aconteceu na última quarta-feira, 27 de novembro,
no salão da Comunidade Santa Tereza, em Vera Cruz

Pagamento para preservar

A entrega dos certificados demonstra o cumprimento das atividades previstas no plano de ação negociado entre equipe técnica e produtores no início do projeto e os habilita a receberem seus respectivos PSA. Os valores de cada produtor foram depositados nas contas bancárias. Os valores são pagos a cada produtor conforme o tamanho da área de proteção ambiental.

Análise dos resultados

Cesar Bünecker, presidente da Universal Leaf Tabacos, afirma que é importante promover ações que fomentem a conscientização da proteção ao meio ambiente, especialmente à água. “Em seu terceiro ano, o projeto vem de encontro a esses ideais e está criando este hábito nas pessoas. Falar em preservação faz parte da rotina, principalmente nas escolas. O Protetor das Águas é uma realidade e em um curto espaço de tempo os resultados serão vistos e sentidos. Só assim poderemos garantir qualidade de vida às futuras gerações”, observa.
Segundo Bünecker, 90% da água do Arroio Andréas está contemplado pelo projeto. “Este é um dos avanços obtidos nestes três anos. Esta abrangência foi possível porque houve um trabalho de divulgação e conscientização com a comunidade e uma adesão significativa de agricultores ao projeto”, informa. O presidente destacou o aumento do número de produtores participando na iniciativa. “Começamos com 26 produtores e hoje temos 52. Quase o dobro. É uma conquista”, acrescenta.
O professor DioneiDelevati, coordenador técnico do projeto e pesquisador da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), garante que mais os produtores estão totalmente inseridos na iniciativa. “Eles respeitam as normas e seguem as nossas orientações, com isso podemos dizer que, atualmente,o projeto está em um momento de consolidação e êxito, isto é, ele está cumprindo àquilo que se propôs. A comunidade entende sua importância e demonstra total apoio e incentivo”, conclui.

Resultados reais

O produtor Wilson Moeler participa do Protetor das Águas desde o primeiro ano. Ele conta que já possuía uma parte de sua propriedade preservada, mas, com o projeto, ampliou o espaço. “Eu, assim como outros conhecidos, não sabíamos que era possível receber para preservar. Estou pensando em aumentar esta área”, revela.
A gerente geral da Fundación, Ines Cassin, frisa que, desde o lançamento do projeto em maio de 2011, os resultados foram positivos. “Todas as pessoas da Imperial Tobacco que conheceram o projeto ficaram encantadas porque já viram resultados reais”, salienta. Ela lembrou, quando esteve em Vera Cruz para o lançamento do projeto, de ações como a adesão dos produtores, o cercamento das áreas e o monitoramento da qualidade da água. “E agora temos a educação dos jovens, com o Espaço Ambiental na Escola José Bonifácio, que vai servir ao estudo da água e vegetação. Espero que os próximos dois anos sejam tão promissões como estes e haja a efetiva qualidade dos recursos hídricos”, acrescenta.

Os valores pagos

Os valores dos repasses foram definidos com base no conceito de “Custo de oportunidade gerado pela não utilização da terra”. O estudo levou em conta as principais culturas e a renda bruta média de cada uma, estipulando uma margem líquida de 20%. Considerando os valores médios de R$ 10.000,00/ha para o tabaco, R$ 1.500,00/ha para o milho e R$ 2.250,00/ha para o arroz, foi estimado o custo de oportunidade, obtendo R$ 2.000,00/ha para as áreas aptas ou com potencial para o cultivo de tabaco, R$ 300,00/ha para o cultivo de milho e R$ 450,00/ha para as áreas de cultivo de arroz. Como o custo de preservação das áreas com potencial para o tabaco seria muito elevado, inviabilizando o projeto, foi calculado o custo de oportunidade com base no cultivo de milho e de arroz. O valor estabelecido foi de R$ 325,00 por hectare destinado à preservação, pagos por cinco anos em parcelas anuais. Além disso, o Comitê Gestor do projeto optou por estipular o valor de R$ 200,00 por ano pela adesão (independente da área preservada).


Durante a solenidade, os 52 produtores que participam da
iniciativa receberam certificado


Cesar Bünecker, presidente da Universal Leaf Tabacos: “Projeto é uma realidade”