Rolf Steinhaus

Na manhã dessa sexta-feira, mais de 80 pontos no Estado estavam bloqueados
Luana Ciecelski
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Estourada desde a última segunda-feira, 23 de fevereiro, as manifestações e paralizações dos caminhoneiros de todo o Brasil, que já afetavam diversos municípios, começaram a afetar também Santa Cruz do Sul nos último dias. Em alguns postos de gasolina já falta combustível e em alguns mercados frutas, verduras, carne e leite também já começam a faltar.
O grupo exige a diminuição do preço do diesel, o aumento nos valores dos fretes, melhores condições nas estradas e mais tempo para pagar os financiamentos dos caminhões. Na manhã de sexta-feira, de acordo com as policias rodoviárias estadual e federal (PRF) as interrupções chegaram a acontecer simultaneamente em 89 trechos, um recorde histórico. Mais tarde, após intervenções da PRF, elas se mantiveram em 73 pontos. 28 em estradas federais e 45 em estaduais.
Nas proximidades da cidade, houve bloqueios na RSC-287, na altura de Passo do Sobrado, durante a quinta-feira, 26. Além disso, em Venâncio Aires, na altura de Linha Hansel, na RSC-453, manifestantes também bloquearam a passagem de caminhões e tratores durante toda a quinta.
De acordo com o Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios dos Vales do Rio Pardo e Taquari (Sindigêneros) Celso Müller, a situação está complicada e é muito difícil fazer uma previsão do que pode acontecer. “Hoje estamos com falta, principalmente de laranjas, porque os caminhões estão presos em Venâncio Aires. Amanhã a falta pode ser de tomate”, explicou.
Outra preocupação é com a carne bovina. “O abastecedor do Supermercado Miller, por exemplo, vem do Mato Grosso, e nós nem sabemos onde está o caminhão”, comentou. Esse e outros atrasos estão afetando os mercados de Santa Cruz de uma forma geral, e para o presidente do Sindigêneros, uma coisa é certa: “Algumas coisas vão acabar faltando em um momento ou outro”.
O mercado Santa Cruz, localizado na rua Gaspar Silveira Martins, 1343, é outro dos afetados. De acordo com o proprietário do estabelecimento, Elton Wegmann, durante a quinta-feira, 26, o freezer dos sorvetes e a fruteira chegaram a ficar praticamente vazias e já não havia carvão para vender. Além disso, no açougue algumas carnes, como a de porco e a de ovelha estavam em falta também.
No entanto, alguns produtos começaram a chegar ainda na noite de quinta, após o horário comercial. “Eu fechei o mercado às 19 horas e fiquei aqui dentro esperando. Eles chegaram por volta das 21 horas. Ainda assim não veio tudo. Os sorvetes, por exemplo, não vieram”, contou Elton. Além disso, segundo ele, alguns dos produtos que chegaram, já estavam com um preço mais alto. “Os transportadores disseram para me preparar, porque se continuar assim, na semana que vem deve piorar”.
Segundo Elton, os produtos que estão chegando são aqueles que vêm das localidades mais próximas. No entanto, mesmo assim, eles chegam com dificuldades. “O motorista me contou que eles tiveram que buscar caminhos alternativos, passar pelo interior e até por caminhos de roça pra poder distribuir aqui em Santa Cruz, porque se passar pela rodovia, pega a manifestação e fica preso”, relatou.
No entanto, mesmo com as dificuldades, Elton apoia a manifestação dos transportadores. “Eu sei que a gente acaba sofrendo, mas acho que alguma coisa tinha que ser feita, e eles estão fazendo. Acho que a causa é justa”, observou.
Outra preocupação do município é com o combustível que já começou a faltar em diversos postos de gasolina. No entanto, de acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Estado (Sulpetro), Adão Oliveira, essa não é uma realidade apenas santa-cruzense. Em entrevista dada ao jornal Correio do Povo de Porto Alegre na tarde de ontem, ele afirmou que cerca de 60% dos estabelecimentos do interior estão sem combustível.
