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Gustavo Borges: Um ícone da natação em Santa Cruz

Gustavo realizou uma dinâmica com crianças na Academia Raia 7

Nelson Treglia
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Um dos maiores nadadores de todos os tempos no Brasil, o medalhista olímpico Gustavo Borges esteve em Santa Cruz do Sul na terça-feira, 2 de outubro. Ele visitou a Academia Raia 7, com a qual mantém uma parceria. Gustavo realizou uma dinâmica com as crianças na piscina, dentro do projeto ‘Nadando com Gustavo Borges’.

Antes da dinâmica, ele conversou com a imprensa e falou sobre a parceria com a Raia 7. O trabalho com a academia envolve a formação dos profissionais, capacitação, ensino a distância, presença de um assessor que vem à cidade. As atividades com as crianças englobam a parte pedagógica, com desenvolvimento motor, comportamental e cognitivo, além de passar informações para os pais de forma adequada para que eles entendam o que se passa nas aulas.

Se houver o que Gustavo chama de “desejo”, o jovem poderá se tornar um atleta e participar de uma competição organizada. Mas, em primeiro lugar, a preocupação é o desenvolvimento global da criança, transmitindo valores virtuosos e de cidadania. O ensino dos quatro nados é um dos objetivos no desenvolvimento motor. “A ideia é trabalhar com sonho e objetivo, construção com excelência. Quando você faz isso, o resultado e a conquista acontecem. O esporte me ajudou na conquista desses valores (sonho, objetivo, excelência)”, explica Gustavo.

“Muitos jovens estão seguindo o caminho do alto rendimento”, conta o atleta, em relação ao método que ele implantou para as crianças. Por exemplo, o filho de Gustavo Borges está competindo pela Universidade de Michigan (Estados Unidos).

NATAÇÃO BRASILEIRA

Visando os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, Gustavo aponta que Bruno Fratus, um atleta já experiente, “tem sede de medalhas”. Na modalidade 4x100m livre, ele revela que há jovens nadadores, “espetaculares”, dois deles nadando abaixo de 48 segundos, entre os dez melhores do ranking mundial. “São atletas fenomenais”, assegura Gustavo. A geração atual, conta ele, é inspirada por grandes campeões de um passado recente, como César Cielo, Thiago Pereira e Joanna Maranhão.

Questionado sobre os casos de corrupção na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Gustavo entende que a corrupção no país é uma questão muito ampla. “A gente precisa de um esporte limpo e transparente. E, quanto mais limpo e transparente for, não só na CBDA, mas também no Senado, na Câmara e no governo federal, tudo evolui.” Gustavo defende uma gestão eficiente e o “dinheiro no lugar certo”.

REPERCUSSÃO DAS CONQUISTAS

“As medalhas olímpicas foram momentos muito marcantes na minha vida. O reconhecimento que se tem é fantástico”, frisa. Gustavo conta que uma senhora hoje com mais de 70 anos, disse a ele que começou a nadar por causa dele e da medalha conquistada em 1992. Foi a primeira medalha do atleta em uma Olimpíada, a prata nos 100m livre, em Barcelona. “A conquista daquela medalha fez com que ela vivesse mais e de maneira mais adequada”, comemora Gustavo.

Embora as medalhas dele em Jogos Olímpicos tenham sido conquistadas entre 1992 e 2000 (duas pratas e dois bronzes, no total), Gustavo celebra o fato de que as crianças participantes do seu projeto educacional, conseguem visualizar essas conquistas através das novas tecnologias. Recentemente, uma criança de quatro anos disse a Gustavo que o tinha visto nadar, através do telefone. 

Porém, segundo Gustavo Borges, o Brasil ainda tem dificuldade de valorizar seus ídolos, não só no esporte, mas em qualquer área. “As americanos fazem isso muito bem. Eu chego na Universidade de Michigan, onde nadei por quatro anos, e sou muito bem recebido”, recorda. “Mesmo quem não conquistou nenhum título, também é muito bem recebido”, complementa. Gustavo acredita que momentos como este vivido na terça-feira, em Santa Cruz, fazem com que os jovens estudem e saibam mais sobre seus ídolos.

MELHORIAS NO ESPORTE

Segundo Gustavo, trabalhar o esporte universitário é fundamental, e deve ser aperfeiçoado, mas comparar com o modelo universitário norte-americano é uma injustiça. “O nosso modelo é clube”, define. Ele disse que não está preocupado com a política governamental do esporte. “Precisamos evoluir de uma maneira geral em termos de transparência e liderança. O importante é fazer o bem, e ter uma estrutura de trabalho direcionada para o que é melhor ao nosso país. O esporte deve estar incluído nisso. Se o modelo de clube não está apoiado, é um grande problema”, avalia Gustavo.

“Porém, como existe incentivo fiscal, se o clube não consegue captar esse incentivo por sua própria falta de transparência ou má governança, aí se tem um problema muito generalizado e amplo”, completa Gustavo Borges.