Everson Boeck
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Com o objetivo de acompanhar as mulheres vítimas de agressão após o registro de ocorrência, foi lançado em Santa Cruz do Sul na manhã de ontem, 16 de dezembro, um dos projetos mais importantes da Secretaria da Segurança Pública (SSP): a Patrulha Maria da Penha.A cerimônia aconteceu na Praça do Bairro Bom Jesus e contou com a presença do secretário adjunto de segurança pública do Estado, Juarez Pinheiro, além de autoridades locais e regionais.
Junto com Patrulha Maria da Penha, também foi implantado o Núcleo de Policiamento Comunitário, que consiste na aproximação dos policiais com a população, colocando determinado número de policiais militares (PMs) morando em certos bairros, alimentando, dessa forma, a sensação de segurança pública a partir dessa convivência.O projeto é operado por núcleos formados por até três bairros que são atendidos pelos PMs que residem nos locais onde o programa é implantado.
A delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Lisandra de Castro de Carvalho, apontou como alguns dos fatores que influenciam as agressões físicas e morais o uso de álcool e outras drogas, além mera supremacia física. “Mesmo com a lei Maria da Penha, muitas mulheres são agredidas e até assassinadas e o medopela falta de segurança após o delito ainda as impede de denunciar. A Patrulha é mais uma ferramenta que temos para coibir e punir de forma mais eficaz os agressores. Ela somará esforços com as demais forças policiais para proteger as vítimas de violência e a prevenir novos crimes desta natureza”, comemora a delegada. Segundo ela, um levantamento feito pela Deam, mostra que a delegacia registrou 1.620 ocorrências entre os meses de janeiro a novembro deste ano. Deste total, 673 foram pedidos de medidas protetivas, dos quais 253 foram deferidas. Ainda, 178 ocorrências se referem ao crime de desobediência das medidas protetivas judicialmente determinadas.
O secretário adjunto da SSP, Juarez Pinheiro, ressaltou que o projeto beneficia diretamente as mulheres da comunidade. “É para vocês, senhoras, que nós estamos aqui. Este momento representa o aumento da segurança de vocês”, destacou. Ele também parabenizou o prefeito Telmo Kirst pela iniciativa, colocando Santa Cruz do Sul na 11ª posição no Estado das cidades onde o projeto está sendo desenvolvido. “Caxias do Sul foi a cidade pioneira no Brasil, onde o projeto existe há mais de um ano. Após iniciarmos o programa, os homicídios nos bairros com policiamento comunitário diminuíram mais de 50%”, informou o secretário.
O prefeito Telmo Kirst acredita que a realização do projeto representará educação e repressão, quando necessária, em todo o município. “Estes programas de êxito, criados pelo governo do Estado, chegam em muito boa hora à Santa Cruz do Sul. Quando eu criei a Secretaria de Segurança na minha administração, quis mostrar para a comunidade que segurança também é uma prioridade, assim como saúde e educação”, pontuou.
Fotos: Everson Boeck
Iniciativa visa reduzir ou eliminar crimes de violência contra a mulher
Como acontecerá em Santa Cruz
Uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) permitirá o custeio das despesas, através de uma bolsa-auxílio no valor de R$ 800, para a permanência de quatro PMsno Bairro Bom Jesus. O secretário municipal de Segurança, Cidadania, Relações Comunitárias e Esporte, Henrique Hermany, explica que este foi o bairro escolhido por já terem sido instituídas outras ações de segurança, como o projeto Convivência em Harmonia, no programa Território da Paz.
O Estado fez a entrega de uma viatura nova e equipamentos individuais para o desenvolvimento do trabalho dos quatro policiais que atuarão na Patrulha Maria da Penha do Bairro Bom Jesus. Estes quatro PMs já trabalhavam há três anos no atendimento de ocorrências diversas no local. “São policiais que já conhecem a realidade daquela comunidade e que agora vão atuar exclusivamente no acompanhamento das mulheres que já registram alguma ocorrência em função de violência doméstica”, afirma Hermany.
