LUANA CIECELSKI
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Chega a época da Oktoberfest e Santa Cruz do Sul passa a ter um clima totalmente diferente. Mais carros circulam pelas ruas, e mais pessoas caminham pelo centro. Todas elas precisam de um lugar para ficar, especialmente quando vêm de mais longe. Algumas preferem hotéis. Há, porém, um grupo cada vez maior de pessoas que procura por hospedagens alternativas. E em Santa Cruz do Sul o grupo de pessoas que está oferecendo espaços alternativos, também é cada vez maior. A hospitalidade da cidade está mais forte do que nunca.
A questão econômica, é claro, dá uma ajudinha. Alugar um quarto da casa ou apartamento, oferecer um espaço para que turistas descansem ao fim do dia pode ser uma boa oportunidade de negócio para quem hospeda – afinal, por que não uma renda extra? – e é também uma oportunidade de economia para quem está alugando. Em Santa Cruz do Sul, por exemplo, durante o período de Oktoberfest, é possível encontrar quartos no site Airbnb (www.airbnb.com.br) por R$ 89,00 por casal, ou mesmo apartamentos inteiros por diárias de pouco mais de R$ 100,00 reais. É a situação perfeita para um grupo de amigos que queiram dividir o valor, por exemplo, ou para uma família maior.

Mas um dos aspectos mais bacanas é a oportunidade de troca de conhecimentos, culturas. Ou, pelo menos, é o que garante quem já utilizou esse tipo de serviço. Diego Brum Rodrigues é uma dessas pessoas. Morador de Santa Cruz do Sul ele já usou o serviço do Airbnb em duas ocasiões e só tem elogios ao sistema. Ele garante que a experiência de se hospedar na casa de uma pessoa que mora e conhece bem o local para o qual se está indo, é muito mais enriquecedora. “Eles sabem indicar os lugares mais bacanas para visitar, comer, comprar, lugares que muitas vezes não fazem parte da rota de turismo da cidade”, aponta.
E isso serve para ambas as partes. Para Jack Webber, morador de Santa Cruz do Sul e também usuário do Airbnb, quem aluga também tem uma experiência muito boa. Aliás, para ele, é justamente a vivência e a troca de experiências que o motivou a alugar o espaço que tem em seu apartamento para outras pessoas. “Muito mais do que o financeiro, é essa oportunidade de sair do trivial que me motivou. Minha vida é regida por experiências”, diz. “Estar em contato com outros, de aprender coisas novas, é o que me fez decidir ser um anfitrião”.
Desde o início do ano ele tem seu apartamento disponível no Airbnb. Ele já alugou o espaço durante o Festival da Cerveja Gaúcha e tem reservas para o Encontro de Artes e Tradições Gaúchas (Enart) que acontece em novembro. E nessa sexta-feira, 6 de outubro, ele também já estará vivendo uma nova experiência. “Uma família estará chegando para ficar no meu apartamento. Eles vêm para a Oktoberfest”. E para ele, assim como para os outros anfitriões do Airbnb em Santa Cruz do Sul, a Festa da Alegria será especial.
Outro aspecto interessante é o da amizade que pode ficar entre hóspede e quem está hospedando. Essa não precisa ser necessariamente a regra, mas acontece. Jack mesmo comenta que não procura manter um vínculo com o hóspede posteriormente ao aluguel, mas que em algumas situações é inevitável. “Recentemente eu fiquei na casa de uma mulher, e conversando, nós percebemos que temos projetos em comum e que num futuro podemos até trabalhar em algo juntos. Esse é um caso de contato que provavelmente vai se manter”. De qualquer forma, porém, uma marca sempre fica, desde um estilo diferente de vida com o qual se tem contato, até uma receita nova que se aprende.
No Brasil esse sistema ainda não é o mais utilizado, porém, ele começa a aparecer cada vez mais, a exemplo do que já acontece em outros países. E em Santa Cruz do Sul, também está crescendo esse tipo de oferta. Até a tarde de ontem, 5 de outubro, era possível identificar 30 anúncios de hospedagem na cidade pelo Airbnb, especialmente voltados para o aluguel de quartos e espaços durante a 33ª Oktoberfest. Os preços variam entre R$ 80,00 e R$ 250,00.
E se a preocupação for o quesito segurança, Jack aponta que o medo é uma coisa natural, mas que de uma forma geral, quem aluga um espaço é porque quer alugar de verdade. “Ela está aberta para aquela experiência”. Já em relação aos possíveis hospedes, Jack confia no site. “Eles solicitam todo o tipo de informações e se alguma coisa acontecer, é fácil identifica-lo e localizá-lo depois”, aponta. Além disso, todo anfitrião pode e deve conversar muito com o possível os possíveis hóspedes. “Eu sempre pergunto porque a pessoa está vindo, procuro saber mais sobre ela e só então decido se eu quero recebe-la ou não”, comenta Jack. Outros usuários também consideram que dificilmente alguém pagará por um aluguel de forma adiantada e fará uma viagem com todos os custos envolvidos, apenas para prejudicar um anfitrião.
Como funciona?
Para aderir ao sistema de hospedagens alternativas, porém, é preciso estar aberto à novas experiências e é preciso saber apontar regras para que tudo fique claro e a experiência seja tranquila. Mas tudo funciona de forma bastante simples. No Airbnb que é um dos mais utilizados no mundo e no Brasil, para quem tem um quarto sobrando em sua casa, ou mesmo um aparamento, basta se cadastrar no site, colocar algumas fotos do ambiente que tem disponível, preencher informações como localização, comodidades disponíveis (internet, máquina de lavar, televisão, café da manhã), preços e regras da casa (se é permitido fumar ou permitido animais, por exemplo). Em seguida é só esperar pelo contato de algum interessado.
Já para quem procura por um lugar para dormir, o processo é ainda mais simples. A pessoa se cadastra, e inicia uma pesquisa inserindo a cidade, a data da viagem e o número de hospedes. Em seguida aparecerá na tela um mapa com as opções disponíveis. É possível filtrar as acomodações por tipo, valor, área, serviços, etc. O passo seguinte é entrar em contato com o anfitrião que aluga o imóvel, e tirar todas as dúvidas. Depois de tudo acertado, o próximo passo foi o da reserva, que pode ser feita em cartão de crédito, e só é repassado ao anfitrião um dia após a chegada do hóspede.
Várias opções
O Airbnb, porém, é apenas um dos sites. Há, por exemplo o Couchsurfing (www.couchsurfing.com) onde casas, quartos e espaços em geral são oferecidas gratuitamente – é o sistema utilizado pelo mochilei. Basta se cadastrar, procurar por um local, entrar em contato com o anfitrião e perguntar se é possível se hospedar na casa dele em determinada data. Outra opção, é o serviço de aluguel de casas/apartamentos oferecido pelo TripAdvisor (www.tripadvisor.com.br), um conhecido site de buscas e reservas de hotéis. Além desses, há também serviços de trocas de casas, como o Home Exchange (www.homeexchange.com). Você escolhe o lugar, contata a família e faz a troca da casa se tudo der certo. Esse serviço apareceu, inclusive no filme “O Amor não tira férias”, estrelado por Cameron Diaz e a Kate Winslet.














