
Grasiel Grasel
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Precisão e adrenalina, essas são duas palavras que certamente definem uma competição como a Baja SAE Brasil, campeonato internacional que coloca em prática todos os ensinamentos que alunos de engenharia do Brasil e do mundo recebem em sala de aula. A equipe santa-cruzense Baja de Galpão, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), depois de passar pela etapa regional em segundo lugar levando 5 prêmios, está apertando os últimos parafusos do seu veículo para competir na etapa nacional, que acontece de 11 a 15 de março, em São José dos Campos (SP), onde concorrem também a uma vaga para a final internacional, em Illinois, nos Estados Unidos.
O baja é um pequeno veículo off-road criado especialmente para competições de resistência e velocidade. No caso dos que competem no Baja SAE, eles são, acima de tudo, um grande projeto de engenharia posto em prática, com o objetivo de mostrar a capacidade dos universitários da área em resolver problemas reais que podem encontrar no mercado de trabalho.
A competição foi fundada em 1976 pela Sociedade de Engenheiros Automotivos (da sigla inglesa SAE), organização internacional que reúne e define padrões para profissionais de engenharia automotiva e aeroespacial, mas chegou ao Brasil apenas em 1994. A Baja SAE é dividida em três fases: a regional, em que diversos estados do país se reúnem em um campeonato entre regiões; a nacional, que junta os melhores de cada região em um grande evento de alta competitividade; e a internacional, a etapa final em que os melhores “bajeiros” do mundo todo se encontram para uma disputa final.
A construção de um baja passa pelas etapas de desenvolvimento de conceito do carro, definindo quais serão suas características; de projeto, que define como ele será executado; de fabricação, quando o carro é montado e a engenharia é observada na prática; e depois inicia o processo de validação, quantos testes são realizados para verificar se a execução está bem-feita e se o baja não terá problemas em uma competição. Para testar o seu veículo, a equipe santa-cruzense utiliza uma pista da própria Unisc onde verifica se todo o projeto foi bem executado ou se melhorias são necessárias. Outros espaços, como a pista de motocross do autódromo também são utilizados para verificar o quão resistente é o veículo.
A “Baja de Galpão”, nome da equipe santa-cruzense, é uma das mais promissoras na competição atualmente. Presentes nos eventos desde 2010, os jovens alunos dos cursos de engenharia da Unisc vêm se destacando nas últimas edições do Baja SAE, tendo ficado entre as quatro primeiras posições da etapa regional nos últimos quatro anos, conquistando o primeiro lugar em 2016. Alcançaram, também, a marca histórica do grupo ao conseguirem a 6ª colocação da etapa nacional do ano passado, quando por pouco não subiram ao pódio.
Neste ano, o objetivo da equipe é conquistar o sonho de ficar entre os três primeiros colocados da competição nacional para ganharem a chance de levarem o projeto para a etapa internacional. Se tivessem conseguido dar mais uma volta na prova de enduro no ano passado, teriam sido o terceiro melhor projeto do país e alcançado a classificação para os Estados Unidos. “Se a gente corrigisse os pontos perdidos nas voltas que ficamos parados por problemas pequenos, teríamos ido para o mundial com o terceiro lugar na competição geral”, afirma Arthur Geller, capitão da equipe Baja de Galpão.
Projetando o futuro
Engana-se quem acha que o Baja SAE é apenas uma competição. Fernando Sansone de Carvalho, doutor em Tecnologia Ambiental e coordenador do projeto na Unisc, explica que, na prática, ele é muito mais do que isso. “Não é só uma corrida, é uma competição de engenharia. Você precisa justificar suas escolhas. Por que o carro foi feito assim? Por que ele tem tal configuração? Aí você defende isso através de conceitos técnicos de engenharia”, explica.
Segundo o coordenador do Baja de Galpão, são bastante comuns os casos em que o projeto abre portas para os estudantes fora da universidade. Um dos primeiros capitães do grupo atualmente possui um alto cargo de gestão dentro de uma empresa do Grupo Randon, em Caxias do Sul. “Ele é um cara que já viajou o mundo todo e possui uma hierarquia bastante grande, mesmo formado recentemente, em 2013”, diz. Fernando também afirma que alunos já obtiveram vantagem em processos seletivos de grandes empresas por terem em seu currículo a experiência de participações no Baja SAE.
Dentro da universidade o baja é um projeto de extensão, então a universidade oferece todo o suporte necessário, como local e recursos financeiros com deslocamento em viagens, construção do carro e laboratórios, no entanto, empresas também patrocinam a equipe e ajudam a garantir melhorias no veículo. Atualmente 23 alunos estão trabalhando na equipe, mas qualquer aluno de um curso de engenharia da Unisc, independentemente do semestre em que está, pode participar.
Fernando explica que, por vezes, vestibulandos evitam fazer engenharia na Unisc por ser uma universidade de interior, mas projetos como o Baja de Galpão mostram o potencial dos cursos, que oferecem atualmente o melhor veículo do Rio Grande do Sul e um dos melhores do Brasil no Baja SAE. “Tem cara aqui que sabe mais sobre um aspecto específico de engenharia do que muitos professores. Não tem nenhum professor que pode ensinar ele mais do que ele já conhece, de tanto que ele se dedica a estudar isso”, defende.
Partiu, São José dos Campos!
Com 73 equipes inscritas vindas de todas as regiões do País, a etapa nacional da Competição Baja SAE Brasil-Etapa Nacional, qualificará as três universidades que obtiverem as melhores pontuações na soma geral das provas para representar o Brasil na competição mundial Baja SAE Illinois, nos Estados Unidos, de 3 a 6 de junho, evento promovido pela SAE International.
Para 2020 a Competição inclui, pela primeira vez na sua programação, duas novas provas, Retomada e a Super Prime. Individual, a prova de Retomada será feita em uma pista em forma de “U” e exigirá o melhor desempenho dinâmico dos sistemas de direção, freios e powertrain, além da habilidade do piloto. O objetivo dessa prova é avaliar a capacidade de se restabelecer a máxima aceleração/velocidade do veículo depois de uma redução drástica em curva acentuada.
A Super Prime será uma disputa entre dois carros em uma pista de traçado específico e individual, exclusivo para a atividade, na qual a habilidade dos pilotos também será avaliada. De caráter eliminatório, vence e leva o troféu a equipe que chegar na frente em cada etapa até o final. Participam todas as equipes cujos carros tenham sido aprovados em todos os quesitos de segurança.
A região Sudeste lidera com 46 equipes inscritas, de quatro Estados e 43 instituições de ensino superior: 22 de São Paulo, 13 de Minas Gerais, oito do Rio de Janeiro e três do Espírito Santo. A região Sul inscreveu 13 equipes, seis do Paraná, quatro de Santa Catarina e três do Rio Grande do Sul.