“Tem certas distribuidoras que não estão nem carregando mais os caminhões. Porque não adianta carregar os veículos, se eles vão ficar retidos. A gasolina comum é a primeira a terminar. Depois passaram a abastecer com a aditivada, que também está acabando. Alguns estabelecimentos não estão atendendo, porque não têm combustíveis”, salientou. A orientação do Sulpetro é que os carros Flex utilizem etanol, enquanto ainda haver estoque, e deixem a gasolina restante para aqueles não têm opção.
Foto Luana Ciecelski

Frutas e legumes estiveram em falta na quinta-feira e as expectativas não são boas
Governo tentou acordo com caminhoneiros
Preocupados com as reivindicações do movimento de caminhoneiros e de transportadores de cargas e com os problemas decorrentes das manifestações, o Ministério dos Transportes, realizou na última quarta-feira, 25 de fevereiro, um reunião com os lideres das manifestações na tentativa de acabar com os protestos. O encontro que ocorreu em Brasília durou toda a tarde e seguiu até o início da noite, e segundo o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, que participou da reunião, a proposta apresentada pelo governo foi acatada pelos representantes da categoria presentes à mesa de negociação.
A proposta do governo foi de sancionar a Lei dos Caminhoneiros sem vetos, prorrogar por 12 meses o pagamento de caminhões por meio do Programa Pró-caminhoneiro e criar, por meio de negociação entre caminhoneiros e empresários, uma tabela referencial de frete. Nesse item, os representantes dos caminhoneiros pediram que o governo atue na mediação com os empresários.
O presidente da CNTA considerou que o acordo trouxe ganhos históricos para a categoria. Segundo Diumar Bueno, os caminhoneiros tiveram conquistas efetivas na mesa de negociação. “Diante da gravidade em que se encontra o país neste momento, nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros de liberar as rodovias pelas conquistas que tiveram aqui”, disse Diumar, ressaltando, no entanto, que não poderia garantir o fim dos bloqueios.
O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, no entanto, ressaltou, após a assinatura do acordo, que ele só será cumprido sob a condição do fim dos protestos. “Só vai ser cumprido o que nós combinamos na hora em que forem liberadas as estradas”, ressaltou. “Eu acho que a partir de agora as estradas já estão sendo liberadas”, completou. Informações: Agência Brasil
Estado determinou criação de grupo de negociação
Já o Governo do Estado, preocupado com os efeitos do protesto nas cadeias produtivas do agronegócio, na economia e na rotina da população, determinou na tarde de quarta-feira, 25, que seja criado um grupo de negociação para garantir trafegabilidade em estradas estaduais.
Liderado pelas secretarias da Agricultura e Pecuária e dos Transportes e Mobilidade, o grupo terá como principal objetivo reunir todos os setores envolvidos para mediar um processo de negociação e construir uma solução que atenda a todos, sem prejuízo aos gaúchos. Informações: Governo do Estado.
Fotos Rolf Steinhaus

Na quinta-feira, 26, grupo se reuniu na RSC-287, na altura de Passo do Sobrado
Diesel no entanto, não deve baixar
A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, também afirmou na última quarta-feira, 25, que não está nos planos do governo reduzir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre o óleo diesel e a gasolina, para atender a reivindicações dos caminhoneiros.
Apesar disso, ela informou que o governo considera justas as reivindicações da categoria, que, ao longo da semana, tem obstruído diversas rodovias federais, em protesto contra os preços dos combustíveis. “São reivindicações justas, e o governo está empenhado em atendê-los, seja por meio da [aprovação sem vetos da] legislação dos caminhoneiros ou pela prorrogação dos financiamentos de caminhões com juros de 2,5% ao ano”, explicou.
Sobre a possibilidade de reduzir a Cide, Kátia ressaltou a convicção do governo “sobre a importância de mantê-la e de não flexibilizá-la por questões fiscais”. Conforme a ministra, “o que é bom para o Brasil tem de ser bom para todos”. “Manteremos diálogo”, completou. Informações: Agência Brasil
Aos que obstruírem, multa
Já o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na última quinta-feira, 26, que aqueles que continuarem obstruindo as rodovias, serão multados. Segundo declarações dadas pelo ministro à imprensa, para ele, a situação já deveria ter sido resolvida, porque os líderes do movimento dos caminhoneiros foram conversar com o governo e aceitaram as propostas feitas.
