Início Geral Concessão da RSC-287 foi pauta do Tá na Hora

Concessão da RSC-287 foi pauta do Tá na Hora

'Temos interesse', esclareceu Roberto de Barros Calixto

Rosibel Fagundes
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A concessão de uma das principais rodovias da região, a RSC-287 foi tema da reunião-almoço do Tá na Hora, programa desenvolvido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul. O encontro que aconteceu no restaurante do Hotel Águas Claras Higienópolis, reuniu representantes de diversas empresas e entidades para abordar o assunto. Na ocasião, os convidados foram Roberto de Barros Calixto, engenheiro civil e diretor-presidente da CCR Viasul, empresa do Grupo CCR e Luiz Afonso dos Santos Senna, que também é engenheiro civil, secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre e diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). 
De acordo com o presidente da ACI de Santa Cruz do Sul e representante do Movimento Duplica 287, Lucas Rubinger a proposta de trazer os dois convidados serviu para reunir a experiência com um olhar técnico desses especialistas. “Trazer alguém como o Roberto Calixto que é diretor-presidente de uma empresa que recentemente assumiu uma concessão de quatro rodovias federais para palestrar sobre a concessão da 287,  é justamente para a comunidade ter uma noção de tudo que é possível. E também para que a operadora conheça a nossa região e possa se tornar uma possível investidora. Calixto já tem todo o conhecimento do que pode ser aplicado e que custo isto gera para eles que fazem isto na prática. E no caso do Senna, nossa intenção é ouvir tecnicamente. Ele é um conhecedor profundo de todos os modais que o Rio Grande do Sul tem e o que necessita em termos de investimento e nós queremos cruzar o que seria um sonho, do que hoje é possível operar. Então vamos juntar o conhecimento do que precisa ser feito com quem opera e com isso vamos nos aproximar da realidade”, afirmou Lucas Rubinger.  Durante o evento os especialistas sanaram algumas dúvidas com relação ao projeto apresentado pelo Governo Estadual. 

'Menos preço e mais investimentos não funcio'a

Confira o que os palestrantes falaram durante entrevista coletiva antes do evento. 

Na sua avaliação a concessão é o melhor caminho para recuperação da RSC 287?
Roberto de Barros Calixto –
Eu acredito muito neste programa. Eu acho que a iniciativa privada se mostrou muito eficiente na administração e gestão de rodovias. Foi um segmento que ganhou bastante, se modernizou e ampliou muito sobre a gestão privada. Então, eu acredito que bem elaborado, bem conduzido e com administração estatal bem eficiente tem tudo para dar certo e atender os anseios de todos os usuários da rodovia. 

A CCR já teve acesso ao modelo apresentado pelo governo gaúcho para concessão das rodovias estaduais, no caso a RSC-287 ?
Roberto de Barros Calixto –
A CCR veio para o Rio Grande do Sul bastante motivada, o Estado é um dos mais importantes na nossa visão e até então a empresa não tinha negócio algum aqui. Já temos gente trabalhando neste projeto. Estamos na fase de prospecção. Mas, posso garantir que há sim um interesse. Tudo irá depender de análise e parâmetros que precisam ser atendidos ao participar de um projeto. 

Como se chegar a um equilíbrio onde os investimentos sejam viáveis, mas que a tarifa não fique muito elevada?
Roberto de Barros Calixto –
 É analisar tecnicamente o projeto e ver o que realmente é importante. Colocar o que realmente incrementa e acrescenta e não partir para gostos pessoais ou posições ideológicas. Isto não nos leva a nada. Existem vários modelos de concessão por maior outorga com tarifa fixa ou os de menor tarifa. E o Governo Federal tem adotado este que é o da menor tarifa. Com uma boa discussão técnica dá para elaborar o projeto de acordo com o que for necessário e discutirmos então o valor da tarifa. O projeto deve durar em média 30 anos. Eu acredito que investimento em infraestrutura, principalmente em rodovia é um indutor de progresso. Só para se ter ideia, com 60 dias de operação nós já temos mil empregos diretos nas quatro rodovias que estamos administrando. Isto para o momento atual da economia representa sucesso, é resultado do benefício das concessões para a região. 

Qual a importância da comunidade opinar e participar deste processo?
Luiz Afonso dos Santos Senna –
O importante do processo de licitação e principalmente antes dele, que é o processo de avença pública que o governo escute um pouco mais o que a população quer. Então, primeiro se coloca à disposição da sociedade o projeto de governo, e depois de alguma forma começa a validá-lo. É importante destacar, que menos preço e mais investimentos, não funciona. Pelo o que se consegue avaliar do ponto de vista de engenharia e de sustentabilidade econômica financeira o projeto de concessão apresentado pelo governo aparentemente é bom. A discussão agora é algumas particularidades em que os usuários e a comunidade vão poder identificar melhor. É uma contribuição que a comunidade poderá dar para qualificar ainda mais o conjunto de obras. Mas destacaria, que se colocar mais obras, custará mais caro, e se antecipar muito o processo das obras para fazer tudo no primeiro, segundo ou terceiro ano significa que a tarifa irá subir muito. Espero que a concessão possa fluir naturalmente e que a partir do início do ano (2020) já tenhamos uma empresa operando na rodovia. 

'Vamos juntar o conhecimento e nos aproximar da realidade', comentou afirmou Rubinger

Movimento Duplica 287

No próximo dia 6 de maio, será realizada uma audiência pública em Santa Maria para tratar sobre a concessão e duplicação da rodovia entre Tabaí e Santa Maria. Na ocasião, líderes do movimento Duplica 287, estarão reunidos na única audiência pública para debater o assunto.  Conforme Lucas Rubinger, o fato de ser apenas um encontro pode ter um aspecto positivo e outro negativo. “O lado ruim é que será pouco debatido, mas o lado bom é que dará agilidade no processo. Com esta audiência pública acontecendo e reunindo toda a parte que está sendo consultada e se não houver nenhum tipo de impeditivo, acredito que até o final do ano já saberemos quem irá operar na RSC 287”.  
Rubinger reforçou que a iniciativa segue forte para que dentro do tempo mais rápido possível as obras iniciem. Conforme ele, a duplicação da rodovia é de extrema importância. “Ela deverá ser vista como um redutor de mortes. Queremos reduzir o número de acidentes e consequentemente salvar vidas. Vai contribuir para a diminuição de congestionamento, neste domingo de Páscoa tivemos um congestionamento quilométrico atrasando o retorno das pessoas para suas casas. E o outro motivo importante é que somos uma região que gera muita riqueza, muita exportação e nós precisamos ter competitividade no mercado externo. E uma duplicação vai trazer isso. Vai trazer economia. Vamos ter menos carros quebrados, mais velocidade na entrega dos bens de consumo e o que a nossa indústria gera para o Brasil”, afirmou Rubinger. Para a audiência que acontecerá em Santa Maria, um ônibus será disponibilizado para os representantes de entidades que participam do Movimento Duplica 287.