
Rosibel Fagundes
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Os acidentes envolvendo crianças vítimas de afogamento tem ganhado destaque nos noticiários e nas redes sociais. Eles servem também de alerta para evitar que futuras tragédias aconteçam. De acordo com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), as piscinas são responsáveis por 53% de todos os óbitos por afogamento na faixa de 1 a 9 anos de idade. Sendo que o afogamento é a segunda causa da morte acidental de crianças, perdendo apenas para acidentes de trânsito.
O comandante do 1º Batalhão de Bombeiros de Santa Cruz, tenente Fernandes, explica que os pais devem ser bons observadores para preverem acidentes. “Uma criança jamais deverá permanecer na água sozinha. O afogamento acontece em segundos, e os cuidados devem ser redobrados”. Segundo ele, um dos problemas registrados com maior frequência é o fato de que alguns pais ou responsáveis ficam ao telefone celular, ao invés de manter a vigília nos pequenos que estão na água. “O celular tira a noção de tempo. E mesmo e que a criança esteja utilizando uma boia, o equipamento pode apresentar problemas”. O recomendado pelos bombeiros é que a criança esteja a um braço de distância de um adulto na água. Em caso de afogamento, o comandante afirma que o primeiro atendimento deve ser feito pelo Serviço de Atendimento Móvel (Samu), que atua com Unidades de Suporte Básico (USB) com enfermeiro e unidades de Suporte Avançado (USA) que dispõem de um médico. O telefone de contato é o 192. Em municípios onde não há o serviço, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193. O perigo, no entanto, não está somente nas piscinas residenciais, mas também em piscinas de condomínios, clubes e em rios. O oficial deixa algumas dicas importantes para evitar acidentes com crianças.
Nas piscinas
– Nunca deixe uma criança sozinha na água, mesmo que ela esteja utilizando equipamentos aquáticos como boias e coletes. O recomendado é que a criança esteja a um braço de distância de um adulto;
– Os pais devem ensinar os filhos a respeitarem a água. Quanto mais cedo aprenderem a nadar, boiar e flutuar maiores serão suas chances de defesa;
– Oriente as crianças para não pular de cabeça na piscina;
– Mantenha sempre fechada a área da piscina com grades e portão, impedindo que a criança tenha acesso fácil ao local quando estiver sozinha;
– Cuidado com a sucção. Alguns ralos podem sugar cabelos, roupas e até mesmo os dedos da criança;
Rios e piscinas particulares
O comandante afirma que todo o estabelecimento que oferecer área de lazer com piscina, será responsável civil e criminalmente caso aconteça algum afogamento. Portanto, é responsabilidade do proprietário ter a disposição dos associados e veranistas um salva vidas com treinamento qualificado e equipamentos de boia e coletes. O mesmo é válido para clubes ou áreas de camping próximos a margens de rios. Ainda segundo ele, em períodos de chuva o aconselhável é evitar o banho de rio devido as alterações que acontecem no leito. “Muitas pessoas acreditam que conhecem o local, mas muda muito. Os galhos que estão presos no fundo podem se movimentar devido ao volume da água e ocasionar buracos, e consequentemente o risco de afogamento aumenta”, afirmou o tenente Fernandes. Ele também orienta as pessoas que vão acampar em áreas próximas de rios, a sempre levar seus equipamentos de segurança. Uma vez que o local pode não ter e outra devido a distância até chegar o socorro.
Fatalidade: Casos de afogamentos envolvendo crianças em piscinas
No inicio do mês, em Lajeado no Vale do Taquari, uma criança de apenas três anos e sete meses faleceu após cair na piscina na casa onde morava com os pais no bairro Montanha. A família chegou a levar o menino até o quartel do Corpo de Bombeiros, onde foram feitos procedimentos de reanimação na tentativa de salvar a criança. O Samu também foi acionado e fez a condução da criança até o Hospital Bruno Born. No entanto, o menino não resistiu. Outro caso que chamou a atenção foi a morte de dois irmãos gêmeos moradores da cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O caso aconteceu em setembro, mas repercute até hoje nas redes sociais como forma de alerta. Os meninos, de 1 ano e 2 meses, morreram após caírem na piscina da casa onde viviam com os pais. Conforme informações, o acidente aconteceu após as crianças atravessarem uma passagem na grade de proteção da piscina, que estaria aberta.