Portanto, a partir de agora, os caminhoneiros que continuarem realizando manifestações que obstruam a passagem de outros veículo, serão multados com valores entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por hora.
Cardozo afirmou ainda que os caminhões parados na pista serão identificados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), e com base nos dados obtidos pelos policiais, as multas serão emitidas. “A decisão do valor da multa não é do governo, é da Justiça, e a punição não está sendo imposta por mim, e sim por magistrados. Eu tenho o dever de fazer cumprir a lei”, afirmou o ministro. Informações: Agência Brasil
Pontos com manifestação – 27/02
Rodovias estaduais
Sananduva: ERS-126, km 107
São João da Urtiga: ERS-126, km 126
Getúlio Vargas: ERS-135, km 52
Nonoai: ERS-406, entroncamento com a ERS-324
Ibiraiaras: ERS-126, km 48
Coxilha: ERS-135, km 22
Sertão: ERS-135, km 38
Santo Augusto: ERS-155, km 65
Roque Gonzales: ERS-168, km 123
Santa Rosa: ERS-307, km 49
Paraí: ERS-324, km 33
Selba: RSC-402, km 0
Roque Gonzales: ERS-168, km 123
Rodeio Bonito: ERS-587, km 0
Erval Seco: ERS-585, km 0
Serafina Corrêa: ERS-129, km 147
Marau: ERS-324, km 88
Ronda Alta: ERS-324, km 102
Casca: ERS-324 com ERS-129
Catuípe: ERS-342, km 97
Três de Maio: ERS-342, km 33
Ijuí: ERS-342 com BR-285
Tuparendi: ERS-344, km 28
Independência: ERS-344, km 44
Sarandi: ERS-404, km 04
Tapejara: ERS-463, km 02
São Valentim: ERS-480, km 43
Palmeira das Missões: ERS-569 com a BR-468
Palmeira das Missões: ERS-569, km 03
Passo Fundo: RSC-153, km 02
Palmitinho: RSC-472, km 13
São Martinho: ERS-210, km 63
Muçum: ERS-129, km 82
Arvorezinha: ERS-332, km 60
Taquari: ERS-436, km 02
Venâncio Aires: RSC-287, km 78
Venâncio Aires: RSC-287, km 74
Santa Cruz do Sul: RSC-287, km 92
Santa Cruz do Sul: ERS-405, km 22
Venâncio Aires: RSC-453, km 10
Estrela Velha: RSC-481, km 72
Veranópolis: RSC-470, km 182
Caxias do Sul: ERS-122, km 69
Cotiporã: ERS-359, km 20
Caxias do Sul: ERS-452, km 27
Rodovias federais
Dom Pedro de Alcântara: BR-101, km 12
Três Cachoeiras: BR-101, km 25
São Marcos: BR-116, km 114
Camaquã: BR-116, km 389
Camaquã: BR-116, km 397
Camaquã: BR-116, km 401
São Lourenço do Sul: BR-116, km 454
Pelotas: BR-116, km 529
Cachoeira do Sul: BR-153, km 386
Caibaté: BR-285, km 538
São Luiz Gonzaga: BR-285, km 565
São Luiz Gonzaga: BR-285, km 566
São Borja: BR-285, km 668
São Vicente do Sul: BR-287, km 331
Santiago: BR-287, km 397
Candiota: BR-293, km 125
Frederico Westphalen: BR-386, km 36
Pelotas: BR-392, km 62
Pelotas: BR-392, km 66
Pelotas: BR-392, km 76
Canguçu: BR-392, km 125
Guarani das Missões: BR-392, km 636
Cerro Largo: BR-392, km 658
Palmeira das Missões: BR-468, km 0
Rio Grande: BR-471, km 481
Boa Vista do Buricá: BR-472, km 115
Santa Rosa: BR-472, km 155
Santa Rosa: BR-472, km 167














