
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
As mulheres estão à frente de 19% dos estabelecimentos rurais brasileiros, segundo o estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, divulgado pela Fundação IDH em 2026. No Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado em 15 de outubro, a participação feminina nas decisões produtivas e o acesso a oportunidades de desenvolvimento ganham destaque como fatores importantes para o futuro da agricultura familiar.
Nesse contexto, a JTI afirma investir em iniciativas voltadas à capacitação de produtoras rurais. Com cerca de 12 mil produtores integrados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a empresa alia assistência técnica a ações de desenvolvimento comunitário. Entre os programas está o Força Feminina em Campo, iniciativa voltada ao aprendizado e à troca de experiências para ampliar a participação das mulheres dentro e fora da propriedade rural.
A história da produtora rural Jordana Helena Haas, de 28 anos, ilustra essa realidade. Natural da comunidade de Linha Taquaral, no interior de Arroio do Tigre, ela é técnica em agropecuária e administra a propriedade ao lado do companheiro, Anderson. O casal produz tabaco exclusivamente para a JTI há seis safras.
O interesse pela formação profissional surgiu ainda na adolescência, quando Jordana acompanhava o trabalho dos técnicos da companhia na propriedade dos pais. Durante o ensino médio, integrou a primeira turma do curso de técnicas agrícolas e gestão ligado ao programa Alcançando a Redução do Trabalho Infantil Pelo Suporte à Educação (Arise). Foi nesse período que conheceu Anderson. Mais tarde, os dois ingressaram no curso técnico em agropecuária, em Carazinho.
Os resultados da qualificação apareceram logo na primeira safra conduzida na propriedade do pai. Com apoio dos técnicos da JTI, Jordana alcançou produtividade de 12 arrobas por mil plantas, enquanto a produção tradicional da família variava entre sete e oito arrobas. A diferença fez com que o pai passasse a destacar aos visitantes a qualidade do tabaco produzido pela filha.
“Eu escutei em vários momentos do meu pai que ele estava há 30 anos fazendo uma atividade, estava dando certo, e que o estudo de um ano e meio de curso técnico não poderia revolucionar tanto. Aquela safra foi uma maneira de eu mostrar para ele que o conhecimento dele, atrelado com o que eu tinha aprendido no curso, poderia nos trazer muito mais rentabilidade, com mais qualidade e menos sofrimento físico”, relata Jordana.
Assistência técnica e cuidado com os recursos naturais
O acompanhamento técnico oferecido aos produtores integra a estratégia de sustentabilidade da JTI. Em parceria com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), a empresa mantém o programa JTI Bio, voltado à disseminação de boas práticas agrícolas e à conservação da biodiversidade nas propriedades de produtores integrados.
Na propriedade administrada por Jordana Helena Haas e pelo companheiro, Anderson, a adoção de técnicas de manejo contribuiu para o aumento da produtividade e da capacidade operacional da atividade. Antes conduzida pelo pai dele, a área passou a contar com análise e correção do solo, cobertura vegetal e sistema de plantio direto.
Segundo Jordana, a produtividade saltou de cerca de sete para 15 arrobas por 1 mil plantas na safra passada. O resultado foi alcançado com investimentos em irrigação e melhorias no manejo da lavoura. A estrutura de cura também foi ampliada, passando de aproximadamente 20 mil para 60 mil plantas, o que reduziu a necessidade de utilizar instalações de vizinhos e familiares.
Além das mudanças produtivas, a família mantém ações voltadas à conservação ambiental, como a preservação de nascentes e a manutenção da cobertura do solo para minimizar processos erosivos. Jordana participou de atividades do JTI Bio e de dias de campo promovidos pela companhia e deverá integrar um projeto ligado à agronomia regenerativa.
De acordo com a produtora, a assistência técnica segue como a principal referência para a tomada de decisões na propriedade. “Hoje, se tiver qualquer dia de campo ou iniciativa da JTI de que seja possível participar, a gente se esforça para ir, porque esse conhecimento faz a diferença para nós. Cada detalhe que aprendemos em cada atividade faz diferença lá na frente. A produtividade não depende de uma boa prática isolada. A agricultura é um conjunto de decisões que começa no cuidado com o solo e se estende por todas as etapas da produção e do manejo, conforme cada realidade”, afirma.
Conhecimento que ajuda a preparar a sucessão
Além de aplicar as técnicas aprendidas na própria propriedade, a produtora rural Jordana Helena Haas participa de uma iniciativa voltada à disseminação de conhecimento entre agricultores da região. Ao lado de familiares, entre eles técnicos e agrônomos, ela criou o Solo Mais, projeto sem fins lucrativos que promove encontros em lavouras para a troca de experiências e o compartilhamento de boas práticas agrícolas.
A proposta é reunir produtores em suas propriedades para apresentar manejos, discutir resultados e estimular o aprendizado coletivo. Segundo Jordana, o objetivo também é ampliar o acesso à informação e mostrar aos jovens que a atividade rural pode oferecer perspectivas de desenvolvimento e permanência no campo.
“A gente quer que essa informação chegue a mais pessoas. Como funcionou para nós, a gente quer que funcione para os outros também. É mostrar uma maneira diferente de fazer agricultura, com um pouquinho mais de consciência e um pouquinho menos de sofrimento físico. O projeto é sem fins lucrativos. A gente faz para passar a informação para os produtores e para aprender com eles também”, afirma.
A experiência da produtora reflete a combinação entre assistência técnica, capacitação e iniciativas de valorização da mulher rural promovidas pela JTI. Por meio dessas ações, a companhia busca ampliar a participação feminina nas decisões das propriedades e contribuir para a geração de oportunidades de desenvolvimento para produtoras e suas famílias no meio rural.













