Cristiano Silva
[email protected]
Cristiano Silva

Chico Koppe detalha partida disputada em 1964 e relembra briga entre o
gremista Ortunho e o colorado Sapiranga no gramado do Estádio dos Eucaliptos

Chico Koppe detalha partida disputada em 1964 e relembra briga entre o
gremista Ortunho e o colorado Sapiranga no gramado do Estádio dos Eucaliptos
Ainda que em Santa Cruz – assim como em todo o interior do Rio Grande do Sul – a maioria dos apaixonados por futebol torçam por Grêmio ou Internacional, uma boa porcentagem deste público torce também e acompanha ou Futebol Clube Santa Cruz ou Esporte Clube Avenida. No longínquo 1964, há exatos 50 anos, Santa Cruz já era dividida entre o Galo e o Periquito. Na época, a história já mais do que cinquentenária do Santa Cruz se sobressaía sobre o Avenida, este com apenas 20 anos de existência. Esse maior poder e tradição carijó fazia o clube preto e branco da cidade ter, em 50 clássicos Ave-Cruz disputados até o determinado ano, 35 vitórias, contra apenas 6 triunfos do Avenida e 9 empates. Com essa superioridade do Galo, que na época já acumulava dois terceiros lugares (em 1932 e 1959) e um quatro lugar (em 1957) no Campeonato Gaúcho da 1ª Divisão, o Avenida precisava criar uma posição de no mínimo emparelhar seu futebol com o Santa Cruz. E foi com um time aguerrido e um dirigente ousado que o ano de 1964 se tornou inesquecível, não só para o clube verde e branco da cidade, mas para o futebol santa-cruzense dentro do cenário estadual.
GRE-NAL SANTA-CRUZENSE
Divulgação/RJ

Cia. de Cigarros Sinimbu chegou a fabricar os “Cigarros Gre-Nal”

Cia. de Cigarros Sinimbu chegou a fabricar os “Cigarros Gre-Nal”
Em 11 de março de 1964, o time do Internacional, de Porto Alegre, entrava em campo para enfrentar o Peñarol, equipe considerada uma seleção mundial, já tendo até a data sido bicampeão mundial e tri campeão da Libertadores. Na época, a equipe uruguaia contava com jogadores de altíssimo nível como Pedro Rocha, Pablo Forlán (pai do atacante Diego Forlán), Figueroa e Rojas. Os uruguaios, por sua vez, haviam sido campeões mundiais pela última vez em 1961 contra o poderosíssimo Benfica, time que tinha Eusébio como principal jogador. O time colorado, ignorando tudo isso, venceu o Peñarol em Porto Alegre pelo placar de 2×1. Nos dias que se sucederam a vitória gaúcha, os torcedores colorados se auto intitularam “campeões do mundo”, pois haviam vencido a equipe uruguaia que anos antes fora campeã mundial e que nas quatro primeiras Libertadores havia conseguido dois títulos, um vice-campeonato (para o Santos, de Pelé) e um terceiro lugar.
Apenas quatro dias depois da vitória sobre o Peñarol, em 15 de março de 1964, o Colorado veio a Santa Cruz do Sul enfrentar o Avenida no Estádio dos Eucaliptos e levou 3×1 ao natural do Periquito, que marcou com Ernani, Carnaval e Betinho, com Vanderlei tendo descontado para o clube de Porto Alegre. Este resultado colocou uma ideia na cabeça do ousado vice-presidente de futebol da época, senhor Arcadius Swarowsky. “O Avenida tinha no Arcadius Swarowsky um homem muito ousado e dinâmico. Animado pelos torcedores avenidenses que cantavam que o Avenida havia vencido aquele que se auto intitulava ‘campeão do mundo’ por ter vencido o Peñarol, que por sua vez havia vencido o Benfica, de Eusébio, o senhor Arcadius trouxe a ideia de realizar um Gre-Nal aqui em Santa Cruz, nos Eucaliptos, e todo mundo chamou ele de louco” conta o torcedor da época, que posteriormente chegou à presidência do Avenida e que hoje é conselheiro do clube, Chico Koppe.
De acordo com Chico, Schwarowski, que tinha contatos na cidade, foi até a Cia. de Cigarros Sinimbu, fábrica local, pedir o patrocínio para a realização do evento, pois após as rápidas conversas com a dupla Gre-Nal, ambas as diretorias pediram cotas altas para a realização da partida. Com o patrocínio conseguido, estava na hora de marcar a data do jogo, ou melhor, do dia de futebol em Santa Cruz. “A partida entre Grêmio e Internacional, em Santa Cruz do Sul, aconteceu no dia 19 de abril de 1964 e foi acompanhada de um dia cheio nos Eucaliptos com grande programação e três clássicos. A Prefeitura emprestou as arquibancadas do carnaval para dar mais público e a quantidade de gente foi tanta que havia carros estacionados até a Rua João Pessoa” destacou Koppe. Ao meio dia, a partida inicial foi o chamado “Clássico Alto-Taquari”, entre Lajeadense e Estrela. O jogo terminou 1×0 para o Estrela, que naquela partida quebrou um tabu de 10 anos sem vitória contra o rival. Às 14h ocorreu o “Clássico Região Centro”, nome dado na oportunidade ao clássico Ave-Cruz, vencido pelo Santa Cruz pelo placar de 2×1 com o gol da vitória do Galo saindo aos 44 minutos do 2º tempo com o atacante Ivori, que também marcou o outro gol do Santa Cruz. Para o Avenida, quem marcou foi Boca. Depois do emocionante Ave-Cruz, às 16h iniciaria o clássico Gre-Nal.
Arquivo / E.C. Avenida

