
Foto: Gelson Pereira
A contratação de mão de obra temporária costuma reforçar o time das propriedades na época da colheita do tabaco, especialmente nas operações de colheita e carregamento das estufas. No entanto, o recurso também aumenta os custos de produção e pode comprometer a rentabilidade da safra. Diante desse cenário, entidades da cadeia produtiva intensificam um trabalho de conscientização para orientar os produtores sobre planejamento e adequação à legislação trabalhista.
Levantamento da Comissão Técnica Mista do Fórum Nacional de Integração (Foniagro) da Cadeia Produtiva do Tabaco mostra que a mão de obra representa atualmente cerca de 42% do custo de produção da cultura. A pesquisa aponta ainda que o tabaco exige, em média, 635 horas de trabalho por pessoa por hectare a cada safra. Coordenador do órgão, Carlos Sehn destaca que esse percentual já foi superior a 50% no passado. “A inserção de novas tecnologias, levadas pelos orientadores dentro do Sistema Integrado de Produção de Tabaco, reduziu os gastos do produtor”, explica.
Como parte da campanha de orientação, materiais distribuídos aos fumicultores trazem recomendações para uma safra mais segura e eficiente. Entre elas, está a busca por informações sobre as responsabilidades envolvidas na contratação de trabalhadores. A recomendação é que, antes de qualquer contratação, o produtor procure orientação junto ao seu sindicato.
Segundo Carlos Sehn, o primeiro passo é avaliar a real necessidade de recorrer à mão de obra terceirizada. “Um bom planejamento das atividades e dos períodos de trabalho, com plantios compatíveis com a mão de obra disponível na unidade familiar, bem como plantios escalonados em intervalos de tempo para que o produtor não precise contratar mão de obra, pode reduzir ou eliminar a necessidade de contratação”, afirma. A adoção dessas estratégias ajuda a evitar desembolsos desnecessários e contribui para ampliar a renda da propriedade. Outra alternativa é a troca de mão de obra entre vizinhos. “Cada decisão influencia o resultado da safra”, lembra.
Mobilização setorial
A campanha de conscientização é promovida pelas seguintes entidades: Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), federações dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) e do Estado do Paraná (Fetaep), e federações da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), de Santa Catarina (Faesc/Senar) e do Paraná (Faep). A cartilha com orientações sobre contratação de mão de obra está disponível para consulta no link https://l1nq.com/h6MEWj4.
Mão de obra lidera custos
Considerada o principal componente do custo de produção do tabaco, a mão de obra demanda atualmente 635 horas/homem por hectare. O índice foi apurado na revisão dos coeficientes técnicos do custo operacional de produção realizada em 2024, a partir de pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Cepa/Ufrgs). A metodologia utilizada para definir o valor de referência da remuneração, conforme a Lei da Integração, passa por revisão a cada cinco anos e considera a mensuração de mais de 500 itens, entre insumos, equipamentos, utensílios, instalações, benfeitorias, depreciações e demais custos fixos e variáveis da atividade.













