
Rosibel Fagundes
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O número de pessoas que buscam na coleta seletiva desenvolver uma estratégia de sobrevivência cresce a cada ano em nosso município. Vinculados ou não a cooperativas, os catadores aproveitam os materiais recicláveis para gerar renda e, consequentemente, contribuem para a construção de um mundo mais sustentável. Foi na reciclagem que Bruna Ribeiro, 20 anos, moradora do bairro Bom Jesus, encontrou uma oportunidade de trabalho. Catadora desde pequena, hoje ela lidera uma equipe de dez pessoas. O grupo denominado ‘Bruna Catadora Reciclável Confiável’ surgiu há cerca de dez meses e funciona em um imóvel localizado na Rua Felipe Jacobus Filho, 557, no centro.
O espaço é dividido em dois módulos, sendo um deles para armazenar os papelões, latas e garrafas pet. E no outro, que fica a poucos metros são expostos os materiais para venda como cobre, ferro, janelas, cadeiras, portões, lixeiras e antiguidades de metal. Cada item é organizado de acordo com o gênero e o tipo de material. Conforme Bruna, apesar do trabalho ser árduo, os resultados são satisfatórios. “O valor arrecadado depende do material reciclado. Aqui todo mundo trabalha e pega junto no serviço. Enquanto alguns saem comigo no caminhão para coletar os materiais, os outros trabalham na classificação e organização dos materiais. Os valores que conseguimos são somados e divididos entre o grupo durante a semana. Além do nosso sustento, o dinheiro também serve para pagar o aluguel do imóvel, a prestação do veículo que é financiado e o combustível do caminhão”, explicou Bruna.
De acordo com a jovem, o nome de “Bruna Catadora Reciclável Confiável”, surgiu devido a forma que os catadores deste grupo trabalham. “Nós só pegamos o que está separado. Não rasgamos as sacolas, nem reviramos o lixo alheio. Pegamos somente o que pode ser reciclado. Temos muitas pessoas que confiam em nosso trabalho e que já deixam o material separado ou nos ligam para recolher”. O serviço de tele busca é gratuito. A rotina do grupo inicia às 6 horas e se estende até às 18 horas, de segunda-feira a sábado.

Sobre os motivos que a levaram a trabalhar neste ramo ela afirma que a falta de estudos e de oportunidades foram decisivos. “Hoje existem muitos catadores, que assim como eu não tiveram oportunidade de estudar. A gente só tem a escola da vida. Eu queria muito poder estar em uma cadeira de escritório sentada. Mas, não posso. O valor que ganho aqui, não é o que eu gostaria, mas dá pra viver. E como já trabalhava em reciclagem com outras pessoas, decidi montar este negócio para dar a oportunidade para todos poderem se manter. Está muito difícil de se conseguir um emprego. E na coleta seletiva tem espaço para todo mundo, afirmou”.
No entanto, para que esta atividade possa continuar crescendo e tornando-se um modelo sustentável de reciclagem e principalmente garantir o sustento de muitas pessoas é necessário o empenho de toda a comunidade. Conforme Alessandro Peixoto, 29 anos, que também faz parte do grupo, a conscientização é fundamental. “Tem lojistas que já separam e organizam o papelão para que possamos carregar. Isso facilita bastante. Separar o lixo orgânico do seco também é importante, porque o nosso produto perde o valor se estiver molhado. Outra questão são os cacos de vidro, que muitas vezes são misturados ao lixo, e isso pode ferir um catador”. Entre os materiais mais arrecadados pelo grupo estão as latinhas, as garrafas pet e o papelão que são vendidos a uma empresa do município. Já o cobre, o ferro e os metais são repassados a uma empresa de Porto Alegre a cada 15 dias.
Quem tiver interesse em doar materiais recicláveis ou vender pode entrar em contato com o grupo pelo telefone 99798-4587.