A viatura fará visitas regulares à casa das mulheres em acompanhamento e prestará o atendimento necessário no pós-delito, isto é, após a ocorrência, verificando as medidas protetivas estão sendo cumpridas e/ou o agressor está afastado. Quando necessário, a Patrulha encaminha a agredida para uma casa-abrigo.A exemplo dos municípios onde o programa já existe, há muitos casos em que o homem estava prestes a voltar e agredir ou matar a vítima, mas foi preso em flagrante.
Para saber
O programa de policiamento comunitário já foi implementado em dez municípios do Estado: Caxias do Sul, Passo Fundo, Esteio, Campo Bom, Sacupaia do Sul, Canoas, Novo Hamburgo, Bagé, Cruz Alta e Bento Gonçalves. Até março de 2014 serão 18 municípios contemplados com a iniciativa. Até junho de 2014, 23 municípios terão Policia Comunitária, somando 147 núcleos no Estado.

Momento da entrega da viatura para a Brigada Militar

Solenidade aconteceu na Praça do Bairro Bom Jesus,
reunindo comunidade e autoridades
Reabilitação de agressores às mulheres
A Frente Parlamentar pelo Fim da Violência contra as Mulheres da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, encabeçada pela vereadora Rejane Frantz Henn (PT), promoveu nesta segunda-feira, uma reunião especial na Câmara de Vereadores com o tema “Fim da Violência Contras as Mulheres”. Durante a reunião, a delegada Lisandra de Castro Carvalho, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, anunciou que o município quer avançar na criação de um sistema de recuperação de agressores, Neste sentido, está prevista para os próximos diasa implantação da Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar – para fiscalizar e garantir a o cumprimento das medidas e possibilitar a adoção de medidas mais enérgicas.
Segundo, a delegada Lisandra, a delegacia está se propondo, em conjunto com o Poder Judiciário, a buscar a criação de um sistema de recuperação de homens agressores. “Estamos tratando da dinâmica de como vamos trabalhar isso em Santa Cruz do Sul. Em Venâncio Aires, onde este sistema já existe, o índice de reincidência de violência é baixíssimo. Vamos apostar, acredito que seja um caminho”, observou.
Ela anunciou ainda que nos próximos dias deve ser instalada no município a Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, que terá como meta fiscalizar e garantir a o cumprimento das medidas e possibilitar a adoção de medidas mais enérgicas em relação à violência com as mulheres.
Gênero
O psicólogo Eduardo Steindorf Saraiva, doutor em Ciências Humanas, professor e pesquisador da Unisc, ressaltou que o problema da violência contra as mulheres está intimamente ligado à questão de gênero. “Ciúme, controle, domínio, força física são aspectos que mostram uma forma de pensar de como é ser homem comum entre eles”, citou Saraiva.
Ele defende que é preciso criar espaço de trabalho com os homens, para propor uma mudança no modo de ser. “Mas para alguns é muito difícil ser diferente. Aí vou deixar de ser homem, vou deixar a mulher ou os filhos me dominarem?, questionam. Trata-se de um dado cultural, dos costumes”, salientou. Saraiva destacou ainda que trabalhar com o conteúdo para mudança de comportamento, de prevenção e de uma nova percepção de gênero e trabalhar com o homem que já apresenta um aspecto de violência. Segundo ele, novas formas de mediação de conflito são fundamentais, pois é preciso desenvolver estratégias e formas de lidar com o estes conflitos.
Já a da assistente social do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Letícia Chimini, trouxe a experiência da entidade que trabalhou na motivação para uma maior participação nas suas lutas no dia-a-dia, para dar maior visibilidade ao trabalho das mulheres e fortalecer o seu trabalho dentro da agricultura.
A Frente Fim da Violência contra as Mulheres da Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul é integrada pelos vereadores Nasário Eliseu Bohnen (DEM), Solange Finger (PTB), Wilson Rabuske (PT) e Rejane Frantz Henn (PT).
Jacson Miguel Stülp
Reunião especial discutiu alternativas para o fim da violência contra as
mulheres na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul














