Cristiano Silva
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Cristiano Silva

​Palito conhece Estádios dos Plátanos como ninguém dentro do Galo
“’Tu tá’ aqui há dois dias Jorge. Quando ‘tu tiver’ 32 anos de clube, ‘tu vai’ tirar fotos assim também”, brinca o supervisor de futebol do Galo, Luiz Carlos Marques, o popular Palito, com o funcionário Jorge Franke, que está em seu primeiro ano trabalhando no clube do Estádio dos Plátanos. Palito, que em 2015 completa 32 anos de muito trabalho no Futebol Clube Santa Cruz, é um apaixonado pelo Galo, clube que estava no seu destino desde criança. “Sou natural de Santa Cruz e minha mãe mora há três quadras do Avenida. Em 1966 comecei a jogar na escolinha do Avenida, mas não deu certo. No mesmo ano vim treinar na escolinha do Galo. Aqui eu segui. Passei pela escolinha, juvenil, júnior e profissional. Em 1972 eu fui servir no Exército em 1974 teve a fusão entre Santa Cruz e Avenida, criando a Associação Santa-Cruzense de Futebol. Quando o falecido técnico Daltro Menezes veio trabalhar aqui, ele perguntou por mim e veio falar comigo querendo saber se eu tinha o interesse de voltar a jogar. Voltei, joguei um tempo na Associação, depois atuei pelo Estrela onde levamos a equipe à Primeira Divisão Gaúcha em 1977, passei por São Paulo/RG em 1978, voltei ao Santa Cruz em 1979 quando já não havia mais a fusão entre Avenida e Galo, em 1980 voltei para o Estrela, em 1981 fui para o São Borja e lá me lesionei” conta o ex-atacante Palito, que recebeu o apelido na época de jogador quando media 1,75m pesando apenas 63kg. Após se lesionar e tentar, sem sucesso, voltar a jogar após duas cirurgias no joelho realizadas e uma ainda por fazer, Palito resolveu parar de atuar profissionalmente para evitar alguma complicação mais agravante no joelho.
DA ESCOLINHA À SUPERVISÃO DO GALO
Após parar de jogar, Palito estava decidido a trabalhar em outra profissão, mas o Galo voltou à sua vida para ficar. “Eu estava com 26 anos em 1983. Ganhei alta do tratamento que fiz após as duas cirurgias e me reabilitei pra trabalhar em outra profissão. Mas eu estava aqui em Santa Cruz e o pessoal do clube me convidou para ser treinador das categorias de base do Galo. Aceitei e passei a trabalhar no Santa Cruz. Aí em 1984 o antigo supervisor de futebol, o Mauro, falava que esse trabalho não era pra ele, que estava complicado, e realmente é difícil trabalhar com jogadores, aí quando ele saiu me indicou e eu passei a trabalhar na supervisão do clube” conta Palito, que passou a cuidar da parte de contratos de jogadores, viagens, campos para treinamentos, e suporte para a alimentação dos atletas, rouparia, massagista, medicamentos, levar jogadores ao médico ou para fazer exames, e outras funções gerais dentro do clube, cargo que exerce até hoje. “Precisa ser do ramo pra trabalhar com a ‘boleirada’. Não é fácil. São todos cheios de manias, cada um tem o seu jeito, e eu acho que eu conquistei eles com a minha maneira de trabalhar. E aqui não tem moleza, se errou, errou”, comentou o supervisor do Galo.
HISTÓRIAS
Cristiano Silva

Na sala da supervisão, Palito gerencia e organiza suas
diversas funções dentro do Santa Cruz
São 32 anos de Galo, é bem verdade, não dois dias. Com esse tempo todo de clube histórias não faltam para Palito. “Aqui é complicado, os jogadores vem pra cá e só o que falam é ‘aqui as mulheres são demais’, ‘nunca vi uma cidade com tanta mulher bonita’, e a gente avisa que a noite aqui é complicada. Me lembro de um jogador que veio de Portugal em 2012 e jogava muito, mas tinha problemas com a noite e tivemos que mandar embora” conta Palito, que completa: “Outra história que me lembro é bem engraçada. No tempo da Associação, o Daltro Menezes trouxe do nordeste um jogador chamado Paranhos, que não conhecia nada pra cá. O Paranhos chegou em Porto Alegre e naquele tempo não tinha esse serviço do supervisor de ir lá e trazer o jogador pra cá, então quando ele chegou na capital simplesmente pegou um táxi e disse ‘quero ir até Santa Cruz’. O taxista veio e trouxe. Chegando aqui os diretores ficaram indignados com ele, mas não tinha o que fazer, simplesmente pagar a corrida”, sorri o supervisor Palito lembrando da história.
Segundo o próprio, talvez o momento de grande superação que ele tenha vivido no Galo tenha sido entre os anos de 1995 e 1997. “Em 1995 tínhamos caído para a Segunda Divisão. Aí em 1996 fizemos um timaço: de técnico o Adão Menezes, na época um dos melhores treinadores do interior, no time tinha João de Deus e outros jogadores consagrados na época, uma folha que todo mundo olhava e dava como certo o nosso acesso à Primeira Divisão, mas não subimos. Em 1997 por todos os esforços financeiros que fizemos no anterior estávamos quebrados e fizemos uma parceria com os jogadores locais. Pagaríamos o salário deles com a renda das partidas em casa. Durante os jogos aqui não deu nenhum tempo ruim, nem chuva nem nada, sempre tempo boa e sempre uma renda boa, sendo que no final conseguimos subir para a Primeira Divisão. Futebol tem dessas coisas, ainda que hoje em dia isso não aconteça mais”, afirma Palito.
MOMENTO ATUAL DO GALO
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Com muitas histórias para contar, Luiz Carlos Marques sequer pensa
em parar de trabalhar no clube que, segundo o próprio, é a sua vida
Perguntado sobre como ele vê o momento atual do Galo, Palito crê no trabalho do presidente Tiago Rech, que segundo ele ficará marcado na história do clube. “O pessoal acha que é fácil ser presidente e não é. O Thiago tinha falado para os pais dele que o sonho dele era ser presidente e ele abraçou a causa. Estamos na luta, uma luta difícil, mas ele está fazendo das tripas o coração, se envolvendo de uma maneira como nunca ninguém se envolveu, pois muito presidentes não tinham a disponibilidade que ele tem. O trabalho dele vem sendo aprovado, falta um pouco mais de apoio. Com essa crise no Brasil e no Rio Grande do Sul, é difícil tirar dinheiro para o esporte ou para o futebol, mas o trabalho do presidente é elogiável, essa passagem dele vai ficar marcada na história do Santa Cruz”, assegura Palito, que elogia também o comandante do Galo, Sananduva. “O Sananduva foi nosso jogador, ele tinha liderança, e trabalhou como auxiliar em Veranópolis e em Lajeado. Como tínhamos um presidente novo, estávamos atrás de um perfil de treinador novo e foi lembrado o nome dele. Ele aceitou e está aí fazendo um bom trabalho”. São 61 anos de idade. Desde os 13, quando ingressou na escolinha, vive o ambiente dos Plátanos, sendo que há 32 anos trabalha ininterruptamente no clube. Palito não esconde a emoção ao falar do Galo. “Enquanto eu tiver saúde eu vou continuar, não penso ainda em parar. O Galo é minha vida, isso aqui é tudo pra mim”, finaliza o supervisor de futebol. Que siga por muito anos o belo trabalho Palito!














