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O coletivo expresso na individualidade

Jéssica Ferreira
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Serão 21 dias disponíveis de visitação na Casa das Artes Regina Simonis para prestigiar a exposição Individualidade Coletiva, produzida pelo Atelier Márcia Marostega, de Santa Cruz do Sul. As obras estarão em exposição de 10 de setembro a 3 de outubro. 
O slogan da exposição nasceu da ideia de uma aluna do atelier, Elusa Borowski Morsch –, que tem o intuito de transmitir “a força do coletivo, onde o individual compõe, se entrelaça e proporciona o movimento de sensações e sentimentos, como num conjunto de harmoniosas engrenagens”, disse Elusa em sua citação. Isto é, segundo a artista santa-cruzense Márcia Regina Marostega Cândido dos Santos, quando estavam em busca do tema para a exposição, a ideia da aluna basicamente foi resumir em apenas duas palavras o trabalho realizado no atelier. “Todas as alunas têm seus temas livres e expressam em suas obras seus sentimentos de maneira individual, entretanto, ao mesmo tempo os trabalhos são realizados coletivamente de maneira harmoniosa”, disse Márcia.
Na última quinta-feira, 10, visitamos o atelier para conferir de perto um pouco do doce trabalho de cada aluna. Quem chega lá, tem logo de cara um olhar sensacional devido à harmonia com que cada artista trabalha. Uma tarde de quinta-feira fria e nublada, o tempo lá fora marcava chuva, porém, dentro do atelier não havia mau tempo. Com um som suave tocando pelo espaço, as alunas iam desenvolvendo sua criatividade nas telas, cada qual, na sua individualidade, mas se percebia que o coletivo caminhava junto ao mesmo tempo em que cada obra ia sendo traçada pelo pincel.
Aluna há 13 anos no atelier, Cynthia Escanavino diz sentir uma leveza ao entrar na Casa das Artes e prestigiar suas obras e de suas colegas. “Uma sensação muito boa, vemos ali o fruto do nosso trabalho, as lembranças de como foi cada construção e o resultado exposto ali. Atingimos um nível bem alto e demonstramos nesta exposição qualidade, na qual temos evoluído todos os anos. Desde as cores, cada pesquisa envolvida para o início da obra e nosso envolvimento harmonioso aqui no atelier, resultou nesse sucesso que tem sido para todas nós”, declarou.

Jéssica Ferreira

Cada artista trabalha na sua individualidade, porém, de maneira harmoniosa e coletiva

Arte aplicada

Em 2014 estiveram em exposição guarda-chuvas artísticos, onde 36 belos guarda-chuvas foram pintados por artistas do atelier de acordo com as suas próprias perspectivas de arte. Para este ano, o atelier buscou além de expor seus belos quadros, trazer algo diferente assim como foi com os guarda-chuvas, ou seja, o trabalho realizado em bolsas. “Existe todo o trabalho de estampagem do tecido – onde foram ensinados técnicas e tipos de estamparia – e por fim, a montagem de cada bolsa – que foi ministrado por uma colega nossa, que realizou um curso de criação de bolsas e repassou a ideia através de um curso específico para as meninas do atelier. Passamos neste período a trabalhar com esta arte aplicada nas bolsas, e hoje vemos o resultado junto à exposição”, explicou Márcia Marostega.
Cada bolsa é de padronagem exclusiva, isto é, existe em cada uma a aura artística, onde se mantém o “aqui e agora” da criação. Aura, para Walter Benjamin – filósofo que publicou em 1936 “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica” –, está relacionada à unicidade, autenticidade e tradição de uma obra. Tais fatores as tornam características em seus respectivos contextos socioculturais, já que a original conta a história do objeto, criando uma sucessão de valores sobre ele. Traduzindo para as bolsas, cada obra tem sua autenticidade, isto é, são bolsas exclusivas e inspiradas por seu irrepetível artista. 

Jéssica Ferreira

Bolsas exclusivas e inspiradas por seu irrepetível artista