LUANA CIECELSKI
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Os servidores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos que atuam na agência de Santa Cruz do Sul continuarão em greve por tempo indefinido. A decisão foi tomada na tarde de ontem, 27 de setembro, durante assembleia realizada na sede do Sindicato dos Comerciários. A escolha por continuar a paralisação vai de encontro com as decisões que vêm sendo tomadas em todo o país. Nesse momento, dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores dos Correios em todo o país, 35 estão apoiando a greve.
De acordo com o diretor da sub-sede de Santa Cruz do Sul do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Sintect RS), Aristóteles Neto, os servidores optarão por dar continuidade à greve principalmente porque nenhuma proposta foi feita até o momento. “Foi divulgado que propostas haviam sido apresentadas, mas até o momento, nada foi protocolado oficialmente”, explicou o representante do Sindicato.
Conforme foi apontado durante a assembleia, os servidores aguardam desde agosto por uma proposta, e a deflagração da greve também já era de conhecimento da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, porque em julho um cronograma de ações havia sido entregue para a administração nacional dos Correios. O que os servidores pedem com maior urgência é um reajuste salarial de 8% e a realização de novos concursos para contratação de mais servidores. “O último concurso foi em 2011 e de lá pra cá, muitos servidores se aposentaram, passaram em outros concursos e foram embora, ficaram doentes, ou simplesmente saíram dos Correios, no Rio Grande do Sul, hoje, temos um déficit de pelo menos 2 mil trabalhadores”, aponta Neto.
Porém, o grupo se preocupa também com algumas mudanças que podem ser feitas no acordo coletivo de trabalho. São questões como diminuição de carga horária para retirada de benefícios como o vale-alimentação, o empréstimo de servidores entre agências e os custos que isso gera para os próprios servidores, e também a privatização. “A privatização não será boa nem para os servidores, nem para a comunidade. As agências menores, que dão menos lucros, serão fechadas e as comunidades ficarão sem o serviço de entrega. Além disso, o valor das correspondência será três vezes maior”, apontou um dos servidores durante a assembleia.
Outra grande preocupação é com a compreensão da sociedade. “Nós estamos sendo muito criticados. Algumas pessoas não entendem que a gente trabalha no sol, na chuva, no frio, no calor, sempre e que o que queremos não são regalias, mas os nossos direitos”, comentou outro servidor. Diante dessa situação, o Sintect RS iniciará nos próximos dias algumas campanhas nas rádios de Porto Alegre e por meio de outdoors nas cidades do interior. Os servidores dos Correios também farão a distribuição de materiais informativos para a comunidade.
Atualmente, 95% dos funcionários do Centro de Distribuição de Santa Cruz estão paralisados por terem aderido à greve, e por isso, a entrega de correspondências tais como Sedex, PAC, telegrama, cartas registradas e cartas simples, ficarão comprometidas. Uma nova assembleia será realizada em Santa Cruz do Sul na próxima segunda-feira, dia 2 de outubro. Ela deverá acontecer na parte da tarde, novamente no Sindicato dos Comerciários.














