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Economia | Inadimplência recua em Santa Cruz, mas cenário ainda preocupa varejo

Indicador permanece acima de 33% no município e reflete os efeitos combinados de juros elevados

Comportamento observado em Santa Cruz do Sul acompanha, com particularidades, a dinâmica estadual e nacional
Foto: Bruno Pedry/Nascimento Mkt

Os indicadores de inadimplência seguem revelando um ambiente de crédito desafiador para consumidores e empresas em Santa Cruz do Sul. Dados da Equifax, maior birô de crédito da América Latina e fornecedora das informações utilizadas pelo Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), mostram que 33,64% da população economicamente ativa do município possuía algum tipo de restrição de crédito em maio deste ano. Embora o índice represente uma leve redução em relação a abril, quando atingiu 33,93%, o percentual permanece em patamar elevado e confirma a persistência das dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias. Na comparação com maio de 2025, quando a inadimplência local era de 32%, houve crescimento acumulado de 1,64 ponto percentual.

O comportamento observado em Santa Cruz do Sul acompanha, com particularidades, a dinâmica estadual e nacional. Enquanto o Brasil registrou aumento da inadimplência de 33,2% para 34,98% nos últimos 12 meses, o Rio Grande do Sul avançou de 34,8% para 37,22%, mantendo-se acima da média nacional. Santa Cruz do Sul, por sua vez, continua apresentando índice inferior aos cenários estadual e brasileiro. Ainda assim, o quadro permanece preocupante, sobretudo porque a leve melhora observada em maio ocorre após uma trajetória prolongada de crescimento e em um contexto econômico marcado por incertezas internas e externas.

Na avaliação do economista-chefe da CDL Porto Alegre – Rede de Parceiras – Oscar Frank, diversos fatores contribuem para a manutenção dos elevados níveis de inadimplência. Entre eles, destacam-se os efeitos ainda persistentes dos juros elevados, a desaceleração econômica e a recente instabilidade geopolítica internacional. “A guerra no Oriente Médio representa um elemento que se soma ao ambiente macroeconômico que já era desafiador antes mesmo do conflito”, observa. Segundo Frank, embora a taxa Selic tenha iniciado um movimento gradual de redução, seus impactos positivos sobre a inadimplência costumam ocorrer com defasagem de aproximadamente oito meses. Paralelamente, a inflação voltou a pressionar o orçamento das famílias, especialmente em itens essenciais, como alimentação e combustíveis, comprometendo a capacidade de pagamento e elevando o risco de atraso nas obrigações financeiras.

O economista destaca ainda que a ampliação do crédito consignado privado e a crescente participação das apostas esportivas no orçamento das famílias constituem fatores adicionais de atenção. “A facilidade de acesso ao dinheiro e a falta de conhecimentos básicos sobre planejamento financeiro colaboram para a dinâmica da negativação”, afirma. Frank também chama atenção para as dificuldades enfrentadas pela economia gaúcha, especialmente em razão da desaceleração da agropecuária. Conforme análise da CDL Porto Alegre, a revisão das projeções da safra 2025/2026 preocupa devido ao elevado peso do agronegócio sobre a atividade econômica estadual, afetando diretamente a geração de renda, o consumo e a capacidade de pagamento das famílias e empresas.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), Mauro Spode, os números reforçam a necessidade de cautela e planejamento tanto por parte dos consumidores quanto das empresas. “Embora o pequeno recuo observado em Santa Cruz do Sul seja um sinal positivo, ainda estamos diante de um cenário que exige atenção permanente. O comércio precisa continuar investindo em gestão de crédito, análise de risco e relacionamento com seus clientes, enquanto as famílias devem priorizar o planejamento financeiro e o consumo consciente. A inadimplência elevada impacta diretamente a atividade econômica, reduz a capacidade de investimento e limita o crescimento sustentável da nossa região”, avalia.

A expectativa dos especialistas é de que uma melhora mais consistente dos indicadores dependa da continuidade da redução dos juros, do controle inflacionário e da recuperação gradual da economia gaúcha nos próximos meses. “Na região, quando a negociação do tabaco for concluída, também há uma expectativa na ampliação dos recursos em circulação nos municípios, fator que contribuiu para a regularização de inadimplência também”, pondera o dirigente.

COMPARATIVO MAIO 2025/2026

Santa Cruz do Sul registra leve recuo, mas cenário segue pressionado

RegiãoMaio/2025Maio/2026Variação em 12 meses
Brasil33,2%34,98%+1,78 ponto percentual
Rio Grande do Sul34,8% 37,22%+2,42 ponto percentual
Santa Cruz do Sul32,0%33,64%+1,64 ponto percentual