Fotos: Marcelo Cabrera

Diego Esteves é fundador, coordenador e produtor do Necitra
Vagner Cerentini
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O espetáculo que ocorre hoje às 17 horas, no Teatro Espaço Camarim, terá o santa-cruzense Diego Esteves, que é fundador, coordenador e produtor do Núcleo de Estudos e Experimentações com Circo e Transversalidades (Necitra), diretor e produtor da “Canto – Cultura e Arte”, e também bailarino e produtor do espetáculo “Guia improvável para corpos mutantes”. Em entrevista ao Riovale Jornal, Esteves contou um pouco da sua trajetória e falou sobre a apresentação de hoje à tarde, voltada ao público infantil.
Riovale Jornal – Como se interessou pela dança?
Diego Esteves – Meu trabalho artístico tem sido desenvolvido no âmbito da dança contemporânea, o que é o caso do espetáculo “Guia improvável para corpos mutantes”. Meu interesse por essa “linha” de dança se deu exatamente por ela não seguir um modelo específico, como é o caso do balé. A dança contemporânea toma o corpo como princípio, o corpo como ferramenta, meio e fim da obra. O corpo é processo, presença – coisa e criação. É a partir do corpo e suas potências. É com o corpo que se dá a criação de uma obra de dança contemporânea. Existem técnicas que podem ser referência, entre elas o balé, mas este “estilo” de dança aceita também outras referências, como as minhas, que são ecléticas, com a formação em taekwondo e circo. Interesso-me em pesquisar, em estudar o corpo, estudar o movimento, experimentar as possibilidades. Ainda, e num segundo momento, trabalhar com esse material na criação de espetáculos, que pode ter como base a dança ou o circo, que pode ser para o público infantil ou adulto, e que pode trabalhar a partir de diversas temáticas.
RJ – Como foi sua trajetória?
Esteves – Iniciei meu trabalho corporal, para além das aulas de educação física da escola e as brincadeiras cotidianas, com a arte marcial Taekwondo, a qual pratiquei dos meus 9 aos 23 anos – sendo que dos 15 aos 23 anos fui professor em diversas escolas e projetos. Em 2002 ingressei na faculdade de Educação Física da Unisc onde, já no primeiro ano, comecei a participar do Corpo de Dança da Unisc. Ali comecei meus aprendizados na área da dança e do circo. Em março de 2007, após me graduar em 2006, me mudei para Porto Alegre, com o intuito de seguir meus estudos e trabalhos artísticos. Trabalhei com alguns grupos de dança e circo, e em 2009 criei o Necitra. A empresa“Canto – Cultura e Arte”, que administra as ações do Necitra e do espetáculo “Guia improvável”, fundei em 2010.

O espetáculo conta com recursos externos como adereços e uso de tablets.
RJ – Qual é o diferencial do espetáculo que vão apresentar em Santa Cruz?
Esteves – É um espetáculo de dança contemporânea para crianças. A produção de dança para crianças é recente no país. No Estado são pouquíssimos grupos que criam pensando nesse público. Em nosso caso, posso dizer que pensamos num espetáculo para as crianças, mas pensado também com elas: pois ele parte do imaginário infantil, da capacidade das crianças se transfigurarem, inventarem novas formas para o seu corpo. Para isso pesquisamos as possibilidades de invenção a partir de nosso corpo e com recursos externos com adereços e uso de tablets.
RJ – Qual receptividade que você espera do público pelo fato de se apresentar na sua cidade?
Esteves – Minha vida em Porto Alegre tem dificultado a manutenção dos meus vínculos com Santa Cruz. Por viajar muito com os espetáculos, acabo tendo poucas possibilidades de retornar e quando consigo, a restrição de tempo me deixa focado na visita aos familiares e poucos amigos em momentos mais raros. Contudo, a internet tem possibilitado a manutenção de vínculos. Algumas vezes que retornei a Santa Cruz com espetáculos do Necitra foi muito bom ver na plateia além dos familiares, ex-colegas do tempo de faculdade, ex-alunos, conhecidos de outros tempos. Sempre fico na expectativa de poder fazer essa troca, de compartilhar com os amigos santa-cruzenses um pouco do trabalho que tenho desenvolvido na capital e também poder contribuir para o cenário artístico cultural da cidade que na minha visão carece de uma gestão pública mais estruturada e aberta à diversidade cultural. Faço a coordenação geral deste projeto de circulação do espetáculo onde ocupo também as funções de bailarino e produtor. Projeto que é possível pela Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, com patrocínio do grupo O Boticário e parceria com o Sesc/RS. Afastei-me de Santa Cruz na busca de um lugar onde pudesse viver de, com e para a arte (e também para a educação com a arte). Gostaria de ter encontrado esse espaço em Santa Cruz, o que só foi possível até certo ponto de um aprendizado inicial. Retornar para a cidade onde vivi dos meus 60 dias de vida aos meus 23 anos, com um espetáculo que tem viajado o país, e como um profissional que chegou à capital e vive de, com e para a arte e a cultura (em cena, na gestão o no ensino) é uma forma de contribuir para o cenário artístico cultural de Santa Cruz. São muitos pontos que gostaria de poder falar mais, por isso também vai ocorrer um bate-papo após o espetáculo.














