
Sara Rohde
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Viviane Scherer Fetzer
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Após a adoção de medidas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o governo de Cuba anunciou na última quarta-feira, 14, através da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que deixará o Programa Mais Médicos. A decisão foi tomada pelo Ministério da Saúde Pública de Cuba, devido às exigências feitas pelo governo serem inaceitáveis e violarem acordos anteriores.
Jair Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter que não há comprovação de que os cubanos sejam médicos e para dar continuidade ao programa com os profissionais será necessário realizar testes de capacidade. Bolsonaro ainda disse que a maior parte do salário dos médicos é destinada à ditadura cubana.
Devido ao comunicado, o Governo Federal decidiu adotar medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família. Nós próximos dias será convocado um edital para os profissionais que queiram ocupar as vagas deixadas pelos cubanos, sendo respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil. Em seguida serão convocados médicos brasileiros formados no Exterior.
Em Santa Cruz do Sul há cinco médicos cubanos atendendo nas Equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), Alto Paredão, Gaspar Bartholomay, Glória Imigrante, Figueira e Progresso. Conforme o secretário municipal da Saúde, Régis de Oliveira Junior, o município ainda não recebeu nenhuma orientação do Governo Federal. Caso a saída dos cubanos seja imediata, a Prefeitura terá que rever a escala de todos os médicos da atenção básica. “Se o Ministério da Saúde não enviar novos médicos, o município terá que buscar uma alternativa. Não deixaremos a comunidade sem atendimento médico. Até a realização do concurso público, faremos a contratação de novos médicos através de um processo seletivo”, disse.
Conforme Eliziane Silva da Silva, atendida no ESF Pedreira pela médica cubana Martha Maria Arias Carbonell, a experiência de passar pelas mãos da profissional foi muito boa. “Fiz todo meu pré-natal com ela no postinho aqui perto de casa e ela sempre foi muito atenciosa comigo”, disse. A paciente contou que a médica é uma profissional que trabalha com amor, “fizemos todo o acompanhamento com ela após o nascimento do bebê, nunca precisei procurar recursos particulares porque a Dra. Martha Maria foi uma excelente profissional. Não desvalorizando os outros médicos, mas sentimos a diferença depois de sua saída”, explicou.
O Programa Mais Médicos foi criado em 2013 pela ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de levar os profissionais da saúde às regiões de difícil acesso e periferias do país. O programa foi acordado por meio de um convênio firmado entre os governos brasileiro e cubano através da Opas. Das 18.240 vagas disponíveis, 8.332 são ocupadas pelos profissionais cubanos que atuam em 4.058 municípios brasileiros.
RIO GRANDE DO SUL
Em entrevista à Gaúcha ZH o diretor do departamento de ações em saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Elson Farias, informou que cerca de 2 milhões de gaúchos sofrerão com o impacto até que venha novos profissionais, já que há municípios que são atendidos somente pelos médicos cubanos. Segundo Farias o SES está mobilizado para chegar a um bom termo para que os estrangeiros só saiam do país com a chegada de novos médicos.














