Diego Dettenborn – [email protected]
Um dos nomes mais promissores da nova geração de artistas de Santa Cruz do Sul. A frase resume, sem deixar sombra de dúvidas, a forma de trabalho e a diversidade cultural do santa-cruzense Rodrigo de Almeida, 24 anos. Apesar da pouca idade, o jovem dançarino e artista plástico é atualmente referência quando o assunto é dança de rua e grafitti. A dedicação a arte o rendeu através da dança dois prêmios e uma bolsa de estudos em Boston, nos Estados Unidos no próximo ano. Admirador da cultura urbana e responsável por projetos sociais na cidade, ele faz da arte uma filosofia de vida.
Ainda quando criança, por volta dos 6 anos, Digo Almeida, como é conhecido por alunos e amigos, descobriu com o papel e alguns lápis de cor na mão, que o mundo poderia ser um pouco mais colorido do que imaginava. A questão ainda vai um pouco além, vem de berço. Com o avô e a mãe artistas plásticos, ele logo esbanjou talento para pintar. “Eu ia no curso de pintura junto com a minha mãe e observava as tintas, os pincéis tudo que tinha lá aí comecei a desenvolver desenhos, fui desenhando e aperfeiçoando”, conta o artista.
Foi com sete anos de idade que uma doença atravessou a vida do menino que gostava de pintar. Ao contrário do que se pode imaginar a meningite serviu como um divisor de águas positivo e evidenciou o talento precoce naquele exato momento. Internado em um hospital por mais de trinta dias, ele viu no desenho a saída para a monotonia. “Tinha folha, canetinha, lápis de cor e esse era o meu passatempo lá. Foi ali que tudo começou. Sempre mantive isso na minha vida, no colégio depois e onde eu estava eu desenhava”, revela o dançarino.

Consciência social traduzida nos desenhos do artista
Foi na adolescência que Rodrigo se voltou definitivamente para a cultura das ruas. Basquete, skate e a dança nortearam o que ele faria nos próximos anos. “Onde tinha skate, tinha grafitti e onde tinha basquete tinha skate e dança de rua. Foi quando eu comecei a dançar que encontrei a cultura hip-hop, a cultura de rua mesmo. Nos eventos de dança eu acabava encontrando o grafitti”.
Apesar da pouca idade, na época com 16 anos, Rodrigo já dava os primeiros passos dentro daquilo que seria o seu universo. “Tudo que eu enxergava na dança eu passava pro grafitti, tudo que eu vivia se transformava em desenho meu”. De lá para cá o artista coleciona pinturas nos muros dos mais variados bairros santa-cruzenses e projetos que consistem em utilizar o grafitti nos tapumes de construções.
Grafitti nos bairros
O trabalho como ferramenta de inserção social segundo Rodrigo significa uma aproximação de classes, de estilos diferentes. Dentre alguns projetos que o artista desenvolve em solo santa-cruzense, o grafitti nos bairros vem se destacando e chamando a atenção. Segundo Rodrigo a ideia surgiu a partir da dificuldade de se encontrar em Santa Cruz do Sul lugar para desenvolver a técnica.
“Comecei a pintar no meu bairro, pedindo para vizinhos e amigos. Hoje em dia não tenho tempo para dar conta dos lugares que querem que eu pinte. A cor traz alegria e até mesmo mostra às crianças que existem outros caminhos. Quando retorno aos bairros sempre encontro uma ou outra criança fazendo de conta que ta pintando, observando o grafitti.”.
Rodrigo ainda conclui que a sua missão é mostrar para as pessoas que existe algo alguém do que elas enxergam. “Ter a cultura no cotidiano, não no cotidiano de quem faz cultura, quem faz arte apenas, mas sim da sociedade como um todo. Quem tem essa cultura de rua, não pode ter medo de encarar e colocar a cara para ser reconhecido”, comenta.
“Seria bem melhor se outros nichos e outras classes de cultura se unissem. Acho que tu tem que ser tu mesmo na arte, pois quanto mais verdade tiver naquilo que ta sendo feito mais prazeroso vai ser pra ti e pra quem vê. O artista tem essa missão, de passar verdade”, finaliza o artista.

Digo: “Seria bem melhor se outros nichos e outras classes de cultura se unissem”
Fotos: Arquivo Pessoal














