Grasiel Grasel
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Embora que o tabaco continue sendo bastante combatido no Brasil e no mundo, ele continua sendo uma importante fonte de renda para milhões de pessoas no país. A estimativa é que a região sul produza 611,6 mil toneladas de tabaco nesta safra, uma queda de cerca de 8% em relação ao ano passado (664,3 mil toneladas em 2018/19). No entanto, entidades representativas veem na diversificação o caminho para a prosperidade das famílias que dependem do cultivo atualmente.
A maior queda na produção de tabaco fica no Rio Grande do Sul, que deverá fechar a safra com 234,3 mil toneladas de tabaco, queda de 26,9% em relação ao ano passado, especialmente nas plantações do tipo Virgínia, o principal das regiões mais afetadas por secas e temporais. A contribuição do gaúcho na produção de tabaco também caiu de 48% para 38% na região sul, que colhe 98% de todo o tabaco brasileiro. No entanto, continuamos sendo os maiores produtores, seguidos por Santa Catarina, que produziu 34% e Paraná, 28% do total.
Segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), 73.490 famílias gaúchas são beneficiadas pela cadeia produtiva do tabaco e os longos períodos de estiagem seguidos por fortes temporais são os maiores causadores da quebra deste ano. Embora que o cenário seja preocupante, na sexta-feira passada a entidade fechou a estimativa de que cerca de 13% do tabaco dos produtores já foi comercializado.
Em levantamentos também realizados pela entidade, o preço médio que as empresas fabricantes de cigarros vêm pagando no quilo se manteve exatamente o mesmo em relação ao ano passado, R$ 9,83. Seguindo estes dados, o produtor que teve prejuízos apenas na qualidade do tabaco e não necessariamente na quantidade (peso), portanto, está conseguindo equilibrar as contas, mas muitos tendem a ter um recuo na arrecadação.
Em Brasília, segue a resistência
A luta no congresso contra maiores restrições ao cultivo do tabaco tem sido grande, mas o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, vê o cenário atual como favorável aos produtores. Segundo ele, boa parte dos congressistas têm entendido a importância econômica e social do tabaco e, com articulações da bancada que defende os interesses do setor, pautas antitabagistas têm sido barradas.
Benício, no entanto, não acredita que quaisquer medidas que sejam adotadas poderiam afetar as exportações do tabaco, que correspondem a cerca de 90% do que é produzido em todo o país. Caso novas leis e impostos contra os cigarros sejam aprovados, o presidente da Afubra vê apenas malefícios aos brasileiros, como o aumento do contrabando e prejuízos no valor pago ao produtor com a queda na demanda.
Pensando no futuro
O principal objetivo da Afubra é continuar despertando nos jovens a vontade de permanecer no campo, os incentivando cada vez mais para que encontrem novas formas de aumentar a renda da família e ampliar a eficiência do que produzem. Em especial, a entidade busca apresentar opções que levam sustentabilidade às propriedades, de forma a otimizar gastos da casa com o plantio de verduras, por exemplo.
O presidente da Afubra cita o exemplo dos produtores de Santa Catarina, que em sua maioria já trabalham muito bem com diversificação de produtos em suas propriedades. Como o processo de adaptação das famílias gaúchas para esta realidade requer um acompanhamento, ele acredita ser necessário que as prefeituras ofereçam um apoio. “Normalmente eles (produtores catarinenses) têm duas ou três atividades, é tabaco com leite, tabaco com suíno, tabaco com ave… Todas essas são questões que precisam de gestão e acompanhamento, o que nem sempre entidades como a nossa consegue fazer, então precisamos do apoio de secretarias de Agricultura dos municípios, por exemplo”, explica Werner.
De acordo com Benício, a diversificação seguirá sendo uma pauta importante para que a produção do tabaco siga atendendo as demandas do mercado sem afetar a renda dos produtores. “Se nós ofertarmos muito tabaco, o preço cai. Se ofertarmos pouco e a demanda estabilizar, temos um preço médio melhor na hora da venda. É difícil a gente fazer o produtor entender nossa ponderação sobre a diversificação, diminuir a área de plantio, mas isso pode melhorar a vida dele”, conclui.














