Início Sem categoria Com a magia do cinema nas mãos

Com a magia do cinema nas mãos

Cristiano Silva
[email protected]

Regina Colombelli

Dos rolos de película a um pequeno HD, desenvolvimento
da 7ª Arte é seguido de perto em Santa Cruz
 
O cinema, chamado de 7ª Arte por Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes”, em 1912 (publicado apenas em 1923), reflete, a partir dos seus primórdios no final do século 19, em uma ebulição de emoções e sentimentos.
Desde os primeiro segundos do primeiro filme reproduzido, – “L’Arrivée d’un train à La Ciotat” pelos irmãos Louis e Auguste Lumière em Paris no ano de 1895, –  pôde-se ter uma devida noção da maravilhosa criação sem medida que viria a se suceder em uma arte de clamor público até os dias atuais, sem margem para acabar. O filme, na oportunidade, reproduzia a chegada de uma locomotiva à estação, filmada de forma que se percebia o movimento do trem até este preencher a tela como se fosse adentrar a sala de projeção. Conta-se que o público levou um susto diante da realidade que se projetava, achando que o trem iria invadir o Boulevard des Capucines, local onde aconteceu a reprodução histórica.
 
A EVOLUÇÃO TINHA QUE VIR
 
Cristiano Silva

Projetor de 35mm (á esq) já está desativado pelo cinema 3D santa-cruzense.
Projetor digital (à dir) pode ser acionado até mesmo com o celular
 
Passados 119 anos da exibição do filme em Paris, a realidade projetada chegou aos dias atuais e continua, a exemplo do filme dos irmãos Lumière, surpreendo cidades, estados e países, como conta o proprietário de um cinema em Santa Cruz do Sul, Gibran de Souza Mahmud.
“O cinema demorou muito para evoluir aqui no Brasil. Nos Estados Unidos o projetor digital já está operando há cinco anos. Lá não existe mais salas trabalhando com o projetor de 35mm, só digital. O Brasil está atrasado neste processo”.
Santa Cruz não está. Há dois anos funcionando na cidade, o cinema 3D instalado no Max Shopping Center (Sete de Setembro, 36) permite à população santa-cruzense um acesso a mais alta qualidade de som e imagem em se tratando de tecnologia. Situação que não acontecia antes. “Pelo custo, trabalho, transporte e logística, a situação melhorou da água para o vinho. Vemos hoje uma qualidade de cinema que precisávamos ver. Hoje um pequeno HD digital é o que precisa para rodar um filme, que pode ser acionado até mesmo com o celular. A evolução tinha que vir” enfatiza Gibran.
 
PASSADO RECENTE
 
Quem se lembra dos borrões de tela nos cantos dos filmes, os zumbidos no som ou mesmo os intervalos nos filmes de maior duração? “Hoje é muita facilidade. Antes os filmes eram trazidos em um saco de 50 kg, desmontados, precisávamos montar eles e emendar com cola as partes. Por exemplo, um filme de duas horas tinha cinco partes, cada parte se precisava emendar com cola, aí às vezes acontecia de parar toda a sessão porque havia arrebentado uma parte. Era complicado” relembra Gibran, que como dono de cinema aproveitava os “intervalos” para faturar uns a mais na Bombonière.
“Um filme de 3 horas, por exemplo, não era possível colocar toda a película em uma bobina só. Precisava-se montar em duas. Aí quando terminava a primeira parte se precisava desligar tudo e trocar as bobinas. Isso ocasionava os ‘intervalos’ para quem quisesse ir ao banheiro e para o dono de cinema vender uma pipoca e um refri a mais” sorri o proprietário de cinema.
 
PRAZER NO SORRISO
 
Cristiano Silva

Gibran de Souza Mahmud mostra HD digital em que os filmes chegam ao cinema,
bem diferente dos rolos de película que estão cada vez mais deixados de lado
 
Estar com a tecnologia nas mãos e poder transmitir a magia do cinema às pessoas é algo que, segundo Gibran, lhe dá muita satisfação. “Eu trabalho em um lugar que me dá muito prazer. Cada vez que eu vejo uma criança que está ‘dentro do filme’ como se costuma dizer, eu fico muito feliz. Ver um sorriso sincero e verdadeiro no rosto delas, aquilo ali vale a pena, fico muito feliz de estar propiciando isso” destaca o proprietário que revela ter em mente a ideia de que todos tenham acesso ao cinema.
“Nós temos inúmeros projetos com escolas e entidades para facilitar o acesso ao cinema. Além de faturar, pois somos uma empresa com contas, funcionários, aluguel e impostos, temos também o nosso lado social” completa.
 
FUTURO
 
O cinema está em constante evolução. Passados tantos anos após a primeira exibição, as projeções têm chegado cada vez com mais força ao mercado cinematográfico. Gibran revela que o pagamento pelos filmes transmitidos se dá através da porcentagem, ou seja, se vier um filme que dê mil ingressos vendidos, se paga 500 ingressos à distribuidora.
“Já tive casos de filmes que paguei R$ 100,00 ao mesmo tempo em que paguei R$ 15 mil por outros. O filme que exibi que mais deu público foi “Os Vingadores”. Passaram 11 mil pessoas no cinema” revelou Gibran. Para quem já foi nas salas de cinema localizadas no Max Shopping Center, ao lado da Bombonière, em um cantinho escuro e fechado, está o futuro do cinema em Santa Cruz.
“Sempre pensamos em expandir, mas claro, sem dar um passo maior que a perna. Tenho uma ideia de projeto que é uma sala multifuncional onde tu podes usar um projetor para palestras, assistir óperas, jogos, shows musicais transmitidos ao vivo, tudo isso poderia ser passado em tempo real no projetor do cinema em 3D. Eu tenho esse projeto de no futuro atender esse tipo de evento. Além da nova sala de cinema com 250 lugares climatizada, com um palco à frente, penso em locar o espaço para divulgação de produtos e outros eventos, onde qualquer material em um pen drive pode rodar no projetor de cinema. Aqui tem estrutura e não é um projeto pra longo prazo, ele vem logo” destaca o proprietário do cinema 3D santa-cruzense. A evolução da magia do cinema não para. Nós agradecemos!