SARA ROHDE
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Muitos animais sofrem durante jogos de futebol, réveillon ou qualquer comemoração que utilize foguetes e fogos de artifício. Isso porque os animais têm a audição mais aguçada que o ser humano, fazendo com que sintam dor e medo. Os animais se estressam e procuram se esconder em qualquer lugar longe do barulho.
É uma partida de futebol ou até mesmo a final de um campeonato: o ser humano gosta de fazer barulho para comemorar. Durante a virada de ano então nem se fala. É tanto foguete que, as pessoas começam a se preparar com seus animaizinhos desde o Natal. Alguns donos dão remédios, outros amarram fitas em torno do corpo e até mesmo saem do barulho da cidade para não causar estresse no animal. Outros donos anestesiam seus pets com analgésicos para que não sintam dor no ouvido e possam se tranquilizar na hora da virada.
De tanto foguete, alguns bichinhos chegam a se machucar gravemente ou até mesmo falecer. Sem falar nos animais que fogem durante as datas comemorativas e não são mais encontrados. Ficam perdidos ou são atropelados por não saberem como voltar para casa. Tem também os animais de rua que não tem o que fazer. São pássaros, animais silvestres ou pets abandonados. Eles são os que mais sofrem.
Aqui em Santa Cruz do Sul não foi diferente neste final de ano. Muitos donos relataram o sofrimento que passaram nesta época.
O Arthur, um Shitzu de 13 anos, fugiu com os barulhos dos foguetes na virada. O cachorrinho de Eloisa sumiu no dia 31 a tarde, mas foi encontrado ainda durante o dia devido a uma publicação da dona nas redes sociais. Uma história com final feliz.
O caso da Mel de 5 anos foi mais complicado. A cadelinha da raça Linguicinha teve convulsão na hora dos foguetes. Sorte que o dono, de Rio Pardinho, estava em casa, pois ele teve que segurar a língua para ela não engolir e fazer uma respiração boca-a-boca devido a falta de ar. Já a Judite (outra Linguicinha) teve epilepsia na hora da contagem regressiva da virada.
No bairro Monte Verde um São Bernardo estava no pátio de uma residência em que os donos não se encontravam. A vizinha (Liane Silveira) que estava fechando a sua casa, viu o São Bernardo (de aproximadamente 3 anos) pendurado com a metade do corpo para fora e a outra metade para dentro da grade da residência. Ao ver que o cachorro não conseguia sair e se batia muito, acionou os bombeiros. Os técnicos chegaram e abriram a grade para tirar o animal. O São Bernardo se machucou, mas passa bem.
A cadelinha sem raça definida de Amanda Tafernaberri fugiu por causa dos foguetes no Natal. Ela já tinha escapado uma vez devido aos fogos, mas sempre a encontravam próximo a residência. Dessa vez ela ainda não voltou. A Cacau tem 3 anos e é de porte grande. Tem o pelo malhadinho, tipo uma tigresa (pelo castanho e preto). No focinho uma manchinha branca faz o charme. A Cacau conseguiu arrebentar a cerca de madeira em torno de sua casinha e pelas grades da residência fugiu. A casa da Amanda fica na Félix Hoppe, próximo ao César Pinturas.
A Mel (Labradora com Dobermann – 60 Kg) de 11 anos machucou a boca e a patinha ao tentar fugir. A dona, Shaiana Machado, conta que todo ano é a mesma função. A Mel, mesmo com calmante faixa preta, tentou abrir o portão dos fundos para tentar escapar, cortou a boca, a pata e ainda perdeu um dente. A Esmeralda, cadelinha paraplégica de Letícia, ficou com as patinhas traseiras em carne viva ao tentar fugir do barulho. Ela se arrastou tentando escapar e por isso se machucou. Por sorte a Mel e a Esmeralda, apesar de machucadas, estão bem.
O Guru, Pastor Alemão Capa-Preta, tem muito medo dos fogos. Ele tem 7 anos e todo réveillon tem início de convulsão. O Guru sofre de epilepsia devido ao medo do barulho extremo. Seja foguete ou trovoada sempre fica alguém por perto para tranquilizá-lo.

As clínicas veterinárias atenderam muitas chamadas de emergência durante o final do ano. Dois cachorros foram atendidos pelo Dr. Alexandre Wazlawik. Um deles havia fugido e estava perdido. Apareceu na clínica e em seguida foi encontrado pelo seu dono. O outro se perdeu com o barulho dos foguetes e machucou a barriga.
A Dra. Heloisa Teichmann atendeu vários chamados, mas os casos mais graves foram de três cachorros. Um foi atropelado na hora da vidrada, se feriu, mas passa bem. O outro ficou preso nas grades da residência e se machucou. O terceiro e mais grave se envolveu em uma briga com outro cachorro. Devido aos foguetes o cachorro de porte grande avançou em cima do cachorro de porte pequeno e quase o matou. O pequeno está internado em estado grave.
E não são somente os pets que se machucam, muitas crianças e idosos têm medo dos barulhos causados pelos foguetes. Todo ano muitas famílias deixam de viajar para cuidar da família, crianças, idosos e os pets.
A solução é utilizar fogos de artifício que não fazem barulho, são fogos silenciosos. Essa tem sido a saída em diversas cidades, desde que a preocupação com os animais, com os idosos e as crianças se tornou mais difundida, em grande parte pelas redes sociais em que são encontrados diversos relatos após jogos e festas.















