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Caso Francine: Polícia Civil finaliza inquérito

Guilherme Athayde
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Inquérito de 191 páginas sobre o crime está finalizado e delegada tem convicção da participação da mãe

A titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Lisandra Castro de Carvalho, divulgou detalhes da finalização do inquérito sobre a morte da jovem Francine Sins Matias dos Santos, de 13 anos.

Segundo a polícia, o assassinato ocorreu na quinta-feira, 13 de abril. Ronaldo dos Santos, que confessou ter estrangulado a vítima primeiro com as mãos e depois com um cordão do chaveiro de sua moto, está no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.  O corpo da menina foi encontrado em Rio Pardinho, próximo ao local onde ela morava com a mãe e o padrasto, no dia 15 deste mês.

A mãe de Francine, Geni Sins, de 54 anos, é a mandante do crime segundo a polícia. As suspeitas sobre a participação dela se intensificaram após a confissão de Ronaldo, que foi preso pela Brigada Militar quando seguia a caminho da delegacia para se entregar. 

O comportamento de Geni após o sumiço da filha foi um dos principais fatores que a tornaram suspeita. A delegada estranhou o fato de que, antes do corpo da criança ser encontrado, a mãe já dava Francine como morta, o que seria incomum na maioria dos casos. O suposto fingimento de um mal-estar quando a versão de Geni foi confrontada na delegacia, aliado ao fato de que ela se apresentou com uma advogada antes mesmo de ser acusada, também causou estranheza para os investigadores. 

Os fatores levantados pela polícia finalizam a investigação, relata a delegada da DPCA. “Esgotamos nossos espaços de buscas”, diz Lisandra, completando que, apenas se aparecerem indícios diferentes nas perícias que ainda serão feitas – nas roupas da vítima e do acusado, e no celular de Francine – é que o caso será retomado.

O laudo da necropsia do corpo da jovem confirmou a morte por asfixia, e também o estupro de vulnerável. A delegada Lisandra relatou que Ronaldo teria confirmado que fez sexo com a menor pelo menos três vezes, uma delas minutos antes do crime. Ele será indiciado por homicídio qualificado (feminicídio) e estupro de vulnerável, com os qualificadores – motivo torpe, meio cruel (asfixia), dissimulação (o fato de Francine ter sido enganada para ir até o local do crime), impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de cadáver. 

Geni será indiciada pelos mesmos crimes de Ronaldo, excluindo-se o estupro de vulnerável, já que a polícia não conseguiu comprovar o conhecimento da mãe sobre as relações sexuais de sua filha com Ronaldo.