
Nelson Treglia
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Prestes a viver sua estreia em competições nacionais, o Esporte Clube Avenida possui torcedores de diferentes gerações, que irão acompanhar a participação do alviverde na Copa do Brasil. Entre os avenidenses mais tradicionais está Clóvis Koppe, mais conhecido por Chico, que é filho do primeiro presidente do clube. Chico Koppe conversou com o ‘Riovale Jornal’ e conta as histórias de um clube tradicional em Santa Cruz do Sul e no Rio Grande, que agora está próximo de jogar contra o Guarani de Campinas. Confira a entrevista:
AVENIDENSE DESDE CRIANÇA
“Desde neném, minha mãe e meu pai me levavam aos jogos, no colo. Em minha família, ser periquito é uma ‘doença’ em função de o meu pai ter sido o primeiro presidente na fundação do clube (Arno Evaldo Koppe). Com dois anos, assisti à grande final de 1951 contra o Futebol Clube Santa Cruz em Cachoeira do Sul.”
GRANDES TIMES
“O primeiro grande ano foi 1964, quando o Avenida se tornou campeão profissional da cidade. Time: Rômulo; Belini, Borowski, Pedro Celso e Caneco; Adauto e Sadi (Camanga); Boca, Betinho, Carnaval e Ernani. Foi também vice-campeão da Segunda Divisão de profissionais do estado. O presidente era Roberto Künzel, vice de futebol Maximiliano Silveira e técnico Moacir Silveira.
Outro grande ano foi 1966, seguramente o ano em que o Avenida mostrou o melhor futebol em sua história. O técnico foi o famoso Daltro Menezes. Time: Volmir; Baiano, Gunga, Moacir e Nerí; Caio e Laone; Flecha, Antoninho, Manoel e Ademir Galo. Começaram a jogar em fevereiro e perderam os únicos dois jogos em novembro para o Grêmio Bagé. Vários jogadores seguiram carreira, o Flecha foi para o Grêmio, América do Rio e Seleção Brasileira. O Gunga foi para o Inter, Atlético Paranaense e futebol mexicano. O Caio foi para o Juventude, o Grêmio e o Coritiba. O Laone jogou no Inter. O Manoel jogou no América do Rio, que era um time grande naquela época.”
FUSÃO
“Depois, veio uma fase não tão boa, que culminou na fusão com nosso tradicional rival, o Futebol Clube Santa Cruz, formando a Associação Santa Cruz de Futebol, a qual teve um grande ano chegando em terceiro lugar do Gauchão.
A fusão não deu muito certo, vivendo o patrimônio do Galo um grande progresso e o do Avenida no abandono. Aí nos reunimos, o doutor Nestor Kaercher, nosso patrono; o senhor Álvaro Assmann e eu decidimos romper o contrato de fusão. Abrimos um time de juvenis em 1977. Profissionalizamos em 1978 e fomos vice-campeões da Segundona, proporcionando o primeiro acesso à Primeira Divisão de nossa história. Jogamos em 1979 e 1980 na Primeira Divisão.”
DIRIGENTE
“Quanto ao meu trabalho, fui vice-presidente em 1978, e vice de futebol, novamente diretor de futebol profissional em 1979 e presidente em 1980. Trabalhei em cargos menores em 1984 e 1985 e fui novamente vice de futebol em 1987. Em 1990, formamos um grande time vencendo três fases e chegando somente em quarto lugar nas finais. Gastamos muito dinheiro em um time caro e não chegamos. Em 1991, na gestão de Ênio Farah, com atenção focada mais em obras, fizemos um time caseiro e chegamos em terceiro lugar. Em 1997, fui novamente vice de futebol. Descansei uns anos e voltei à função de vice de futebol profissional na gestão de José Lambert (2002). Fizemos uma baita campanha, chegando no segundo lugar, só não subindo por causa de o Glória de Vacaria ter feito um gol pró a mais. Empatamos em quatro critérios e só perdemos neste. Havíamos vencido ao Brasil em Pelotas com assistência de 17.500 pessoas, recorde no Estádio Bento Freitas.”
CHEGADA DE JAIR EICH
“O clube chegou a ficar abandonado e sem presidente. Criamos um conselho de notáveis com outros nove avenidenses e resolvi fazer uma parceria com o futebol do interior através do vereador Elstor Desbessell, do Mário Trevisan e do Jair Eich, então dirigente do Aliança de Boa Vista. Creio que dei ‘um tiro na lua’, pois só conhecia o Elstor do PMDB. Perguntei a ele se conhecia o Jair, e ele confirmou. Eu pedi uma reunião e firmamos a parceria, que dura até hoje, com o Jair cuidando do futebol mesmo nos anos em que outro presidente assume. No momento atual, ele é o presidente, e o filho (Guilherme Eich) é o diretor de futebol, levando o Avenida em 2018 ao ponto mais alto de sua história de 75 anos. Acho que, apesar de ter sido diretor por muitos anos, o melhor que eu fiz pelo Avenida foi ser um dos que romperam a fusão – senão nosso clube iria desaparecer fatalmente – e a escolha do Jair para a parceria no futebol. Que a parceria feita em 2004, dure muitos anos mais, pelo bem do clube que está bem administrado.”
FAMÍLIA
“Quanto a minha família, é óbvio que os filhos e netos todos se tornaram avenidenses. Com meu pai primeiro presidente, meu tio Maurício Koppe terceiro presidente e eu presidente em 1980, espero que daqui a alguns anos um dos meus dois filhos homens se torne presidente do Avenida e, por que não, um neto também, seguindo a tradição dos Koppe.
Meu neto de 13 anos já atua nas categorias de base, minha neta de seis anos não perde jogo e assiste fardada. Um dos meus filhos já atuou como fisioterapeuta do clube e participou dos acessos de 2008 e 2011 (Clóvis Koppe Júnior). O outro faz parte da diretoria hoje (Fernando Koppe). Creio que já dei minha contribuição ao clube e hoje assisto a 90% dos jogos fora e a todos em casa. Procuro sempre ajudar o clube quando tem campanhas financeiras.”
COPA DO BRASIL
“Cheguei aos 70 anos, e Deus me deu a graça de ver o Avenida crescer e deixar de ser meramente um clube com tradição na Segunda Divisão para passar a participar de competições de nível nacional, como a Copa do Brasil e a Série D, que é a quarta divisão nacional – graças ao esforço e à competência do Jair Eich e da diretoria que o assessora.” (pela Copa do Brasil, o Avenida joga dia 13 de fevereiro contra o Guarani/SP nos Eucaliptos)














