Cristiano Silva
Cristiano Silva

Espaço cultural histórico está participando
da 12ª Semana Nacional de Museus

Espaço cultural histórico está participando
da 12ª Semana Nacional de Museus
Um mundo no passado. Em uma sociedade cada vez mais do futuro, onde novas tecnologias estão sendo inventadas dia após dia, novas ferramentas virtuais, novas estratégias de mercado, ou mesmo novos formatos de comunicação, é cada vez mais difícil encontrar pessoas, empresas ou instituições, que busquem valorizar e apreciar o verdadeiro alicerce a todas as novidades tecnológicas do presente: o passado.
Um símbolo cultural de Santa Cruz do Sul, que sempre se fez presente em muitas gerações da população santa-cruzense que ao menos deram uma passada por lá quando estudavam em algum colégio ou mesmo na faculdade, o Museu do Colégio Mauá (Marechal Floriano, 274), segue sua rotina anual de exposições dos mais diversos objetos e peças, em alguns casos, da história mundial.
ACERVO
Cristiano Silva

A diretora do museu, Maria Luiza, mostra o espaço não pintado do quadro feito por
Kurt Willy Thurm, revelado pelo filho do pintor, Kunibert Thurm, em 2005

A diretora do museu, Maria Luiza, mostra o espaço não pintado do quadro feito por
Kurt Willy Thurm, revelado pelo filho do pintor, Kunibert Thurm, em 2005
O Museu do Colégio Mauá construiu seu acervo com doações feitas pela comunidade regional no decorrer de seus 48 anos, como conta a atual diretoria do espaço, Maria Luiza Rauber Schuster. “É tanta coisa que não conseguimos expor tudo. O Museu possui mais de 100 mil peças. Atualmente em exposição temos cerca de 12 mil. O restante fica guardado em duas salas de reservas técnicas em que armazenamos o material que não está exposto”, enfatiza a diretora do museu, que revela ter peças de relevância histórica mundial como, por exemplo, objetos que vieram da Mesopotâmia ou mesmo fragmentos do muro da Babilônia, peças que possuem mais de 4 mil anos.
Em tanto tempo de história, o Museu do Colégio Mauá guarda algumas situações bem curiosas. Uma delas, ocorrida em 2005, chamou a atenção de Maria Luiza.
“Um dia eu, nas limpezas e organizações das reservas técnicas, encontrei uma tela que estava com a moldura muito comprometida pela ação dos cupins. Para salvar a obra, tirei a moldura a fim de recuperá-la. A tela, pintada a óleo, retratava a Prefeitura Municipal de Santa Cruz e, além de estar inacabada e sem assinatura, não tinha qualquer informação no caderno de registros. Dentro disso, em uma exposição que fizemos em 2005 para o centenário da estação férrea, eu a expus. Até aí tudo bem, porém em um acerto momento da exposição, um ex-aluno do Colégio Mauá que mora em São Paulo, Kunibert Thurm, que sempre vem nos visitar, ao passear pelo museu disse: ‘Eu não acredito! Onde tu encontraste isso? Isso aqui foi o meu pai que pintou!’”, destaca Maria Luisa, que completa:
“Eu não acreditava, mas ele deu mais informações, dizendo inclusive que seu pai, Kurt Willy Thurm, nunca havia terminado o quadro por ter colocado um defeito na obra, uma parte onde errou a perspectiva do terreno e por isso não quis dar sequência. Eu nunca havia tido nenhuma informação e até então eu não sabia quem era o autor daquele quadro, mas graças àquele momento que eu pus o quadro ali, aparece esse visitante que vem duas vezes por ano para Santa Cruz, entrou no museu para nos visitar e achou o quadro que o pai dele pintou. Essa história me marcou muito”, enfatiza Maria Luiza, que revela ser da década de 50 a pintura.
Todo este trabalho, porém, ocasiona custos, estes que muitas vezes não são compreendidos pela própria comunidade que bebe da história exposta no Museu.
“Muitas vezes escutamos ‘Ah, mas pra olhar museu tem que pagar?’. Como vamos manter o museu se não temos patrocínio, não temos ajuda do poder municipal, nem do estadual, nem do federal? O ingresso é a única forma que temos e ajuda muito pouco, não cobre o que o Museu precisa para se manter. Podemos comprar um álcool, um detergente, ou produtos do gênero, mas não mais que isso. Não paga luz, água, funcionários ou impostos”, ressalta Maria Luiza.
SEMANA NACIONAL DO MUSEU
Cristiano Silva

“Na fragilidade, a beleza” é a exposição que o Museu do Colégio Mauá inscreveu na 12ª Semana
Nacional de Museus, que este ano tem como tema “Museus: as coleções criam conexões”

“Na fragilidade, a beleza” é a exposição que o Museu do Colégio Mauá inscreveu na 12ª Semana
Nacional de Museus, que este ano tem como tema “Museus: as coleções criam conexões”
Buscando divulgar o trabalho realizado nos museus, a Semana Nacional de Museus acontece anualmente para comemorar o Dia Internacional de Museus (18 de maio), quando estes locais históricos brasileiros, convidados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), desenvolvem uma programação especial em prol dessa data.
Nesse ano, a sua 12ª edição ocorrerá entre os dias 12 e 18 de maio, quando instituições museológicas de todo o país promoverão atividades em torno do tema “Museus: as coleções criam conexões”.
Não ficando de fora, o Museu do Colégio Mauá participará do evento como é de costume, desta vez apresentando a exposição – inaugurada no último dia 2 de abril – “Na fragilidade, a beleza”, que explora a delicadeza de uma grande coleção de borboletas e mariposas, além de apresentar diversos modelos de máquinas fotográficas antigas.
“O Museu do Colégio Mauá participou desde o início das Semanas Nacionais de Museus. O Ibram seleciona os museus de todo o país inscritos no projeto e elabora um material de divulgação trazendo o que cada museu ofereceu. O material referente a essa edição deve chegar nas próximas semanas”, destaca Maria Luiza.
Ao participar da Semana Nacional de Museus, automaticamente o Museu do Colégio Mauá está inserido dentro de toda a divulgação nacionalmente feita pelo Ibram, através de folders, cartazes e banners.
O atendimento do Museu do Colégio Mauá acontece de terças a sextas-feiras das 14h às 17h, com atendimento fora do horário apenas com agendamento prévio feito pelo telefone 51 3715 0496.














