Viviane Scherer Fetzer
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Ontem, os músicos Pedro Munhoz, de Barra do Ribeiro (RS) e Neudo Oliveira, de Bodocó (PE), apresentaram o espetáculo ‘Pampa e Sertão em Cantoria’, na Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc). E na quarta-feira estiveram na Escola Família Agrícola de Vale do Sol (Efasol). O projeto iniciou em 2015, quando percorreu com o mesmo show o sertão da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, mostrando o quanto em comum possuem as duas regiões. Os músicos se propõem a mostrar que sob o ponto de vista de clima e vegetação podem ser diferentes, mas que sob o ponto de vista da exploração humana e do trabalho, não são. Em 2017 eles voltaram à estrada em janeiro, andando pelo Sergipe e pela Bahia. No repertório trazem poemas, histórias, canções autorais e aquelas que marcam a identidade sulista e nordestina, deixadas por grandes vozes e compositores. Já fizeram cerca de 50 apresentações e encerram a andança no dia 31 de março, em São Paulo.
“A gente não considera nossa atividade apenas um show, é algo mais amplo do que ir lá e, simplesmente, cantar”, explicou Pedro Munhoz. Pedro conta que até agora fizeram o trabalho de campo, fotografando tudo e que se arrepende de não ter levado um bloco de notas para anotar também as histórias. Não foi organizado nada de maneira científica, então tudo o que estão fazendo é empírico. “Nós saímos e os olhares foram abrindo as janelas e tudo que foi passando fomos olhando e vivenciando. Mas, sentimos a necessidade agora de sistematizar e chamar profissionais, acadêmicos e pessoas com projeto de viajar não só a pampa do Rio Grande, mas o Paraguai, o Uruguai e a Argentina. E os nove estados do Nordeste”, contou Munhoz.
A ideia depois de encerradas as viagens em 31 de março é ir em busca de profissionais que estejam interessados em ministrar oficinas tanto aqui no pampa quanto no sertão sobre coisas típicas de cada região. E também aproximar da Argentina e Uruguai para descobrir se existem coisas em comum. Os trovadores se encontraram em 2015 e resolveram iniciar o projeto “caímos no sertão em um campo todo social, com questionamentos desenvolvidos, nos demos conta de que o pampa e sertão dizem respeito a força da mão de obra, luta pela terra, falta de condições, acesso, nós começamos a ver que tinha muita coisa em comum”, concluiu Munhoz. “Ter encontrado o Pedro em São Paulo e, de lá pra cá, ter aprendido tanto com ele. E agora conhecendo a região sul, para mim está sendo cada dia um aprendizado, uma satisfação imensa”, salienta Neudo.
No repertório predominam as canções autorais. Pedro já gravou oito CD’s e Neudo está gravando seu primeiro DVD. Além das autorais apresentam também canções populares como ‘Asa Branca’, de Luiz Gonzaga, sempre com o foco nas questões sociais. “Temos a preocupação de abordar temas dos debates diários, trabalhamos bastante com a juventude e percebemos uma sociedade de consumo e sentimos que alguns temas não são aprofundados, então fizemos a parte de um arte educador”, comenta Pedro. Segundo ele, não existe arte neutra, toda arte carrega valores e preceitos. “Eu penso que mais do que simplesmente cantar, somos educadores. Que o trabalho da gente sirva para outras pessoas escutarem e multiplicarem do seu jeito”, comenta Munhoz.














