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Fabrício Goulart
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O Dia do Aposentado será celebrado amanhã e a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Santa Cruz do Sul (Apopesc) chama a atenção para os desafios enfrentados por quem já contribuiu durante toda a vida e, hoje, luta para manter o básico. Com quase 44 anos de atuação no município, a entidade acompanha de perto a realidade dos aposentados e pensionistas da região.
O presidente da Apopesc, Natalino Bucher, ressalta que o principal desafio está relacionado aos baixos reajustes concedidos pelo governo aos benefícios. “A dificuldade, realmente, é que o governo está dando um reajuste baixinho. A gente fica à mercê”, afirma. Já o vice-presidente, Luís Fernando Kelber, detalha os números e reforça o impacto direto no dia a dia.
“O salário mínimo teve reajuste de 6,79%, mas quem ganha acima disso recebeu apenas 3,9%. Isso representa R$ 100,00 ou R$ 200,00, quando muito”, aponta. Para Kelber, os pensionistas ainda enfrentam outro problema: o benefício de pensão por morte, que antes era integral, passou em muitos casos para 60% da média salarial. “É como se essas pessoas não precisassem viver”, reclama.
Diante do cenário, os dirigentes apontam que os custos básicos seguem em alta. “O poder aquisitivo das pessoas está cada vez menor, mas a água, luz, mercado e outros serviços aumentaram exageradamente”, destaca Kelber. Bucher lembra que os gastos com saúde pesam ainda mais. “A farmácia aumenta todo ano em abril, e a maioria precisa tomar remédios”, acentua. “Infelizmente, com a idade é preciso cada vez mais tomar remédios”, reforça o vice-presidente.
Um reflexo da renda insuficiente é o retorno de muitos aposentados ao mercado de trabalho. “Existe muita gente que precisa voltar, geralmente para subempregos, apenas para complementar a renda”, observa Kelber, ressaltando ainda que, além de trabalhar novamente, muitos ainda precisam pagar Imposto de Renda. O presidente Bucher relata a própria experiência. “Paguei duas vezes. Eu trabalhei 14 anos depois de me aposentar e paguei INSS novamente. Esse dinheiro não recebemos de volta, segue para o governo”, atesta.
Escândalo nacional diminui o número de associados
Como entidade representativa, a Apopesc também enfrenta dificuldades após mudanças no sistema de desconto em folha do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O escândalo dos descontos indevidos no INSS, que envolveu desvios bilionários por associações de fachada, entre 2019 e 2025, culminou na aprovação de uma nova legislação para proteger aposentados e pensionistas.
Natalino Bucher explica que, antes, a associação contava com cerca de 1,5 mil associados e hoje são aproximadamente 700. “Agora precisamos trabalhar com carnês para manter a associação”, explica o presidente da entidade, destacando que as associações não puderam ser renovadas automaticamente.
Neste sentido, Luís Fernando Kelber destaca que o fim do desconto em folha foi especialmente prejudicial. “Em um mês ficamos sem nenhum associado. Todos foram colocados no mesmo ‘pacote’ por causa de irregularidades que nem aconteceram no Rio Grande do Sul”, protesta.
Os dirigentes pedem que os antigos associados que querem continuar aproveitando os serviços da Apopesc procurem a entidade. “A pessoa se associa e já pode usufruir dos benefícios”, explica Kelber. Entre as vantagens estão clínico geral, dentista, fisioterapia, acupuntura, yoga e massoterapia. Além de aposentados e pensionistas, a associação está disponível a simpatizantes. Quem está prestes a se aposentar também pode buscar apoio jurídico.
A emissão da carteirinha de associado custa R$ 30,00 e a mensalidade é de R$ 25,00. Há a opção do pagamento anual de R$ 273,00, o que equivale a R$ 23,00 por mês. Com dependente, o valor é de R$ 40,00 mensais. A sede da entidade fica na Rua Sete de Setembro, 503, fundos, e o telefone é (51) 3717-2736.
Pagamentos do INSS começam nesta segunda-feira
Os cerca de 35 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vão começar a receber aposentadorias, pensões e auxílios em 2026. O calendário oficial, divulgado em dezembro, marca o início dos depósitos a partir desta segunda-feira, 26, contemplando quem recebe um salário mínimo.
Para esse grupo, os pagamentos seguem até 6 de fevereiro, conforme o número final do cartão de benefício. Já os segurados com renda superior ao mínimo terão os valores creditados entre 2 e 6 de fevereiro. A organização do calendário mantém o padrão dos anos anteriores, com cronogramas distintos para cada faixa de rendimento.
Além das datas, o INSS confirmou que os reajustes do salário mínimo e dos benefícios acima desse valor, em vigor desde janeiro, só serão incorporados aos pagamentos no fim do mês, após a conclusão da folha. A consulta aos valores pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, no site meu.inss.gov.br ou pela central telefônica 135, disponível de segunda a sábado, das 7 horas às 22 horas, mediante confirmação do CPF e dados cadastrais. (Com informações da Agência Brasil)