A equipe do Avenida, que em 1964 derrotou o Internacional por 3×1 e plantou a ideia da realização do Gre-Nal em Santa Cruz na cabeça do dirigente Arcadius Swarowsky, tinha (da esq. p/ à dir.) em pé: Borowski, Adauto

A equipe do Avenida, que em 1964 derrotou o Internacional por 3×1 e plantou a ideia da realização do Gre-Nal em Santa Cruz na cabeça do dirigente Arcadius Swarowsky, tinha (da esq. p/ à dir.) em pé: Borowski, Adauto
Azevedo, Belini, Limeira, Pedro Celso e Caneco. Agachados (da esq. p/ à dir.): Boca, Betinho, Carnaval, Sadi e Ernani.
O JOGO
O time colorado para o clássico contava com o goleiro Gainete e com o atacante Sapiranga. Na escalação tricolor, nomes como Airton Pavilhão, Ortunho e Alcindo (maior artilheiro da história do Grêmio). “Foi um clássico muito importante para Grêmio e Internacional e o público de 7 mil pessoas nos Eucaliptos viu um grande jogo até mesmo com aquela rivalidade Gre-Nal característica. O Sapiranga, atacante do Inter, era muito provocador. Numa dessas iniciou um briga com o Ortunho, jogador do Grêmio, este que foi expulso da partida por disparar uma cusparada no Sapiranga, então se viu de tudo naquele jogo” afirmou Chico Koppe. No final da partida, o Inter venceu o Grêmio por 1×0, gol de Vanderlei, mas esse era o menor dos resultados. O evento em si, de certa forma, apoiado na vitória sobre o Inter um mês antes, foi um ponto de partida para o crescimento do Avenida, que ainda foi vice-campeão gaúcho da 2ª Divisão em 1964, tendo emparelhado a sua situação frente ao rival Santa Cruz. A partir desse jogo e do evento, o Rio Grande do Sul olhou com mais cuidado para os times e para o futebol de Santa Cruz do Sul.
Cristiano Silva

Chico Koppe é torcedor do Avenida e foi ao Gre-Nal santa-cruzense em 1964

Chico Koppe é torcedor do Avenida e foi ao Gre-Nal santa-cruzense em 1964














