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Torquato Jardim: novo ministro da Justiça

Guilherme Athayde
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Deputados de oposição ao governo federal criticaram a atitude de Michel Temer de anunciar um novo ministro da Justiça em um momento onde o presidente da República é investigado no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da justiça. 

O anúncio da troca do ex-ministro Osmar Serraglio (PMDB-PR), pelo agora ministro da Justiça Torquato Jardim, foi feito no último domingo, 28. Temer estaria sofrendo pressão de aliados investigados na Operação Lava Jato para modificar a pasta da Justiça e empregar alguém que pudesse ter mais influência sobre a Polícia Federal, como sugere o senador Aécio Neves (PSDB), em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos sócios da empresa JBS, que também delatou o próprio presidente da República. 

Nomea‹o do ministro Torquato Jardim pegou de surpresa atŽ a base aliada de Temer

Na conversa gravada entregue ao Ministério Público, o senador tucano afastado reclama do ex-ministro Osmar Serraglio. Em um dos trechos gravados, Aécio diz a Joesley: “O Michel tá doido”. Referindo-se à manutenção de Serraglio no ministério.

A nomeação de Torquato Jardim influencia no Ministério da Transparência, pasta que Jardim respondia. E o convidado para ser ministro da Transparência foi justamente Osmar Serraglio. Caso aceite a nomeação, quem assume sua vaga na Câmara dos Deputados é Rodrigo Loures, flagrado levando uma mala com R$ 500 mil em propina paga pela JBS a Temer, que seria utilizada para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Serraglio inclusive saiu em defesa de Cunha na época de sua prisão, dizendo que o episódio marcava “a queda da República”.

O senador do PV do Paraná, Álvaro Dias, criticou a escolha de Serraglio para o Ministério da Transparência. “Eu imagino que não fará bem para a biografia do ministro Serraglio aceitar ser joguete para atender a interesses da Presidência neste momento. É uma estratégia que leva em conta a utilização de altas funções da República para a defesa própria” .

A troca do ministro da Justiça ocorre uma semana depois que o governo federal anunciou o corte de despesas para as ações da Operação Lava Jato. Foram retirados 44% do orçamento previsto para a operação em 2017.