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Júlia Leão, egressa do curso de Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), une ciência e empreendedorismo ao tornar-se pioneira no Brasil na utilização de impressoras 3D para a produção de medicamentos. A santa-cruzense é uma das fundadoras da startup formula3D, que usa a tecnologia para reduzir erros de medicação e ampliar o acesso a remédios, com doses personalizadas e custo mais baixo.
Mas a trajetória de Júlia na pesquisa, inclusive de medicamentos, começou bem antes, ainda na graduação, em 2016. Ela participou de projetos de iniciação científica, atuando em pesquisas sobre tuberculose e tecnologia ambiental com as professoras Lia Possuelo e Lisianne Benitez. Também estagiou em farmácia de manipulação veterinária e adquiriu experiência de estudo na Universidade do Porto, em Portugal, por meio de intercâmbio acadêmico pela Unisc.
Em 2021, Júlia seguiu sua trajetória acadêmica no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas em Porto Alegre, onde trabalhou com o desenvolvimento e caracterização de formas de uso oral, voltadas para o tratamento de uma doença cardíaca em cães. No entanto, a pesquisadora relatou que durante a prática percebeu a dificuldade de administrar as doses aos animais, o que a fez encontrar um novo foco de pesquisa.

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“O meu projeto não foi tão simples. Os medicamentos que desenvolvi foram produzidos a partir de uma tecnologia super inovadora, a impressão 3D. Eu ingressei no grupo de pesquisa Nano3D, liderado pelo meu orientador, professor Ruy Beck, e coorientada pelo professor Diego de Andrade, que toparam o desafio de produzir medicamentos de uso veterinário por essa tecnologia. E é o tema da minha pesquisa até hoje no doutorado”, relata Júlia.
Foi a partir daí que surgiu a startup formula3D. Atualmente, a empresa recebe suporte das incubadoras Starts-HCPA, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e Hestia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). “Após diversos programas de aceleração, incubação e mentorias, a startup foi fundada em fevereiro de 2024. Foram longos anos de aprendizado e desconstrução do perfil acadêmico para um perfil empreendedor, e entendendo a melhor forma de colocar nossa solução no mercado”, revelou.
Como funciona a impressora
Para a produção dos medicamentos, a pesquisadora esclarece que o remédio é desenhado em um software nas dimensões e formatos desejados. O arquivo criado nessa ferramenta é reproduzido pela impressora, que vai depositar o produto, com alta precisão, diretamente no material de embalagem.
“Nós trabalhamos majoritariamente com uma técnica chamada extrusão semissólida (SSE, do inglês semisolid extrusion), que é uma técnica de extrusão muito similar a técnica popularmente conhecida dos filamentos que as pessoas usam, inclusive, para produzir objetos personalizados em casa. Na técnica de SSE, em vez de um filamento, nós utilizamos um semissólido (como géis, por exemplo) como material ou ‘tinta de impressão’. Esse semissólido é acondicionado em uma seringa, que é acoplada à impressora, onde se dá o processo de impressão”, explicou Júlia Leão.














