Viviane Scherer Fetzer
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A colheita de fumo na região do Vale do Rio Pardo já começou. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), com os municípios que não pertencem à zona alta, já são mais de 65% colhidos. Incluindo as regiões dos municípios serranos, a média da colheita está em 55%. A zona sul, região de plantio mais tardio, tem somente 15% colhidos. A Afubra acredita que nas próximas semanas se intensificará a colheita em virtude da estiagem em algumas regiões, o que na verdade é muito preocupante. O sol escaldante está trazendo prejuízos principalmente às folhas do alto-pé.
A produção estimada para os três Estados do Sul é de 674.100 toneladas. Se destaca o fumo do tipo Virginia, com 585 mil toneladas, e o Burley , segundo mais produzido, com 81 mil toneladas. O restante é de galpão comum. Essa é estimativa inicial, pois a Afubra tem, por hábito, fazer estimativa inicial em setembro ou início de outubro. Uma segunda estimativa é feita em janeiro, quando se tem uma noção do fumo já desenvolvido em todas as áreas.
Quanto às negociações com as empresas a expectativa, tanto da Afubra quanto da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e as entidades coirmãs de Santa Catarina (Fetaesc) e do Paraná (Fetaep) e Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e as coirmãs Faesc e Faep, é de assinar protocolo também com as demais empresas, a exemplo da assinatura com a Souza Cruz, de 8,5% de reajuste sobre a tabela da safra passada. A convicção das entidades é de alcançar esses valores de tabela, pois menos que isso, conforme a Afubra, as entidades não poderão aceitar. A safra 2015/16 praticamente encerrou em junho/2016. Acredita-se que a safra 2016/17 termina tão-somente em julho. Isso porque na safra anterior foram produzidas 525.200 toneladas, ao passo que nesta safra serão 674.100 toneladas, que representa 148.900 toneladas a mais.
No Estado de Santa Catarina, no litoral, 90% já foi colhido. Na microrregião de Braço do Norte e Tubarão, são 75% colhidos. No Planalto Norte, que são os municípios adjacentes de Canoinhas, a colheita está em torno de 12%. No oeste catarinense, que tem só plantio de fumo Burley, já são 60% colhidos. No Estado do Paraná, no centro-oeste, atingindo principalmente os municípios adjacentes de Irati, a colheita está em 25%. A região dos municípios adjacentes a Rio Negro está com percentual mais baixo: de 10%. Considerando a proporcionalidade de peso na produção nos três Estados, a colheita está em torno de 35%.
Perfil do produtor
Uma pesquisa encomendada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) e conduzida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio do Centro de Estudos e Pesquisas em Administração, investigou o perfil socioeconômico do produtor de tabaco da região Sul do Brasil. A pesquisa mostrou que a renda per capita média do produtor de tabaco é de R$1.926,73, sendo que a Geral do Brasil é de R$1.113,00. Entre outros pontos está a média de moradores por domicílio que é de 3,43, sendo a maior parte de adultos, chegando a 2,57.
Cerca de 148 entrevistados atuam apenas com o tabaco e têm uma renda média de R$4.601,65. Levando em consideração todas as fontes de renda, os produtores de tabaco da região Sul do Brasil atingem uma renda mensal total média de R$6.608,70. Além disso, a diversificação garante uma renda mais elevada. Mais da metade dos produtores dispõe de outras rendas. Segundo a pesquisa, a diversificação dos produtos na propriedade é para venda e não para consumo dos produtores. Cerca de 39% dos produtores utilizam outras fontes de renda, não relacionadas à atividade agrícola. Como a maior parte é proveniente de adultos, a renda é oriunda principalmente de aposentadorias, empregos fixos ou temporários, atividades autônomas, aluguéis, arrendamentos, ou rendimentos de aplicações financeiras.














