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Alunos em defesa dos professores

LUANA CIECELSKI
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Seguindo o exemplo de estudantes de todo o Rio Grande do Sul, alunos da Escola Estadual de Primeiro Grau Luiz Dourado de Santa Cruz do Sul, saíram em caminhada pelas ruas da cidade na manhã dessa terça-feira, 17 de maio. O objetivo foi mostrar apoio aos professores do Estado que estão em greve desde a última sexta-feira, 13. Eles também aproveitaram a oportunidade para convidar todos os estudantes, professores e comunidade santa-cruzense para um ato que será realizado na manhã de hoje, a partir das 9 horas, na praça Getúlio Vargas. 

Foto Luana Ciecelski Alunos do Luiz Dourado, apoiados pela UESC, percorreram as ruas de Santa Cruz ontem

A manifestação iniciou por volta das 8h30 quando cerca de 100 alunos da escola Luiz Dourado se reuniram em frente ao colégio. Contando com o apoio da União dos Estudantes Santa-Cruzenses (UESC) e do Sindicato dos Comerciários que cedeu um carro de som, os jovens decidiram sair em caminhada até a 6ª CRE e outras escolas estaduais, convidando seus alunos e professores para participar da caminhada e do ato de hoje. 

Entoando versos como “o professor é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”, e “Vem pra rua, vem”, os estudantes percorreram a Avenida Euclides Kliemann e em seguida a rua Marechal Floriano, passando em frente à Escola Estadual de Ensino Médio Santa Cruz. Em seguida, o grupo se dirigiu, pelas ruas Ramiro Barcelos e Ernesto Alves, até a CRE. Além de respeito aos professores e uma educação de mais qualidade, os alunos também manifestaram seu desagrado em relação à merenda oferecida dizendo “Sartori, vem comer bolacha com nós”. 

Depois alguns minutos de descanso junto à praça Siegfried Heuser, onde o presidente da UESC, Matheus Mello da Silva, agradeceu a adesão dos alunos, a caminhada seguiu pela rua Julio de Castilhos em direção à Escola Estado de Goiás e dali, pela rua Carlos Trein Filho até a Escola Ernesto Alves de Oliveira. Desse ponto eles retornariam à escola Luiz Dourado com um ônibus conseguido pelo Sindicato dos Comerciários. A Fiscalização de Trânsito Municipal acompanhou todo o trajeto dos estudantes, que em muitos momentos fecharam as ruas por onde passaram. 

Além dos estudantes do Luiz Dourado, na segunda-feira, 16, os jovens da escola Willy Carlos Frohlich, o Polivalente, também manifestaram seu apoio aos professores. Um grupo de cerca de 100 alunos se reuniu no pátio da escola durante a manhã, confeccionou cartazes e saiu às ruas da cidade.

O destino deles também foi a 6ª CRE, onde pretendiam conversar com o coordenador regional de educação Luiz Ricardo Pinho de Moura. Informados de que ele não estava na cidade, os estudantes saíram então pelas ruas da cidade, também com o objetivo de passar em outras escolas e convidá-las para aderir à causa. 

Ato regional acontece hoje

Depois das manifestações realizadas pelos alunos da segunda-feira e ontem, hoje, 18 de maio, é a vez dos professores se reunirem para manifestar seu desagrado com relação às atitudes do governo estadual. Esse movimento, que contará também com a participação de alunos, acontecerá a partir das 9 horas, na Praça Getúlio Vargas (em frente à Catedral São João Batista). 

De acordo com o diretor do 18º Núcleo do Cpers/Sindicato, Renato Aldo Müller, a ideia de realizar esse encontro geral dos professores, partiu dos próprios estudantes do Polivalente na manhã de segunda-feira. Por isso eles saíram às ruas convidando as demais escolas para participarem. 

Para Renato, essa integração que está havendo entre alunos e professores chega a ser emocionante. “Os alunos perceberam que os professores deles estão desprestigiados e desmotivados, perceberam que apesar de tudo isso eles continuam lutando para manter as escolas abertas, e então foram às ruas defender eles. Isso é muito importante para nós”, comentou. 

Durante o evento, que deverá reunir também professores e alunos de Vera Cruz, Venâncio Aires e Rio Pardo, os professores deverão reivindicar o fim do parcelamento de salários, o reajuste de 13,1% nos vencimentos, o cumprimento da lei do piso — que hoje estaria 69,44% defasado —, IPE (plano de saúde) com pleno atendimento e sem aumento de descontos, o fim do fechamento de turmas e escolas e a disponibilidade de merenda para todos os alunos. 

Segundo Renato, num primeiro momento o ato deverá acontecer apenas na praça Getúlio Vargas, porém, a Brigada Militar também já foi informada da possibilidade de que uma caminhada até a frente da 6ª CRE aconteça, se assim os alunos decidirem. Para que o evento aconteça, algumas escolas da cidade irão parar totalmente suas atividades. 

Santa-cruzenses na capital

Mas não foi só em Santa Cruz que houve manifestação de santa-cruzenses na manhã de ontem, 17. Em Porto Alegre, um ato organizado pelo Cpers, em frente à Secretaria Estadual de Educação também contou com a participação de integrantes do 18º núcleo, professores e alunos da região. 

O objetivo do evento, que contou com a participação de professores de todo o estado, foi pressionar o governo Sartori (PMDB) a atender a pauta de reivindicações da categoria que foi aprovada na Assembleia Geral do CPERS, dia 13 de maio. Na ocasião, o Comando de Greve do CPERS foi recebido para uma audiência com o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi e o secretário de Educação em exercício, Luis Antônio Alcoba de Freitas.

De acordo com Renato, a reunião, no entanto, não teve resultados momentâneos. “O Estado continua alegando problemas de caixa. São as mesmas desculpas de sempre sem que se apresente uma justificativa plausível”, disse. 

Enquanto o governo não apresentar propostas, porém, os professores pretendem manter a greve que está sendo apoiada pelos estudantes. Em todo o RS, na tarde de ontem, já eram 36 escolas ocupadas por alunos manifestantes. “Se a situação não melhorar até quinta-feira, o Estado precisa estar preparado. Os professores e alunos estão indo cada vez mais pra cima deles (dos governantes)”, alertou Renato.