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Coronavírus: Santa Cruz do Sul monitora caso suspeito

Coletiva de imprensa foi realizada quinta-feira, 27, na Secretária Municipal de Saúde

Ricardo Gais
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Em entrevista coletiva no fim da tarde de quinta-feira, 27, na Secretária Municipal de Saúde (Sesa), foi informado o primeiro caso suspeito do novo coronavírus em Santa Cruz. O paciente que entrou em contato com a Vigilância Epidemiológica não teve o nome divulgado, por um motivo de ética e preservação da identidade do mesmo, além evitar situações constrangedoras para o paciente.
Este paciente não se trata de um chinês, e sim, de um morador residente do município que esteve em viagem pela Itália nas últimas semanas. O cidadão que já veio da Europa com sintomas, se automedicou ainda em Roma com orientação do medico da família, pensando que se passava apenas de uma dor de garganta, então com o uso dos remédios, a febre ficou “camuflada”, assim o indivíduo passou pelo aeroporto assintomático, sem apresentar nenhum sintoma chegando ao Brasil.
O paciente está isolado em casa e já passou pela coleta de secreção nasofaríngea, que foi enviada ainda na quinta-feira, 27, para o Laboratório Central do Estado (Lacen). Ele também passou por outros exames e por avaliação com o infectologista Marcelo Carneiro. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, as amostras enviadas ao Lacen passarão primeiro por testes para outros vírus circulantes, entre eles, de gripe A, segundo recomendação do Ministério da Saúde. Se descartados todos os resultados, a coleta será encaminhada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que é um dos laboratórios autorizados para a pesquisa.
Conforme a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Luciane Weiss Kist, o caso suspeito é determinado pelos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), que são os sintomas respiratórios, febre e mais a passagem por uma zona de transmissão do Covid-19, como na Europa e demais países considerados aéreas de transmissão local. “Esse paciente em Santa Cruz se enquadrou nos critérios, por isso é considerado suspeito”, disse Luciane, que ainda comenta que o caso pode apenas passar de uma gripe.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Régis de Oliveira Júnior, a pessoa está em isolamento domiciliar, e com acompanhamento da Secretária de Saúde por questões de segurança. “Visto que nossos hospitais possuem pacientes com imunidade baixa, então, nós sabemos que o coronavírus é altamente contagioso, e para isso possuímos leitos de isolamento. Mas, as condições clínicas do paciente nesse momento não são consideradas graves, e não sendo necessária a internação”, explica.
Régis frisa a importância de se combater as fake news e a xenofobia. “O pessoal deve ser responsável e não ficar replicando mentiras da internet”, disse, salientando que todas as informações oficiais serão divulgadas pelo município através do site e coletivas de imprensa.
Algumas características dessa doença devem ser observadas, conforme disse o infectologista Marcelo Carneiro, pois qualquer doença respiratória é transmitida pela respiração, tosse, respiro e pelas mãos. Ações simples podem evitar que ocorra essa transmissão, “tossir no braço e no lenço. Pessoas que viajaram para áreas de risco e sentirem sintomas devem ficar em casa”, explica Carneiro – que frisa: “apesar de ser uma doença de alerta mundial, a gravidade é pequena”.
A médica da família e da comunidade, Clauceane Venke Zell, explica que se novos casos da doença surgirem no município, todos os médicos e profissionais da saúde estão preparados e capacitados para lidar com a situação.
A campanha de vacinação prevista para abril também foi antecipada para o dia 23 de março. Conforme Régis, ainda não se sabe o número de doses que serão disponibilizadas para o município. Clauceane frisa que a vacina para a gripe não combate o novo coronavírus, e disse que a população não precisa se desesperar para receber a vacina. 
O uso de máscaras apenas será recomendado para aqueles que forem para um posto de saúde ou hospital e apresentem sintomas da doença, não é necessário que a população comece a usá-las na rua.
Diante de qualquer sintoma suspeito, é necessário entrar em contato com a Vigilância Epidemiológica pelo telefone (51) 3715 -1546, para receber orientações. A identidade do paciente será mantida em sigilo.