
VAGNER CERENTINI
[email protected]
Sorte de quem pôde estar na Arena de Shows na última quinta-feira, pois lá esteve uma das bandas com mais história deste país. Em uma noite chuvosa, mas não tanto ao ponto de atrapalhar o espetáculo, Biquíni Cavadão fez um verdadeiro show de rock.
A banda faz sua turnê conhecida como “Me leve sem destino” em comemoração aos 30 anos de estrada. Desde o lançamento, em março, na capital mineira Belo Horizonte, já percorreram várias cidades brasileiras.
Após 17 anos da última vez em que tocou em Santa Cruz, o Biquíni Cavadão subiu ao palco novamente e fez com que o púbico se deslumbrasse com suas músicas. Com início às 23h, a banda abriu a noite tocando “Tédio”, um de seus grandes sucessos. Ao decorrer do show, Bruno Gouveia, vocalista da banda, brincava com o público e fazia com que participasse pulando, mexendo as mãos e até mesmo cantando algumas partes de suas músicas.
Em um determinado momento, Bruno chamou uma pessoa da plateia para cantar junto a ele no palco. Muito simpática, a banda entusiasmou o público durante todo o show e suas músicas foram uma viagem no tempo, por fazer parte da vida de muitas pessoas nos anos 90. O vocalista desceu do palco e juntou-se à plateia durante a música “Zé ninguém”, onde muitos fãs aproveitaram o momento para tirar fotos. Ele ainda brincou com o mau tempo. “As músicas ‘Chove chuva’ e ‘Vento ventania’ foram composições nossas, mas a culpa dessa chuvarada que está acontecendo não é nossa.”
Aproximando-se do fim do espetáculo, a banda fez covers de bandas clássicas como AC/DC, Nirvana, Metallica, Deep Purple, etc. No show o grupo também apresentou algumas músicas inéditas, a canção “Livre” foi composta durante as manifestações de julho de 2013, e é uma reflexão sobre a liberdade que todos queremos e buscamos ao mesmo tempo em que nos questionamos.
Bruno chamou atenção para o final do show e fez referência sobre quando estavam começando a carreira. “No início, nós não tínhamos tantas músicas para tocar, então abríamos o show tocando ‘Tédio’ e encerrávamos tocando ela novamente. Como nossa turnê é em comemoração aos 30 anos de Biquíni Cavadão, vamos fazer isso novamente para relembrar os velhos tempos”, explicou o vocalista.
E assim se encerrou o show do Biquíni Cavadão. Após 17 anos sem tocar em Santa Cruz, eles voltaram e deram a todos um grande espetáculo, onde muitas pessoas que estiveram no último show deles há 17 anos puderam assistir novamente e matar a saudade.

Coletiva
Durante a tarde, antes da apresentação, a banda deu uma coletiva para a imprensa. Para a coletiva todo o quarteto se fez presente, Bruno Gouveia, Carlos Coelho, Miguel Flores da Cunha e Álvaro Birita. O primeiro assunto foram seus 30 anos de carreira.
“Para se manter 30 anos em atividade, o segredo é sempre tentar produzir música boa e, acima de tudo, haver respeito entre músicos”, disse o vocalista a respeito da banda nunca ter parado. “Outro fator que faz com que uma banda nunca termine, é manter contato com o público sempre, hoje temos a internet que nos ajuda muito”, relatou.
Ele fala que a relação que tem com os fãs é muito forte. “A última vez que tocamos, eu fiquei após o show o mesmo tempo que fiquei no palco atendendo o público”, explicou.
“Temos muitas histórias, durante esses 30 anos de atividades viajamos por diversos lugares do Brasil e me lembro de que fomos muito bem recebidos em Santa Cruz na última vez que estivemos aqui”, afirma Bruno Gouveia.
Álvaro Birita, baterista da banda, diz que muita coisa mudou ao longo da carreira. “Estar em uma gravadora já não faz tanta diferença hoje como fazia naquela época”, salientou o baterista.
Em relação à evolução das tecnologias, foi perguntado como eles lidaram com as transformações que a música sofreu. “Me irrito muito com pirataria, da pessoa dar dinheiro para alguém que não colaborou com o trabalho do músico”, comentou Bruno.
Como eles foram a primeira banda a ter um site, a visão deles sobre isso já é mais tranquila. “Encaramos a internet de forma natural, é uma ferramenta a mais para nos aproximar de nossos fãs, é fato que muitas pessoas utilizam ela para baixar músicas, mas existem sites que são pagos e não caracterizam o ato como pirataria.”
Sobre os novos estilos musicais, o grupo também diz não se preocupar muito. “O rock já foi a bola da vez”, disse Miguel, tecladista da banda. “Sempre existiram diversos estilos musicais, respeitamos a opção do outro, mas hoje o rock não está tão em alta, o que é uma pena”, relatou.
Segundo Bruno, o nome da banda Biquíni Cavadão foi uma sugestão de um amigo. “Muitos acham que somos uma banda que vive no litoral, mas nós nem vamos à praia”, brincou.
Estilo musical
“Ao longo dos 30 anos, sempre tentamos fazer músicas boas, algumas vezes chegamos a mudar um pouco o nosso estilo, isso é perceptível em alguns álbuns, mas isso é normal em uma banda”, explicou o vocalista. Bruno diz que suas influências vêm de várias bandas. “Uma que ouço muito é Muse, recentemente é a que mais tenho ouvido.”
Já o guitarrista Carlos diz ser fã de Beatles. “Eles são os precursores, pois foram a primeira banda a compor e tocar suas próprias músicas, serviram de referência para todas as bandas que vieram depois deles”, declarou.
Bruno lembra que antigamente não se tinha tanta facilidade para ouvir música como hoje em dia. “Nada é melhor que você ser surpreendido por uma música que está tocando no rádio, pois aquele som que o radialista seleciona pode muitas vezes lembrar você de um momento que marcou sua vida.”














