Cristiano Silva
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Divulgação / Henrique Kipper
Henrique Kipper já expôs seus trabalhos ao redor do mundo
e se prepara para lançar novos projetos
Desde pequeno toda criança aprende a desenhar. A maioria segue como hobby até certa idade, outras transformam a habilidade em desenho quando criança em pontapé inicial para uma formação acadêmica de cursos como Publicidade e Propaganda ou mesmo Engenharia, mas há algumas que seguem no desenho puro, e o transformam em trabalho de vida, como é o caso de Henrique Kipper.
“Toda criança desenha. Como sempre, as pessoas não começamadesenhar um dia. Em certo momento elas simplesmente se convencem de que não precisam parar de desenhar”, comenta Kipper, acrescentando ainda que a paixão pela leitura e pelos quadrinhos foi transmitida pela sua falecida mãe.
“Na verdade fui alfabetizado já com quadrinhos, pois ela já era leitora de quadrinhos nos anos 1950, então, desde os 7 ou 8 anos, escrevo histórias que ilustro ou quadrinizo. Quando fui levar as primeiras charges ao jornal Gazeta do Sul, já tinha muitos anos de prancheta, treinando e desenhando quadrinhos em estilo de super-herói”, revela o artista.
“Depois de várias visitas ao longo de vários meses, me deixaram publicar a partir de dezembro de 1987, e eu gostei da coisa. Passei a fazer três charges políticas por semana. Como viram que eu não iria desistir, a partir de certo momento decidiram me remunerar pelo trabalho, e assim continuei” relembraKipper, que na época chegou a publicar também a primeira história em quadrinhos(HQ) na revista Alto Falante.
O COSMOPOLITA KIPPER
Divulgação / Henrique Kipper
Henrique Kipper produziu trabalhos para o Jornal Público de Portugal
Nascido em Novo Hamburgo, Henrique Kipper, hoje morador da cidade de Guarulhos no estado de São Paulo, se criou em Santa Cruz do Sul, porém, em virtude do seu trabalho com quadrinhos, já girou o mundo. “Minhas famílias de origem, os Kipper e os Berlt, são do bairro Arroio Grande em Santa Cruz do Sul.Quando adolescente em Santa Cruz, ‘treinar’ para ser quadrinista e desenhista não era diferente, você fica todo seu tempo na prancheta, em casa”.
Por volta de 1988, Henrique estava cursando o primeiro ano de Comunicação Social em Santa Maria.No final do ano teve ofertas de trabalho no jornal Zero Hora e no jornal Diário Catarinense. O desenhista acabou optando pelo Diário Catarinense e começou a trabalhar lá em 1989. “Nessa época também publicava a tirinha Campus Stories”, comenta.
Em 1990 transferiu-se para a Folha da Tarde, em São Paulo e começou a publicar em revistas de HQcomo a Mil Perigos, a infantil Sport Gang e quadrinizações como uma biografia do Raul Seixas.“Em 1991 e 1993, tive experiências desenhando HQ para editoras dos Estados Unidos, mas logo retornei ao jornalismo e iniciei na Folha de São Paulo, onde publiquei até 2004”, relembra.
Mas ele não parou por ai. De 1999 a 2001 morou em Lisboa, Portugal, e publicou intensamente na imprensa lusitana. Retornando ao Brasil em 2001,foi organizador da publicação coletiva de HQ FRONT. A partir do site Catarse de crowdfunding (financiamento coletivo através da obtenção de capital de múltiplas fontes),Henrique foi convidado para ser palestrante do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) 2013 em Belo Horizonte no estado de Minas Gerais.
CROWDFUNDING E FUTURO
Divulgação / Henrique Kipper
Publicação do livro “Mondo Muerto” de Henrique Kipper deve sair em fevereiro de 2014
O sistema de crowdfunding ficou conhecido recentemente por ter viabilizado várias publicações, e Henrique não só lutou por projetos coletivos como participa de um crowdfunding com sua publicação. “Historicamente batalhei muito por projetos coletivos e mix de HQ, além de ter publicado em muitas obras coletivas. Recentemente resolvi publicar algo que coletasse trabalhos antigos espalhados meus em um só livro” revela Henrique referindo-se a obra “Lendas do Avesso” de sua autoria
O livro conta com cinco histórias em quadrinhos – “A Teologia Secreta de Samuel Korpervscky”, “A Cidade Muda”, “Marsupial”, “Laura: República de Estudante” e “Democracity” – que em seus enredos abordam de forma diversa a questão da desumanização na cidade industrial ou consumista, às vezes com humor, outras lírica ou tragicamente.
Para contribuir com o livro de Kipper, basta apenas fazer um cadastro rápido no site Catarse (catarse.me/pt/lendas) e clicar em uma das opções oferecidas na página do projeto. As doações podem ser pagas por boleto ou por débito em qualquer cartão. Caso o projeto não alcance o valor, há um sistema de reembolso.
Para o futuro, Henrique Kipper projeta a publicação do livro “Mondo Muerto”. “Estou neste momento correndo para finalizar material inédito e juntar ao que existe online. O livro ‘Mondo Muerto’ deve sair em fevereiro de 2014 (esse por financiamento de uma editora mesmo).Fora isso tenho um projeto maior de HQ em avaliação em um outro sistema de financiamento.Muitos quadrinhos tem sido publicados por esses sistemas, pois HQ é algo que obriga o profissional a ficar muitos meses (as vezes um ano) fechado trabalhando só naquilo. Temos que seguir sempre”.














