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Produção de tabaco | Preço em queda e clima desfavorável marcam a safra 2025/2026

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tiveram produção total de 710,2 mil toneladas

Dados foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira
Foto: Fabrício Goulart

Fabrício Goulart
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A safra de tabaco sul-brasileira 2025/2026 encerrou com uma produção total de 710.229 toneladas, considerando a colheita conjunta do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O resultado representa um recuo de 1,3% em relação às 719.891 toneladas colhidas no ciclo 2024/2025. Contudo, o grande impacto para os fumicultores esteve no bolso: a receita bruta dos produtores encolheu 11,9%, caindo de R$ 14,575 bilhões na safra anterior para R$ 12,835 bilhões no atual ciclo, impulsionada por uma queda de 10,8% no preço médio pago por quilo (de R$ 20,25/kg para R$ 18,07/kg).

Os números finais foram divulgados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, dia 26, pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A área cultivada no Sul do Brasil teve pequena retração de 0,3%, passando para 308.932 hectares, com 135.972 famílias envolvidas (redução de 1,5%) e produtividade média de 2.299 kg/ha (-1%). Do volume total produzido, a variedade Virgínia representou a ampla maioria (639.471 toneladas, ou 90% do total). O Burley somou 60.089 toneladas (+0,8%) e o Comum atingiu 10.669 toneladas (-11,6%).

Embora o Rio Grande do Sul seja o maior produtor de tabaco entre os três estados sul-brasileiros, representando 40,4% da produção com 286.603 toneladas, ele também foi o que sofreu maior impacto com o preço médio. Conforme o presidente da Afubra, Marcílio Dreschler, as diferenças entre os desempenhos estaduais se explica, em grande parte, pelo fator climático. Enquanto o Paraná e Santa Catarina plantam em períodos mais tardios, e foram contemplados com um clima mais favorável e produtividade estável ou em alta, o Rio Grande do Sul enfrentou chuvas intensas e frio prolongado.

No Vale do Rio Pardo, o único município que figura entre os principais produtores de tabaco é Venâncio Aires. Embora já tenha liderado o ranking em outras safras, em 2025/2026 ficou em quinta posição. Conforme Dreschler, a produtividade acabou prejudicada em comparação com polos produtivos catarinenses e paranaenses, como Itaiópolis e Rio Azul. “O maior impacto na produtividade é o fator climático. O Rio Grande do Sul, por cultivar em áreas mais baixas e centrais, foi mais impactado pelas intensas chuvas, gerando essa pequena redução na média geral do Estado”, explicou.

Comercialização tardia

Outro fator determinante para o desempenho financeiro foi o calendário de vendas. Historicamente, o produtor gaúcho costuma vender seu tabaco mais tarde, garantindo preços melhores. Na safra 2025/2026, porém, o cenário se inverteu.  As compras ganharam ritmo a partir de janeiro de 2026, com cotações mais favoráveis até meados de março. A partir daí, o mercado entrou em declínio progressivo. Produtores que comercializaram no final do período chegaram a receber até R$ 5,00 a menos por quilo.

Menos é mais

Com o início do planejamento para a safra 2026/2027, a orientação da Afubra é de cautela e moderação na área plantada. Diante de incertezas em outras culturas, muitos produtores tendem a manter ou até ampliar a lavoura de tabaco. Contudo, a entidade adverte sobre o risco de excedentes de produção continuarem pressionando as cotações para baixo.  “Nós sempre reforçamos junto aos produtores que o ‘menos é mais’. Quando há equilíbrio ou até uma ligeira escassez da oferta em relação à demanda, os preços médios sobem e remuneram melhor”, enfatizou Drescher.

A estimativa oficial inicial de área e produção para a safra 2026/2027 será divulgada pela Afubra no mês de novembro, após o levantamento consolidado do cadastro de pés inscritos no Sistema Mutualista da entidade. (com informações de assessoria de imprensa)

Desempenho da safra por Estado

EstadoProdução (t)Var. % ProduçãoReceita Bruta
Rio Grande do Sul286.603 t (40,4%)-5,5%R$ 5,071 bi
Santa Catarina223.643 t (31,5%)-1,1%R$ 4,104 bi
Paraná199.983 t (28,2%)+5,1%R$ 3,659 bi