LUANA CIECELSKI
[email protected]
Num primeiro olhar você já percebe que são rostos. Eles parecem ter sido esculpidos na madeira, ou melhor, parece que a própria natureza os criou entre as ranhuras de um velho tronco de árvore. Mas na verdade são quadros. E são chamados pelo artista que os criou, o porto-alegrense e morador de Santa Cruz do Sul, Rafael Barletta, de 42 anos, de Woodfaces.

Muito características e diferentes, as Woodfaces (Rostos de Madeira em inglês) começaram a surgir há cerca de um ano a partir de uma evolução das pinturas em tela de Rafael, que sempre gostou de expressar a figura humana, especialmente faces. “Eu estava pintando rostos femininos, e já havia uma desconstrução da figura. Depois pintei alguns poucos abstratos, pois queria pegar algumas técnicas para alcançar cores mais originais, e foi então que cheguei nas Woodfaces”, explica Rafael.
Elas trazem dentro de si a expressividade dos trabalhos africanos de máscaras e pinturas de pele e ao mesmo tempo são figuras de rostos que transcendem o padrão de proporções dos rostos. Fazem refletir sobre padrões de beleza, ou melhor “comprova muito que a beleza nem sempre está dentro de um padrão”, como define o próprio artista.
E o melhor de tudo: logo será possível ver tudo isso de perto. Rafael está reunindo material e buscando um lugar para expor seus quadros. Faces humanas e faces de madeiras ficarão então frente a frente.
O artista
Rafael lida com arte há bastante tempo. Além de músico, há cerca de 15 anos começou a fazer desenhos de histórias em quadrinhos e hoje é designer gráfico, trabalha com design e ilustração e atua cotidianamente com trabalhos comerciais. Em meio a isso é que pinta as telas, e por isso as considera como expressões puras, que surgiram de uma necessidade de dar vazão à arte. “É o momento mais livre de criação para mim. Claro que vender as telas é importante, mas quando eu crio elas o meu foco está na criação original mesmo”, conta.














