Viviane Scherer Fetzer
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Foi lançado em dezembro pelo Ministério da Cultura (Minc) o novo cadastro de bibliotecas públicas e comunitárias do país. Os números atuais indicam que 112 dos 5.565 municípios brasileiros não contam com espaços públicos de leitura, embora o país tenha 6.701 bibliotecas públicas já cadastradas e em torno de 3 mil comunitárias. Na região todos os municípios possuem biblioteca pública municipal em funcionamento.
De acordo com o diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Minc, Volnei Canônica, o novo cadastro, lançado no evento Território Leitor, que ocorreu no dia 1º de dezembro em Brasília, permitirá colocar os equipamentos em rede para troca de informações e experiências. O país, segundo Canônica, não tem bibliotecas em número suficiente para atender a população. Um exemplo é o estado do Rio de Janeiro que tem o menor número de bibliotecas por habitantes no país, é uma biblioteca para cada 110 mil habitantes. O diretor ainda explica que é preciso investimento e políticas públicas para melhorar a rede e alcançar todas as cidades. “O Ministério da Cultura, que coordena o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, dá as diretrizes para abertura das bibliotecas, orienta como tem de ser essa abertura, a formação, dialoga com o gestor público. Mas cabe a cada município e a cada estado a estrutura física do local, os funcionários para atuar nessa biblioteca, o bibliotecário”.
Conforme o diretor do Minc, a modernização dos equipamentos vai muito além da infraestrutura, também envolve os projetos de incentivo à leitura. “Um projeto mais arrojado, mais moderno, misturando linguagens para levar novos leitores à biblioteca é um projeto de modernização, assim como a biblioteca ter um espaço para dialogar com a comunidade. Modernização não é só ter equipamentos mais velozes, mais modernos, um software mais dinâmico. A modernização desses equipamentos culturais se dá por um novo olhar, um olhar mais protagonista, mais inaugural para as ações de promoção de leitura”, explica Canônica.
Em Santa Cruz
A Biblioteca Pública Municipal Professora Elisa Gil Borowski, de Santa Cruz do Sul, localiza-se na rua Coronel Oscar Rafael Jost, nº 1551, conta com um acervo de 11.390 exemplares cadastrados. Segundo o bibliotecário, Jair Teves, há uma grande procura das pessoas para aproveitar a parte de estudos principalmente para vestibular ou utilizar os computadores para pesquisas. “Temos muitas oficinas também para trazer o pessoal para cá porque a rotina de procura é grande, mas poderia ser maior se estivéssemos em outro lugar”, explica.
A Biblioteca promove oficinas de xadrez e de Moda Barbie, esta última inicia na próxima segunda-feira, com incentivo à leitura dos livros que falam sobre xadrez e sobre história da moda, ou sobre a economia que a produção de roupas movimenta. “Temos um diferencial com os livros de xadrez, pois somos a biblioteca pública do Rio Grande do Sul com maior número de livros sobre o assunto e usamos isso a favor dos participantes da oficina incentivando a interpretação de textos que resulta na melhora das notas deles nas escolas”, conta Teves. A ideia das oficinas é de fazer com que as crianças associem a biblioteca a um espaço para brincadeiras, para isso todo o acervo infanto-juvenil foi transferido para uma sala no segundo andar do prédio que permite a realização de brincadeiras e práticas lúdicas por ter um espaço maior.
Valquíria Ayres, escritora e funcionária da biblioteca, promove oficinas de criação literária com crianças, professores e turmas de escolas. Segundo ela, essas atividades despertam a criatividade das crianças e aproximam da biblioteca. Os participantes ficam sabendo das oficinas através da imprensa e pelos professores que falam nas salas de aula. Projetos de incentivo à leitura podem ser sugeridos à biblioteca e parcerias entre empresas ou entidades também podem ser realizadas. A biblioteca de Santa Cruz não realiza aquisição permanente de livros. “Às vezes a Secretaria de Educação compra alguma coisa e fora isso recebemos doações que são avaliadas e colocadas no acervo. O problema é que muitas vezes não temos os livros ‘febres do momento’ e acabamos não conseguindo atingir um maior público”, ressalta o bibliotecário Jair Teves.
Segundo o bibliotecário, a localização não favorece muito a procura pelo acervo. Existem projetos e tentativas para mudar a biblioteca de lugar, “mas dependemos de verbas públicas e da política, não estou falando que é ruim, mas acaba atrasando tudo”, explica Teves. A lei que criou a biblioteca pública é uma lei provisória de 1998 e não foi alterada. Segundo Teves, sabendo da situação em que se encontra a saúde e a segurança, não tem como exigir que o dinheiro seja investido na biblioteca. “Sabemos que os investimentos vão para a saúde, se acontecer um acidente a pessoa vai para o hospital e não para a biblioteca, é uma coisa que precisamos entender”, ressalta.














