
Rosibel Fagundes
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A quarta-feira 15, será de mobilização em Santa Cruz do Sul. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS) promove o 9º Grito de Alerta. A passeata pública que tem o objetivo de chamar a atenção da comunidade para a valorização dos agricultores familiares e assalariados rurais, por políticas públicas contra a perda dos direitos na Reforma da Previdência e a favor da auditoria da dívida pública vai reunir trabalhadores rurais e pessoas ligadas as Macrorregionais Centro e Missões Fronteira Noroeste, Regionais Sindicais e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais como explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol e Herveiras, Renato Goerck. “Iremos reunir aproximadamente 12 mil pessoas, mas este número pode ainda aumentar, devido à relevância que as reformas representam principalmente para a agricultura familiar. Este ano a mobilização será reforçada com a inclusão de sindicatos urbanos, até por que a luta é dos trabalhadores em geral. Vamos reforçar nosso grito de alerta e já temos a confirmação de pelo menos dez ônibus da região de Santa Rosa, além de agricultores de Taquari, Lajeado e outros municípios. Serão 200 ônibus disponibilizados gratuitamente pelos Sindicatos para reforçar a nossa mobilização”.
Goerck ressalta que a programação inicia às 8 horas com recepção das caravanas em frente ao Parque da Oktoberfest, logo depois os manifestantes seguem pela Rua Galvão Costa e Marechal Deodoro. Uma parada será feita em frente à agência do Banco do Brasil, onde serão entregues documentos e solicitações. O ponto alto da mobilização ocorre em frente à agência do INSS, na Rua Ramiro Barcelos onde a concentração deve permanecer até às 15 horas. Conforme Renato Goerck, será um momento para mostrar o descontentamento com o governo e garantir a valorização dos agricultores e direitos previdenciários como afirma o presidente, “queremos chamar a atenção do governo para que olhe um pouco mais para a valorização da agricultura familiar e também dos assalariados rurais e com isso garantir demandas voltadas as políticas públicas e saúde, Pronaf, crédito fundiário e habitação rural. São coisas que já havíamos conquistado, mas que irão sofrer fortes impactos. Não somos contra a Reforma da Previdência, somos contra a proposta de aumentar em 5 anos a idade da mulher. Eles querem aumentar a contribuição sindical, e tirar a pensão entre outros benefícios. Não podemos concordar com isso. A Reforma da Previdência deve acontecer, não somos contra, mas deve ser feita de cima para baixo para que todas as pessoas da sociedade sejam inclusas e não apenas os trabalhadores”, argumentou Renato Goerck.
Professores realizam Greve Nacional da Educação
Nesta quarta-feira, 15, entidades estudantis, professores da rede pública e representantes da comunidade universitária e institutos federais realizam uma Greve Nacional da Educação contra o corte de verbas para educação e a reforma da Previdência. Em Santa Cruz do Sul, a concentração acontece a partir das 9 horas, em frente à praça localizada próximo ao Lothar Krause, na Avenida Independência. Os manifestantes seguem até a Agência do INSS onde se unem a mobilização do 9º Grito de Alerta realizada pela Fetag.
De acordo com a diretora do 18º núcleo do Cpers/Sindicato, Cira Kauffmann a convocação inicial tinha como mote a insatisfação dos trabalhadores do segmento educacional com a Reforma da Previdência, mas ganhou novas bandeiras a partir dos anúncios de cortes das verbas federais para educação superior e básica. “Inicialmente era para ser um protesto da educação contra a Reforma da Previdência, onde que a proposta encaminhada a Câmara dos Deputados afeta diretamente os professores. Pois se aprovada, vai acabar com a nossa aposentadoria especial de 50 anos e nos dar um acréscimo de dez anos de trabalho. No entanto, o anúncio de cortes drásticos na educação fez com que incorporássemos isto a nossa mobilização. A falta de recursos vai ser determinante para sucatear as universidades e institutos federais, algumas inclusive já relataram que não terão como manter as instituições funcionando a partir de setembro”, afirmou Cira Kauffmann.
O corte de recursos foi anunciado no final de abril pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que afirmou que o governo congelaria 30% no orçamento de 2019 para todas as universidades e institutos. A mobilização dos trabalhadores da educação se une a passeata pública promovida pela Fetag em apoio à agricultura familiar e contra a Reforma da Previdência. Em decorrência desta mobilização o Cpers/Sindicato orienta que há o indicativo de algumas escolas da rede pública estadual funcionarem em horários reduzidos, e de outras estarem fechadas.
Entenda
Atualmente, a proposta de Emenda à Constituição (PEC 6/2019) da reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL) está em discussão em uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Um dos pontos mais polêmicos da proposta é a alteração das regras das aposentadorias especiais que atingem as categorias como a dos professores, policiais civis e federais, agentes penitenciários e trabalhadores rurais.
Atualmente não existe idade mínima para os professores se aposentarem. O tempo de contribuição é de 30 anos para homens e 25 anos para mulheres. Pela nova proposta, a idade mínima será de 60 anos e o tempo de contribuição é de 30 anos para homens e mulheres. Já para os trabalhadores rurais a idade mínima para se aposentar será de 60 anos para mulheres e homens. Para os homens permanece a mesma idade, já as mulheres terão o acréscimo de cinco anos. O tempo mínimo de contribuição passará de 15 para de 20 anos.














