LUANA CIECELSKI
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Agora é definitivo. Apesar das dúvidas e das discussões que surgiram nas últimas semanas a respeito do horário de verão, na estação de 2017/2018 ele irá acontecer mais uma vez. A decisão foi divulgada nessa segunda-feira, 25 de setembro e já com uma data: a partir do dia 15 de outubro todos os moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, incluindo o Rio Grande do Sul, terão que adiantar os relógios em uma hora.
A dúvida sobre aplicar a mudança de horário ou não surgiu depois que um estudo do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) do Ministério de Minas e Energia apontou queda na efetividade do programa. De acordo com esse estudo, atualmente o perfil de consumo de eletricidade não está mais diretamente ligado ao horário e sim à temperatura, ou seja, os picos de consumo, que antes eram no início da noite, agora acontecem nas horas mais quentes do dia graças a tecnologias como ares-condicionados.

Porém, pelo menos dois motivos fizeram com que o governo decidisse adotar mais uma vez o sistema. O primeiro deles é a falta de tempo para realização de uma pesquisa com a sociedade a fim de verificar a preferência dos brasileiros. O segundo é o reduzido armazenamento de água do país, causadas por mais um anos de chuvas fracas na maior parte do Brasil. Diante disso, decidiu-se que, por menor que seja a economia proporcionada pelo horário diferenciado, ela já é bem-vinda e pode ajudar a garantir a oferta de eletricidade.
Desde 2008, o horário especial vigora até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte, que em 2018 será no dia 18 de fevereiro. Nesse dia, os relógios serão novamente alterados, mas dessa vez com um atraso de uma hora. O governo fez questão de deixar claro, porém, que a manutenção do horário de verão só está confirmada para 2017. Para o próximo ano mais estudos serão realizados e também está sendo estudada uma pesquisa de opinião com a população.
Por que a dúvida?
O objetivo maior da mudança para o Horário de Verão todos os anos era o aproveitamento maior da luz do Sol. Até alguns anos esse sistema proporcionava uma economia maior de energia, porque atrasar os relógios em uma hora significava ter uma hora a mais de sol.
Há alguns anos, porém, as mudanças nos hábitos dos consumidores, vêm fazendo com que a medida seja praticamente inútil. Isso porque, de acordo com o estudo divulgado pelo Ministério de Minas e Energia não é mais a incidência de luz do sol que faz com que o consumo seja maior ou menor, e sim a temperatura. Ou seja, os picos de consumo já não são no fim do dia, mas nos horários de mais calor, como o período que vai do meio-dia até 15 horas. Já não é a utilização de luz elétrica que eleva o consumo, mas a utilização de equipamentos como ar-condicionado.
De acordo com registros, a ideia do Horário de Verão foi proposta em 1895 pelo neozelandês George Hudson e foi utilizado pela primeira em 1916 na região da Alemanha e da Áustria-Hungria, mas foi só na década de 1970 que o sistema ganhou força e começou a ser utilizado em diversas partes do mundo, com o aumento de uma consciência de diminuição de consumo. No Brasil, ele foi adotado pela primeira vez em 1931, e depois disso houve períodos em que ele foi utilizado e não utilizado. Desde 1985, porém, ele era adotado anualmente por um período do ano. No que se refere ao consumo, no último verão, na região Sul, foi registrada uma queda foi de 4,3%.














